quinta-feira, 31 de março de 2016

Obrigado, Alexander Prokhorenko!


A boa notícia da época pascal foi, sem dúvida, a reconquista de Palmira ao Daesh, cujo sucesso foi atribuído pela comunicação social ao exército sírio, apoiado pela Rússia.
A notícia foi recebida por cá com contido júbilo de alguns  e  indiferença quase absoluta da maioria. Confesso que, apesar de me encontrar entre os primeiros, não me empenhei em saber notícias sobre a forma como decorreu a reconquista. Hoje, leio na Visão que a reconquista de Palmira ficou, em boa parte,  a dever-se  a   um jovem oficial russo das forças especiais, que morreu como um herói.
Alexander Prokhorenko estava no terreno a enviar coordenadas da localização dos jihadistas, quando foi detectado e cercado. Percebendo que iria ser morto ou, na melhor das hipóteses, preso e torturado, mandou os seus camaradas de armas da força aérea atacarem a sua posição.
Não terei oportunidade de voltar a Palmira, mas nem por isso deixo de agradecer ao jovem Alexander, de apenas 25 anos, o seu gesto que libertou Palmira e a devolveu ao Património da Humanidade.
Bem merece ser elevado à categoria de herói. Não só nacional, mas mundial. Como o património de Palmira.
Não sei é se  apreciará muito a  alcunha de rambo soviético,  que lhe foi atribuída pela agência noticiosa Sputnik.

Omo lava mais branco, ou o 1º de Abril antecipado

A RTP decidiu antecipar o 1º de Abril ( Dia das Mentiras) e convidou Maria Luís Albuquerque para justificar a decisão de aceitar o convite da Arrow.
Entre muitas justificações, a ex-ministra das finanças afirmou que desconhecia a existência da empresa, antes de ser convidada. (Não sei se estão a perceber...)
O resto foi um chorrilho de frases feitas, com enfoque na legalidade da decisão ao aceitar o cargo.
Quanto a ÉTICA e incompatibilidades nem a ponta de um corno. Quando perguntada sobre o assunto, sistematicamente chutou para canto. Chegou ao cúmulo de dizer que quanto mais informações recolher como deputada, melhor apetrechada estará para dar os seus pareceres e tomar as decisões...
Ficou confirmado que a mulher não tem ética, nem vergonha, mas isso não é novidade nenhuma.
O problema é que não é a única...

BANIF: um case study?


Deixa lá ver se percebi bem o que foi afirmado na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BANIF….
O banco Santander queria comprar o BANIF ao melhor preço possível.
Alguém com responsabilidades  no Santander comunica a um jornalista amigalhaço que o BANIF está falido e vai ser alvo de uma resolução. Um jornalista, director do Diário Económico, vai nessa noite à TVI ( por acaso dirigida por um outro jornalista especializado em questões económicas ex-director do Jornal de Negócios).
A notícia começa a correr em rodapé na TVI 24.Confrontado com ela, pelo próprio jornalista, o então presidente do BANIF, Jorge Tomé, nega peremptoriamente, garante tratar-se de uma notícia sem fundamento, caluniosa e muito grave, mas  o ex-director do Diário Económico opta por confiar na sua fonte e a notícia é dada com grande destaque no jornal da meia noite.
No dia seguinte há uma corrida aos depósitos.  Uma semana depois o BANIF é vendido ao desbarato.
Haverá uma relação causal entre a notícia e a venda do BANIF? O caso BANIF será um exemplo da promiscuidade existente entre jornalismo económico, negócios e política?
Não tenho resposta para estas perguntas mas, como não há ainda ninguém no banco dos réus,  tudo isto se deve reduzir a meras coincidências com a liberdade de informar.
No entanto, como há liberdades que me provocam alguma urticária, pergunto:
 Até quando teremos de pagar bancos falidos? 
Será que algum dia veremos algum dos responsáveis pela  falência dos bancos,  condenado?
 Quanto tempo mais temos de levar com  jornalistas que nos vendem notícias falsas como se fossem verdadeiras? 
E, finalmente, será que algum dia ficaremos a saber quais as ligações entre os jornalistas "de economia" e os interesses económicos, e os motivos que os levam a veicular notícias falsas?