quinta-feira, 28 de abril de 2016

É este o jornalismo a que temos direito?



Pouco me interessa que o director de campanha de Passos  Coelho tenha sido apanhado na operação Lava Jato, se tem negócios escuros, é pedófilo ou homossexual.
Foi pago  para fazer a campanha eleitoral do PSD? Foi. Mas é crime alguém pagar a quem lhe faz o trabalho de que necessita?
A notícia associa o empresário brasileiro a Passos Coelho, Relvas e Marco António Costa. OK. Mas algum deles está associado aos "crimes" de que André Gustavo estará acusado?
Eu considero Passos Coelho, Relvas e Marco António Costa produtos de esgoto da vida política tuga mas, ao contrário do que se insinua na notícia, não faço associações descabeladas só porque A é amigo de B ou tem negócios com C. É por isso que também considero nojentas as notícias que durante meses foram publicadas sobre Sócrates, pretendendo incrimina-lo antes de ser julgado.
No entanto, como não sou hipócrita, devo reconhecer que me deu algum gozo ler esta notícia. A escumalha de direita está a provar o seu próprio veneno e a conhecer, na prática, o efeito boomerang.
O que não suporto é este jornalismo de intriga que se prostitui na mira de vender mais jornais.

E depois vendem -nos que a culpa é dos antibióticos...


Pese embora o sensacionalismo que rodeia muitas destas notícias, não há dúvidas que estamos a ser envenenados por via alimentar.
Não é novidade, nem surpresa. Desde o DDT  que esse envenenamento se vem processando lentamente, como chamou a atenção Rachel Carlson  no seu livro "A Primavera Silenciosa" em 1964.
Desde o início da década de 90, com a explosão da indústria alimentar, os riscos de "envenenamento lento" têm aumentado.  Um dos maiores venenos são os transgénicos, mas nem as inúmeras vozes qualificadas que há duas décadas avisam contra os perigos desses produtos têm sido suficientes para travar a sua utilização.
A indústria alimentar, cujo máximo expoente é a Monsanto, deveria estar no banco dos réus mas, em vez disso, recebe há duas décadas apoios surpreendentes.
Em 1999, por exemplo, 170 países estiveram ( mais uma vez...) reunidos para debater as implicações do OGM na saúde humana. Contando com o apoio do Canadá, Austrália, Chile, Uruguai e Argentina ( os maiores produtores de OGM), os Estados Unidos conseguiram fazer valer a sua posição ( não inclusão nos rótulos de esclarecimento sobre a origem dos produtos, quando em causa estiverem OGM).Se quem não deve não teme, porquê esta recusa? Muito estranho, principalmente desde que duas dezenas de cientistas de diversos países constataram - através de uma experiência feita com ratos- que aqueles animais apresentaram deficiências nos seus sistemas imunitários, depois de terem sido alimentados com batatas geneticamente modificadas.
O cientista que divulgou o estudo foi despedido do laboratório onde trabalhava.( A prática de matar o mensageiro
vem de longe...)
Não é novidade o envenenamento por via alimentar, mas continua a omitir-se o envenenamento por via pulmonar, atribuindo ao tabaco e aos automóveis todas as culpas pela poluição atmosférica, mas desviando as atenções dos problemas causados por centrais nucleares, indústrias poluentes e indústria de guerra.
Estamos a ser envenenados, mas também anestesiados. Primeiro foi a sociedade de consumo em versão soft: apelo ao consumo de produtos, com saldos, promoções e outras diversões. Actualmente, com as novas tecnologias cada vez mais desenvolvidas e a comunicação em rede permanente, estão a tentar anestesiar-nos.
O lado bom da coisa é morrermos inconscientes, ou com um sentimento de culpa por termos abusado dos antibióticos*.
Sem sabermos, sequer, que os transgénicos não estão apenas nos alimentos. São utilizados também em medicamentos e até no vestuário.
* Não se trata de negar que consumimos antibióticos em demasia. O que não vale é meterem-nos medo com umas coisas e depois esconderem-nos outras, porque é preciso defender as empresas e os interesses económicos associados.