segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Boas e más notícias de Sua Majestade

Quando foram dadas por concluídas as negociações entre o Reino Unido e a União Europeia, duvidei do triunfalismo de Cameron e escrevi que, a confirmar-se a cedência de Bruxelas a todas as suas exigências-  a ideia de Europa Unida tinha sido enterrada, mas que os lideres europeus não sabiam, ou preferiam fingir não saber. Hoje, no DN, Wolfgang Munchau explica-lhes.
Durante o fim de semana- como previra- as coisas começaram a clarificar-se: o acordo não satisfaz os conservadores britânicos e vários ministros de Cameron já disseram que vão fazer campanha pelo Brexit. Mas a maior facada na fanfarronice de Cameron e na resignação europeia foi dada por um dos amigos mais fiéis do pm inglês. Boris Johnson, presidente da câmara de Londres em final de mandato e apontado como ministeriável, após o referendo marcado para Junho, anunciou ontem que também vai fazer campanha pelo Brexit, por considerar que Cameron deveria ter alcançado um acordo melhor com a UE. Figura muito acarinhada pelos britânicos, Boris Johnson torna-se assim uma das mais temíveis ameaças à estratégia de Cameron.
Entretanto, há boas e más notícias  vindas de Londres. A boa é que a série "Yes, Minister!" está e,m reposição todas as noites na RTP Memória, contribuindo para a melhoria da nossa disposição; a má notícia é que muito do que lá podemos ver é, não só verdadeiro, mas também o retrato fiel da posição hipócrita de Londres face à União Europeia.

A explicação é simples...

Telefonou-me uma menina. Era simpática e queria fazer-me uma oferta.
Não, não eram chocolates, nem  férias nas Caraíbas, nem crédito barato. A menina falava em nome da Impresa e a oferta que me queria fazer era uma assinatura do "Expresso" a preço de saldo.
Agradeci, mas disse que não estava interessado.
Mas não gosta de ler o "Expresso"? - perguntou-me num tom que denotava espanto
Não!- respondi sem hesitar
Fez-se silêncio por uns segundos ( a jovem devia estar ainda a digerir as minhas respostas) e finalmente perguntou:
- E posso saber porque não gosta do "Expresso"?
- Pode. O "Expresso" deixa-me deprimido e eu não gosto.
- Deprimido? Os jornais deprimem-no? Mas o senhor é jornalista!
- Pois sou. Talvez por isso é que me deprima mais ver tanta mentira no "Expresso" escrita com ar triunfante. Principalmente na secção de Economia...
- Pronto, está bem, respeito a sua opinião. Não está interessado então, é isso?
- É. Nem que me façam a oferta de antidepressivos para acompanhar a leitura.