quinta-feira, 21 de abril de 2016

Mais vale um rato de esgoto, do que um vampiro asseado

Quando, em Outubro, dei entrada no Hospital para ser operado, escrevi dois posts sobre a escassez de roupas ( nem uma almofada tinha) e sobre as dúvidas que tinha em relação à higiene das mesmas. Fui muito mal interpretado, apesar de então ter esclarecido que mesmo assim preferia ser operado num hospital público, por médicos competentes e dedicados, do que num daqueles hospitais privados que vivem à custa do Estado e da exploração do negócio da saúde.
Não gosto de situações como esta, mas também detesto vampiros muito asseados, que cobram 15 € por uma pesagem. 

Foi você que pediu uma pizza?

Mais uma grande vitória da democracia



Primeiro ( ainda na última década do século XX) era a globalização que ia devolver a liberdade e a democracia a todos os povos do mundo e diminuir as desigualdades. Anos depois as desigualdades tinham  aumentado e  a democracia continuava enferma na maioria  dos países.


Foi então que os arautos da liberdade e da democracia se viraram para a primavera árabe.As ditaduras egípcia, tunisina, líbia, and so on tinham sido finalmente derrubadas, "graças à  vontade popular" e em seu lugar iriam nascer, frondosas, democracias libertadoras. Bastaram alguns meses para se perceber que apenas tinham mudado as moscas.


Os  regimes amigos do mercado, adoradores do deus dinheiro e tendo a ganância  como único "valor", foram inventando, aqui e ali, povos heróicos que saíam à rua para derrubar ditadores e construir viçosas democracias.
Disfarçado de democrata, o polvo dos mercados foi estendendo os tentáculos e cumprindo o seu objectivo: substituir ditadores que lhe são adversos, por ditadores dóceis que aceitem as regras do jogo da corrupção, sem pestanejar.
A mais recente "vitória" do povo ocorreu na Ucrânia. Apeado o ditador corrupto, a democracia instalou-se miraculosamente na praça Maidan, com um primeiro ministro a ser eleito por voto de braço no ar. Ao que parece, com o mesmo sucesso das democracias nascidas na Praça Tahrir e noutras praças espalhadas pelo mundo.

Na Ucrânia as coisas não estão a correr pelo melhor. Na semana passada, o primeiro ministro ucraniano foi obrigado a demitir-se na sequência do alegado envolvimento no Panama Papers. Mas já havia sinais de que a solidariedade europeia que derrubara o poder instalado na Ucrânia ( apelidado de corrupto e ditatorial, por ser pró russo) estava muito fragilizada. Dias antes, os holandeses tinham chumbado em referendo, um acordo comercial entre a Holanda e a Ucrânia. Na hora da verdade, os interesses de cada um vêm ao de cima e a solidariedade vai ruindo como um baralho de cartas.


Como era óbvio e eu já escrevia em 1991 na Tribuna de Macau, a globalização só tinha um objectivo: implantar o pensamento único. Esteve quase a cumprir os objectivos e nada nos garante que não os venha a cumprir.