sexta-feira, 18 de março de 2016

Francamente, Daniela!

Então você acha que uma casa de passe vai admitir funcionárias que não tenham os atributos físicos exigíveis à função? 
Agora a sério...
Francamente, Daniela, parece-me que já tem idade para não ser ingénua e confundir a Clinique com uma qualquer RH Clinique. Estas empresas abutre funcionam acrescentando uma sigla ao nome de uma marca de prestígio, precisamente com o objectivo  de criar confusão! Algumas dedicam-se a negócios do mesmo ramo da empresa original, outras enveredam por ramos radicalmente diferentes, como suspeito que seja este caso.
Se quer que seja sincero, digo-lhe que o que  me encanita é ver estas usurpações permitidas, quando deviam ser severamente punidas.
Quanto à Clinique agiu como seria de esperar. Com celeridade e clarividência, para evitar confusões.
Agora, ainda mais a sério...
Sabe que há empresas  "muito sérias" que, embora não o explicitem, atribuem especial atenção aos atributos físicos das candidatas, na hora de fazer a selecção? E quer a minha opinião... não vejo grande mal nisso. Desde que fui atendido numa loja de pronto a vestir por uma baleia com calças a escorrer-lhe pelas coxas, deixando a cuequinha à mostra, nunca mais lá entrei e passei a ser acérrimo defensor de que o pessoal de front desk deve, no mínimo, ter boa apresentação e vestir-se de forma correcta.

Você fechou as pernas com firmeza?



Não é só em Portugal e no Brasil que os juízes têm posições um bocadinho... digamos... exdrúxulas.
Também na vizinha Espanha, ( quiçá  por toda a Europa...)  há juízes/as que não percebem exactamente a sua função e depois fazem perguntas destas

Tout passe, tout casse, tout lasse...

Ouvi dizer que corre por aí uma petição para impedir o encerramento do Jamaica.
Confesso que já estou um bocado cansado de petições salva vidas. Como contribuinte salvei imensas salas de cinema que não servem para nada, porque as pessoas não vão ao cinema e não foram encontradas actividades alternativas que tornassem aqueles espaços apelativos e rentáveis.
Doeu-me ver o enceramento do Quarteto, do Londres ou do King, porque naquelas salas vi alguns dos filmes da minha vida;
Doeu-me chegar um dia a Portugal e  ver um Mc Donalds no lugar onde estava a Colombo, e uma Zara no lugar do Monte Carlo, porque ambos os locais faziam parte da minha história de vida;
Dói-me passar pelo Europa e concluir que de nada valeu a Câmara ter aplicado uma parte dos impostos, taxas e derramas dos lisboetas na tentativa de recuperação daquele espaço. Os únicos beneficiários de tão ruinosos investimento foram os agentes imobiliários. 
Nada tenho a opor quando a CML, em articulação com os proprietários de determinados espaços, concede alguns incentivos, para que se mantenham abertos. Creio que terá sido a solução encontrada  para a Mexicana ou a Versaillees. Também me parece que a autarquia tudo deve fazer para preservar espaços que fazem parte do património cultural e arquitectónico da cidade, como é o caso do Martinho da Arcada, por exemplo.
Não me parece é normal que a autarquia se arvore em defensora de uma parte do património da cidade que tem apenas valor sentimental para algumas gerações. Como acontece com os cinemas e cafés  a que aludi.  Ou com a Jamaica e o há muito extinto AdLib.
Somos nós, cidadãos, que escolhemos através do voto o tipo de sociedade em que queremos viver. Ao fazê-lo, devemos conhecer as suas regras. Pelo nosso comportamento diário, escolhemos viver na sociedade do efémero, da novidade, do usa e deita fora do  onde não há lugar a saudosismos. 
"Tout passe, tout casse, tout lasse...",dizem os franceses. Uma expressão perfeita para a sociedade em que vivemos.