quinta-feira, 3 de março de 2016

Contra a corrente

Quando escrevi este post, estava apenas a especular sobre uma hipótese que me parecia plausível. Alguns leitores encararam-no como uma defesa da juíza, mas não foi essa a minha pretensão. Tentei apenas, como faço muitas vezes, pôr-me do lado de fora da cauxa e pensar contra a corrente.
Este fim de semana o "Expresso" publicava a defesa da juíza e os fundamentos do seu pedido de escusa.
Em relação à forma como tratou Bárbara Guimarães, Joana Ferrer esclareceque " optou por um registo mais familiar ( chegou a trata-la por querida) para tentar diminuir o seu nível de ansiedade, p qual foi patente durante a audiência".
Quanto às críticas à demora em apresentar queixa, acertei na mouche. Esclarece a juíza, algo que me parecia óbvio:´
" É imprescindível, é ingente, que as vítimas de tal crime ( de violência doméstica) se queixem assim que comecem a surgir as primeiras agressões , colocando-se em tempo útil sob a protecção da justiça"
E mais adiante a magistrada esclarece que  tem sido confrontada demasiadas vezes com a recusa de alegadas vítimas deporem em tribunal, deixando a justiça de mãos atadas  e impotente.
Não pretendo, com este post, clamar a minha razão. Apenas quero realçar que nem sempre o que parece é e que, muitas vezes, o exercício de pensar contra a corrente pode ser muito útil para evitar juízos precipitados.

Cruzes canhoto!



Cavaco Silva, apostado em esgotar o stock de medalhas e condecorações que ainda tinha em S. Bento, desatou a condecorar tudo quanto é cão e gato. O único critério por que se rege é o da amizade e compadrio político.
Depois de muito rebuscar no seu baú, lá desencantou uma condecoração para atribuir ao amigo Sousa Lara, fundamentando-a com os relevantes serviços prestados ao país por aquela sinistra figura. Que serviços foram esses?
Quase todos se lembrarão que esse ser  abjecto foi subsecretário de estado da cultura e, nessa qualidade, proibiu a ida a um prestigiado  concurso europeu,  do livro " O Evangelho Segundo Jesus Cristo", porque alegadamente ofendia as convicções religiosas dos portugueses.
Nem todos se lembrarão, porém, de um outro relevante serviço prestado ao país por Sousa Lara. Foi este ser dotado de profunda religiosidade que inventou o negócio das "Cruzes do Amor", uns mamarrachos luminosos de sete metros de altura, anunciadoras do fim do mundo, que invadiram o país do Minho ao Algarve.
É certo que quase duas décadas depois o mundo não acabou  e não sabemos se as promessas de redenção para os que se acolhessem à sua protecção seriam eficazes. A única certeza é que as "Cruzes do Amor" atestam o mau gosto e a parolice, mas  também boa propensão para o negócio que os amigos de Cavaco Silva sempre revelaram.