sexta-feira, 1 de abril de 2016

Premonições (1) : Do Dia das Mentiraas

No dia 1 de Abril de 2011 escrevi este post, mas não era mentira o que eu previa...

" (,,,) Depois de dois meses de campanha eleitoral, o país estará na mesma situação em que se encontra agora, ou talvez pior… Depois de regressarem de um período de férias que a conjugação de vários feriados irá permitir, os portugueses vão começar a conhecer as novas caras que os irão governar. Perceberão que a prometida redução de ministérios será insignificante, porque uma aliança entre PSD e CDS obrigará a uma distribuição alargada de lugares.

Nos primeiros dias de Julho, depois de o novo governo tomar posse, ter comprado novos carros e novas mobílias para os gabinetes e encomendado a empresas com cartão laranja a renovação da imagem dos sites dos ministérios e direcções gerais, os portugueses começarão a arrepender-se do seu voto. Despedimentos na função pública, cortes ( ou eliminação) do subsídio de Natal, redução de salários e despedimentos na função pública, aumento do IVA, dos decontos para a ADSE, SS e CGA, anúncio de privatizações, pedido de ajuda externa , redução das reformas, alargamento da idade da reforma, acesso aos serviços de saúde mais dificultados, são algumas das medidas inevitavelmente anunciadas em Julho e Agosto.

Em Setembro, regressados de férias, muitos dos professores que exultaram com o chumbo da avaliação, vão perceber que têm os seus lugares em risco, enquanto o sindicato dos professores continuará a fazer tudo para impedir a avaliação e manter o poder que tem dentro das escolas. O governo arrepender-se-á do chumbo do sistema de avaliação e, quanto ao resto, dirá que tudo isto estava no programa do PSD – que ninguém vai ler e a comunicação social esconderá. Em Setembro, os portugueses despertarão finalmente para um longo Inverno que os mergulhará numa depressão que nenhum Xanax , Prozac ou similar ajudará a debelar. Os muitos que se vão abster lamentarão a imprevidência da sua (não) escolha, deixando nas mãos dos fiéis eleitores da direita - que mesmo ligados ao ventilador e em estado pré- comatoso, não deixarão de votar- a decisão sobre o futuro do país. Lembrar-se-ão, alguns, que foi graças à abstenção que Cavaco foi reeleito em Janeiro".

Angola é nossa?

Ninguém duvida que o governo de  Angola tem um conceito muito peculiar de democracia.
Qualquer democrata sente que as  penas de prisão aplicadas aos jovens angolanos, acusados de tentativa de derrube do regime, porque estavam a ler um livro "subversivo", são manifestamente exageradas e  visam "servir de exemplo".
Sendo Angola um país  lusófono, ao qual temos ligações ainda muito próximas, é natural que critiquemos estas condenações com uma carga emocional mais forte do que quando se trata de outros países africanos ou latino americanos.
Convém, no entanto, ter muito cuidado quando se fazem críticas à ditadura angolana, principalmente se essas críticas são oficiais.
Eu lembro-me que a exaltação saiu à rua, para celebrar a Primavera Árabe e o derrube das ditaduras e, hoje em dia, constatamos que os governos que se seguiram são ainda mais ditatoriais e sanguinários do que os que a Europa ajudou a derrubar, por iniciativa dos senhores Sarkozy e Cameron.
Mas nem é por aí que eu quero ir. Prefiro lembrar que  a Guiné Equatorial, governada por um facínora, onde a pena de morte ainda não foi abolida, foi admitida na CPLP por aclamação, sem que Passos Coelho ou Cavaco tivessem esboçado um gesto de rejeição. Onde andam os  protestos contra o regime ditatorial do senhor Obiang?
Por tudo isto, compreendo a posição do PCP sobre Angola. De mais difícil compreensão, é a justificação hipócrita do PSD  e do CDS para votarem contra a condenação do regime angolano.  Afirmou o líder parlamentar do PSD que seria uma ingerência na vida interna de Angola, que é um estado soberano, condenar as penas de prisão aplicadas aos jovens activistas.
Recordo que Passos Coelho e  Portas em particular, e  o PSD e o CDS na generalidade, não se coibiram de afirmar que era deplorável Sócrates negociar  com ditaduras como a venezuelana e, logo que se apanharam no governo, foram a correr para Caracas selar os acordos que tinham sido conseguidos pelo governo de Sócrates, não fosse Chavez desistir dos negócios.
Mais recentemente, o governo PSD/CDS também não se coibiu de condenar o regime ucraniano, por ser totalitário, para logo de seguida aplaudir o golpe fascista que derrubou Ianukovitch e colocou no poder um fantoche eleito numa praça por braço no ar.
Neste caso, a condenação da Rússia e a aprovação do embargo, não são ingerência. Pois não, tratou-se apenas de subserviência.