sexta-feira, 29 de abril de 2016

11º Mandamento: Não interferirás nos negócios (dos mensageiros) de Deus



Apesar do nome de corredor de automóveis, Emiliano Fittipaldi não conduz um Fórmula1, nem consta que participe em corridas de automóveis.  
Este jornalista italiano procura outras pistas. As que devolvam ao jornalismo de investigação a qualidade e o reconhecimento público.
Há já alguns anos que escreve sobre o Vaticano na  revista L'Espresso, mas a  sua investigação sobre os negócios escuros tem sido tão vasta e aprofundada, que Emiliano Fittipaldi acabou por escrever um livro sobre o submundo financeiro com sede na praça de S. Pedro.
O autor define "Avareza" como "um mapa da corrupção no Vaticano". Na entrevista à "Visão" desta semana, Fittipaldi  fala sobre alguns dos podres que revela no livro:
O dinheiro dos fiéis que devia ser para os pobres é investido em acções e imobiliário;
Há cardeais que vivem num luxo aviltante. Apartamentos de 40 m2, pedófilo que paga 50 mil euros mensais a uma secretária; verbas destinadas a hospitais desviadas para obras de restauro nas suas residências.
Para aperitivo, já não é mau. Mas fique também a saber que as beatificações são pagas a peso de ouro ( percebe agora  a razão de não haver santos pretos?) leia outras revelações que Fittipaldi faz na entrevista à Visão, e vai certamente ficar com vontade de ler "Avareza".
Talvez alguns leitores se estejam neste momento a interrogar:
- E  como reagiu o Vaticano?
Dir-lhe-ei que é no mínimo surpreendente. A reacção da Cúria foi apresentar queixa contra Emiliano Fittipaldi por " subtracção e divulgação de documentos reservados".
Ou seja. Ninguém, no Vaticano, nega os factos. Contesta é a sua divulgação. Creio que o Papa Francisco, sempre pronto a criticar alguns comportamentos e vícios dos membros do Vaticano e da Igreja em geral, ficou muito mal na fotografia, ao pedir a condenação do mensageiro e se remeter ao silêncio quanto à conduta dos membros da Cúria. 
 Está a chegar a hora de a Igreja propor um novo mandamento:
" Não interferirás nos negócios ( dos mensageiros) de Deus".

Estas coisas chateiam-me, pá!




Já aqui escrevi que  me encanita ter de pagar a modernização dos táxis e manifestei o meu desagrado pela  decisão  do governo dar aos taxistas entre 17 e 20 milhões de euros para  calar os protestos contra a UBER modernização das viaturas.
Não é atirando dinheiro para cima dos problemas que eles se resolvem. E, como a greve de hoje demonstra, se a ideia do governo era calar os taxistas, a medida falhou rotundamente.
Não me custa admitir que os taxistas tenham razão quando dizem que a UBER está a fazer concorrência desleal, mas espero que alguém lhes explique que o mundo está a mudar mais vertiginosamente do que na época em que os taxistas motorizados substituíram os cocheiros.
Não será proibindo a UBER que os problemas concorrenciais que os taxistas enfrentam vão ser resolvidos. Se a UBER for ilegalizada, outras plataformas  irão aparecer.
Não tenho a veleidade de dizer qual o caminho certo para resolver este intrincado problema, mas tenho a certeza que não é ilegalizando a UBER, nem atirando dinheiro para cima dos taxistas, que se resolvem os problemas.  A UBER está a aproveitar um vazio legal para operar em 600 cidades? Talvez. Mas, se assim for, o que os governos devem fazer é enquadrar legalmente a actividade, de molde a que ela seja compatível com a dos taxistas.
O problema, é que a evolução tecnológica tem sido tão célere, que os governos não conseguem acompanhar as mudanças a nível legislativo.
Mesmo que haja concorrência desleal, como argumentam os taxistas, não me parece boa ideia ilegalizar uma actividade ( a UBER) que beneficia os consumidores. 
 Os taxistas não perceberam - ou não querem perceber - as mudanças e decidiram fazer chantagem. Estão no seu direito, mas eu também tenho direito de pedir ao governo que retire os 20 milhões que lhes tinha destinado para modernização das viaturas, porque não irá resolver a falta de qualidade do serviço prestado pelos taxistas. A modernização fundamental passa pelos recursos humanos e não pelas viaturas.
Chateia-me, por isso, que o governo dê esta verba a uma classe profissional que recusa ver o óbvio, mas  tem poder para paralisar uma cidade, e simultaneamente alegue que não pode repor os passes 4-18 e sub 23, para todos os jovens, porque a medida custaria 20 milhões de euros.