quarta-feira, 4 de maio de 2016

Pontualidade

Os portugueses nunca foram pontuais. Chegam atrasados a tudo e têm a mania de deixar as coisas para o dia seguinte

Os jovenzinhos tão engraçados...



Foto: Alberto Quintas /SIC

Espero que haja alguém com eles no sítio e obrigue este idiota a  pagar os prejuízos, mas receio bem que o desfecho seja muito diferente.
Se recorrer a um bom advogado, ainda recebe uma indemnização, porque a estátua é que estava em mau estado e ele podia ter-se magoado.
Ah e tal e coisa, não havia nenhuma tabuleta a avisar que não se pode subir às estátuas, por isso  vá em paz, dirá um  juiz condescendente.
Já se o juiz tiver em consideração que o património público é propriedade  de todos, talvez seja mais rigoroso e pergunte:
"Olhe lá, se a sua casa for assaltada e o jovem gatuno  se defender dizendo que não havia nenhuma placa a avisar " Proibida a entrada a estranhos", acha que eu o devo absolver?"

Nunca digas desta água não beberei...

Lamento desiludir algumas almas, mas continuo a considerar este comportamento de Constâncio inadmissível.
E, desta vez, estou ao lado do PSD nas críticas ao vice presidente do BCE. Pelo menos até que alguém me apresente argumentos racionais que justifiquem o comportamento do ex presidente do Banco de Portugal.

Esplanadas

Quando, ainda miúdo, comecei a viajar com os meus pais para Espanha, uma das coisas que mais me agradava e contava repetidamente aos meus colegas e amigos eram as noites na esplanada a comer um gelado ou beber uma coca-cola.
Desde miúdo habituado às noites frias de Miramar que exigiam sempre um agasalho a lembrar o Inverno, acreditava que Espanha era um país tão privilegiado pelo clima, que os espanhóis até se podiam dar ao luxo de ir à esplanada à noite.
Já adolescente, viajando pelo norte da Europa, percebi que também em países frios e com clima bem mais agreste do que o nosso, havia esplanadas onde as pessoas gostavam de se reunir ao final da tarde e pela noite dentro.
Foi então que me comecei a interrogar sobre a razão de um país com um clima ameno e convidativo para noites ao ar livre, especialmente nas noites de Verão, mas também em muitos períodos da Primavera e Outono ter tão poucas esplanadas em funcionamento durante todo o ano ( a excepção era o Algarve, mas mesmo aí as esplanadas começaram a multiplicar-se em função da procura turística).
Nos últimos anos, Portugal conheceu uma explosão de esplanadas a tempo inteiro.  Vieram animar as noites ao ar livre de cidades muito procuradas pelo turismo, como Lisboa e Porto, mas também de cidades do interior com turismo escasso, como Castelo Branco,  Viseu, Guimarães ou Braga , ao longo de todo o ano
Creio que o aumento exponencial do número de esplanadas não se ficou a dever às alterações climáticas, nem a exigências do turismo. Foi,  essencialmente, a Lei anti-tabágica que "obrigou" os empresários da restauração a criar espaços onde os clientes possam fumar e refeiçoar sem problemas.
Primeiro timidamente, depois - à medida que a crise se acentuava e obrigava a puxar pela imaginação- com o crescimento do turismo, os empresários da restauração perceberam, ainda que tardiamente, que as esplanadas eram um investimento lucrativo.
Um pouco por todo o país,as esplanadas multiplicaram-se como cogumelos e hoje em dia, não há café nem boteco, nos locais mais recônditos de Lisboa, que não tenha uma pequena esplanada.  
As cidades ganharam mais vida, as ruas animaram-se e os espaços interiores ficaram mais respiráveis.
Como tudo na vida, há aspectos positivos e negativos nesta explosão das esplanadas. Especialmente em algumas zonas das cidades de Lisboa e Porto, onde  as "movidas" nocturnas se tornaram um incómodo para os moradores, muito por força do "botellon" importado de Espanha, começaram a surgir  reclamações. Primeiro motivadas pelo excesso do ruído, depois pelos desacatos, consequência de excessos etílicos, não raras vezes activados por outras substâncias.
A exemplo do que aconteceu já em Paris e em várias cidades espanholas, cujas autarquias se viram obrigadas a tomar medidas que conciliem a liberdade de as pessoas se divertirem com o direito ao descanso, Porto e Lisboa vêm desde há algum tempo a enfrentar idênticos problemas.
Já em 2011- muito antes de se presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira reclamava regras para a "movida do Porto" e, em Lisboa, António Costa tomava medidas para tentar minimizar os efeitos do ruído em zonas como o Bairro Alto e Santos.
É imperioso respeitar o direito dos moradores ao descanso, pelo que concordo com  a obrigatoriedade de encerrar estabelecimentos de diversão mais cedo, para evitar as cenas degradantes  oferecidas por adolescentes bêbados e agressivos, a quem trabalha e se levanta cedo.
Não me parece  desajustado, por isso, que a câmara de Lisboa obrigue as esplanadas a fechar   mais cedo mas, obrigar o encerramento generalizado  às 24 horas, parece-me manifestamente exagerado.
Em algumas zonas da cidade essa medida é injustificável e vai prejudicar o negócio da restauração.
O mesmo se diga, já agora, quanto às "Lojas de Conveniência" obrigadas a encerrar às 22 horas. Não me parece que isso resolva o problema do " excesso de ruído nocturno". Apenas obrigará muitos jovens a adquirir as bebidas mais cedo.