quarta-feira, 30 de março de 2016

Ora aqui está uma excelente ideia!

À minha conta, já ia mandando umas três ou quatro para o hospital, ou ainda para mais longe.  Esta gente não se enxerga, tem um enorme desprezo pela vida, ou anda de tal forma alheada do mundo à sua volta, que  já entrou na Twilight Zone?

Não querem pagar impostos? Paguem multas!





Toda a gente protesta contra os impostos. Com razão. A elevada carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho é, todos os meses, um motivo de desmotivação e causa de baixa de produtividade, provocadas pelo desânimo que invade os trabalhadores quando constatam que uma parte substancial do seu salário ficou retido na fonte e se esvaiu em impostos. 
Atrevo-me, por isso, a sugerir ao actual governo que seja inovador e, para diminuir a carga fiscal dos portugueses, faça uma coisa tão simples como obriga-los a cumprir as leis fundamentais do civismo que deviam nortear qualquer sociedade.
Eu sei que um governo que  tome medidas visando o cumprimento das leis, será imediatamente acusado de andar na caça à multa, mas eu prefiro um governo que seja acusado de cumprir a lei, do que outro que  carrega nos impostos e não  motiva os cidadãos a respeitarem-se mutuamente.
Não vou aqui fazer um rol das inúmeras medidas que poderiam ser alvo de uma maior atenção por parte das autoridades policiais que, se cumprissem a sua obrigação de multar os prevaricadores, estariam a promover uma sociedade mais justa e mais civilizada. Permito-me, no entanto, sugerir que as autoridades passem a multar sem  contemplações os automobilistas que estacionam em segunda e terceira filas, em passadeiras, em cima de passeios ou locais em que restringem a visibilidade aos restantes automobilistas,  os que conduzem enquanto falam ao telemóvel, ou ainda os que desrespeitam as mais elementares regras do Código da Estada, seja não fazer pisca quando mudam de direcção, ou fazer uma ultrapassagem em cima de um risco contínuo. 
Eu sei que é mais fácil instalar radares e aplicar multas por excesso de velocidade, a um automobilista que às 5 da manhã circule no Campo Grande a 70kms/hora, mas seria muito mais eficaz, cívico e dissuasor de infracções, aplicar multas por estacionamento irregular e PERIGOSO, ou coimar quem faz descarregamentos, obstruindo faixas de rodagem, a horas não autorizadas.
Para que não digam que estou a perseguir os automobilistas, sugiro também que multem os cidadãos que passeiam os cães sem trelas em jardins e outros espaços públicos onde essa prática é proibida.E, já agora, aqueles animais que deveriam andar com açaime, ou os donos de cães que levam os animais a fazer as suas necessidades à rua, ou nas praias, mas não limpam os dejectos.
Seria também um grande serviço em prol da comunidade punir quem cospe no chão, ou atravessa a rua fora das passadeiras, colocando em perigo a sua vida e a tranquilidade dos condutores.
São meros exemplos de falta de civismo que poderiam e deveriam ser punidos. E não me digam que era preciso um polícia para cada português, para acabar com os maus hábitos que temos. Não. Basta que as autoridades não façam vista grossa às infracções e punam quem não cumpre. Dir-me-ão que uma sociedade assim seria policial e persecutória. Discordo. Como é que países que normalmente muito admiramos pela educação cívica dos seus povos chegaram a esse estado? Precisamente porque fizeram cumprir a lei. E não foi apenas resultado de uma acção educativa na escola. Isso foi importante, mas não teria resultado se as pessoa não fossem dissuadidas  com a aplicação de elevadas coimas.
Por cá, as campanhas nas escolas multiplicam-se, mas depois as crianças olham para o comportamento dos adultos e percebem que o que lhes ensinam na escola não é para praticar quando forem mais velhos. Enquanto a escola os educa num sentido ( correcto), o que eles aprendem na vida real é a impunidade do incumprimento.
E rapidamente aprendem que ser cumpridor, ter espírito cívico e respeitar o próximo são coisas de totós, porque quem vence na vida são os chico-espertos.