quarta-feira, 11 de maio de 2016

E se os contribuintes escrevessem uma carta aos bispos?




Não se surpreendam, enervem ou indignem, com esta indecorosa reacção da bispalhada tuga. Respondam-lhes na mesma moeda e enviem-lhes cartas com três perguntas apenas:
- Se precisam de dinheiro para as vossas escolas, porque não pedem ao  banco do Vaticano? O vosso estado é lá, não é em Portugal, sabiam?
- Porque é que não cobram uma comissão aos padres que compram casas e automóveis de luxo, ou brincam à  caridade com as esmolas dos fiéis?
-Os senhores bispos estão enxofrados, porque este governo lhes quer retirar uma bela receita, mas não vos parece  de muito mau gosto insistir na tecla de que obrigar os contribuintes a pagar as vossas escolas é um acto de justiça?
Gostaria de ver a reacção da bispalhada  se milhares de  contribuintes lhes escrevessem cartas com estas perguntas.
Não, não é uma ideia marada... é mesmo uma sugestão.

Fujam para a arca, que vem aí o fim do mundo!



A semana passada foi o ( regresso do)  milagre do sol. Ontem foram os bispos a incentivar às cruzadas contra os infiéis que nos governam, o Euromilhões saiu em Fátima e hoje garantem-nos que afinal D. Sebastião, o Desejado vai mesmo regressar.
Como é que a gente se aguenta com tanto milagre? Só pode ser prenúncio de que vem aí o fim do mundo!
Será isso que Marcelo irá anunciar ao País na comunicação que fará dia 12 ou 13 de Maio?

O Buzinão ( Balada sobre um falhanço)




Quando soube que ontem iria haver um "Buzinão" contra as obras de melhoramento do Eixo Central de Lisboa ( Campo Grande/ Marquês de Pombal)  a minha reacção imediata foi perguntar  por que razão os lisboetas são contra obras que melhoram a qualidade de vida dos seus moradores e ficam indiferentes com obras que destroem o seu património cultural e histórico.
Porque não protestaram, por exemplo, contra a transformação do Saldanha num inferno com paredes de vidro, no tempo do Abacaxi?
Será por  preguiça? Será por burrice?
Preguiça não é certamente,  e a burrice não ataca assim!
É talvez desinteresse cultural.
Mas há pouco, há poucochinho, os lisboetas manifestavam a sua indignação com o encerramento de cinemas, a possibilidade de a Mexicana fechar originava uma petição para elevar a pastelaria a património cultural da cidade e até os frequentadores do Jamaica e do Tokyo (promovidos de casas de putas a discotecas) aspiraram a um lugar no santuário icónico da cidade...
Mas quem protesta assim, buzinando, em esforçada sinfonia, em hora de ponta tardia?
Quem atrasa o regresso a casa, num protesto contra o progresso?
Não é cultura, nem  cidadania e a consciência ambiental não se manifesta assim.
Fui ver.
Era a cretinice. Saloia, mas encadernada em  uniforme urbano. Olho-os a partir da Praça e   meu Deus que aflição! Terei perdido a audição? Passam carros em abundância, mas buzinas só as oiço à distância.
Olho melhor quem passa e vejo através da vidraça,  que quem buzina se escapa rumo ao túnel do Marquês, entre motos e câmaras de Têvês.
Mas afinal quem buzina nem sequer vive em Lisboa! É gente que vai e vem, diariamente, enchendo a cidade durante o dia e deixando-a à noite vazia!
Entra em mim a indignação. Porque protestam as gentes  que nem da cidade são?
Passa também gente sofrida que ignora o buzinão e  ciclistas urbanos que sofrem com tanta poluição.
Esta é  gente de Lisboa, mas afinal não protesta.
Explique-me então, quem souber, tamanha contradição.
Se as obras são para o lisboeta, porque protesta o povão?
Querem que vos confesse uma coisa, do fundo do coração?
Estou farto de labregos que chegaram a Lisboa  de carroça, espalhando bosta pelas ruas.
Foram  viver para fora de portas e, como vingança, vêm cá todos os dias  poluir a cidade montados em máquinas cada vez mais potentes. Para eles, o verde só serve para pasto das vacas que deixaram na terrinha, que visitam ao fim de semana.
Para eles, Lisboa são blocos de cimento, centros comerciais envidraçados e tipo" amaricano", muitas pizzarias, hamburguerias e outras porcarias como bares de gin manias.
Olho para os ciclistas. Joelhos esfolados, calções acolchoados, pezinhos bem doridos,  abençoam as obras e ao Medina se mostram agradecidos.
Foram eles os protagonistas do falhado buzinão. À falta de buzinadelas, foram eles a dar entrevistas à televisão. Com duas pedaladas se esfumou a onda de contestação.
Os lisboetas  e aqueles que cá vivem agradecem. As obras do Eixo Central são uma mais valia para a cidade. Quem faz do carro extensão do corpo é que não gosta de ouvir esta verdade.
Penso  nisto e uma alegria me invade. Fracassou o buzinão, quem ganhou foi a cidade.