sexta-feira, 15 de abril de 2016

A não perder!






Hoje, às 21 horas na RTP e às 23 na RTP 3, o tema é Caridade Enganosa.
Já escrevi muito sobre este tema.Desde os falsos pobres ao enriquecimento de empresas( nomeadamente supermercados) à custa da solidariedade das pessoas.
Mais uma razão para eu  ver o Sexta às 9, um dos melhores programas de informação da nossa televisão. E, quiçá,  também veja o Sexta às 11.

Assim se fala em bom português:o BE tem um problema com as preposições!

O Bloco de Esquerda quer mudar o nome do cartão de cidadão, porque "não respeita a igualdade de género".
Embora num país cheio de problemas esta exigência me pareça demasiado folclórica para ser levada a sério, não vejo razão para se crucificar os bloquistas. Eu só tinha era medo que eles quisessem recuperar o nome inicial do Cartão dE Cidadão( é assim desde 2008, creio eu), porque isso poderia criar situações delicadas.
Foi por isso, com alívio, que li na imprensa de hoje que  a proposta do BE é que o Cartão dE Cidadão se passe a chamar Cartão da Cidadania.
Gostaria no entanto de lembrar aos bloquistas, que Cartão da Cidadania não resolve o problema da igualdade de género, apenas muda o sexo predominante.
Proponho por isso, aos bloquistas, que utilizem a preposição adequada e sugiram que a sigla CC passe a significar Cartão de Cidadania.
Às vezes, uma preposição faz toda a diferença.
Já agora, convidava-os a uma reflexão sobre o significado de cidadania. Não é por nada, é só para terem a certeza se o conceito de  "cidadania" se enquadra na função do CC.

Premonições (2)




"O grande problema da Europa é os europeus terem perdido referências e, sobretudo, memória.  Dentro de 20 anos a maioria da população europeia dividir-se-á em dois grandes grupos: os idosos, afectados por Alzheimer e outras doenças mentais, que já não se recordarão das guerras mundiais nem das atrocidades nazis e os mais jovens que nunca souberam o que é viver  em guerra, ou sem democracia, que desvalorizam o fascismo e menosprezam a política porque os mais velhos se esqueceram de os alertar para essas questões.
Pelo contrário. Para evitar traumas aos filhos e netos, procuraram adocicar a realidade do seu passado e enaltecer as virtudes da sociedade de consumo onde tudo está ao seu alcance, desde que trabalhem para ganhar dinheiro.
Será esta postura de submissão ao consumismo desenfreado, que fomenta o desperdício,  que irá ditar o fim da Europa dentro de algumas décadas. Os líderes gerados por esta sociedade de consumo serão fracos, sem memória, formatados nas juventudes partidárias e agirão como autómatos submetendo-se às ordens dos mercados que ditarão as regras da política europeia. 
O desmembramento da URSS, tão aclamado por partidos de direita e socialistas, será então encarado de outra forma e perceberemos, à custa de sangue, suor e lágrimas, que o bloco de Leste garantia a estabilidade  e a paz na Europa.  Bens  que se perderão, porque a CEE  será vítima dos seus próprios erros de avaliação. A sociedade do Bem Estar não estará garantida eternamente, se os povos não tiverem referências e, sobretudo, ignorarem as lições da História. 
Gostaria de estar enganado mas, se daqui a 20 ou 30 anos ainda por cá andar e continuar a escrever em jornais, estarei certamente a confirmar a morte de uma Europa que se deixou enlear pelos cantos da sociedade de consumo e irá acabar refém de poderes ditatoriais, que utilizaram a arma do crédito  barato ao consumo para seduzir os cidadãos. A vida dos europeus será controlada como nunca, a prometida sociedade do lazer e da abundância criará desemprego e uma enorme franja de população faminta terá de ser controlada para que a ordem seja mantida. 
Pior ainda, será constatar que se confirmará aquilo que alguns cientistas prenunciaram há meses na Cimeira do Rio: a Europa será invadida por hordas de migrantes famintos, provenientes do Norte de África, fugindo à fome e à guerra, porque a globalização é uma mentira. Não elimina as causas da pobreza e apenas beneficiará os países mais desenvolvidos, as empresas melhor apetrechadas para investirem em países com mão de obra barata e os investidores sem rosto. Eles são os grandes defensores da globalização, porque ficarão ainda mais ricos.(...)"

( Excerto de um artigo que escrevi na Tribuna de Macau em Setembro de 1992)