segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Bibó Porto (63): O estado da Arte




A Rua Santa Catarina tem sido uma presença frequente nesta rubrica, mas ainda há muita coisa a escrever sobre ela. Depois das visitas ao Hotel do Porto e à Camisaria Confiança, nas duas últimas semanas, mudemos para a Rua Miguel Bombarda, um novo pólo de interesse da cidade.
Os antiquários, as galerias de arte, e os eventos artísticos que têm lugar nesta nova centralidade do Porto, promoveram a Miguel Bombarda a " Porto Art District".
Até 1910 chamava-se Rua do Príncipe, sendo o seu nome actual uma homenagem ao insigne médico republicano.
No entanto, foi há menos de uma década que a rua Miguel Bombarda se tornou um centro de atracção turística. E são muitos e variados os motivos de interesse desta artéria. O primeiro- já referido- está relacionado com as muitas galerias de arte ali existentes.  Com alguma regularidade, no primeiro ou terceiro sábado do mês, as galerias inauguram em simultâneo as novas exposições,  acompanhadas com espectáculos alternativos e animação de rua, atraindo não só apreciadores de arte, mas também artistas, investidores e muitos curiosos.
Nem só de arte se faz a Miguel Bombarda. Ao longo dos seus 650 metros, os visitantes podem encontrar estabelecimentos de comércio com novas tendências, lojas de mobiliário, design, moda, livrarias e propostas de estilos de vida alternativos.

Para os gastrónomos também não faltam propostas interessantes e inovadoras.
Especialmente recomendada, nestes dias invernosos, é uma visita à "Rota do Chá", estabelecimento que faz perder a cabeça aos apreciadores de chá. Não só pela variedade, mas também pela decoração que combina o indiano do interior, com o marroquino do jardim. Ao fim de semana, no piso superior, pode desfrutar de jantares temáticos e, nos dias de semana, aprecie o buffet.
Recomenda-se também  a 100 Contos, um espaço onde convivem uma cafetaria, uma galeria de arte e uma guest house e, se quiser fazer um corte de cabelo   criativo, visite a Lab 61, uma barbearia trendy num ambiente de ficção científica.
Depois de explorar os  espaços mais recônditos e surpreendentes  da Miguel Bombarda, não deixe de dar uma espreitadela atenta às ruas da vizinhança, como a Rua do Breiner e a Rua do Rosário. Também aí vai encontrar algumas surpresas.
Divirta-se!

Foi você que pediu um escravo?



A última crónica de Ricardo Araújo Pereira na Visão começava assim:
Uma empresa chamada Work4U- Gestão de Carreiras colocou esta semana  na Internet um anúncio que dizia:
" Receba sem compromisso um estagiário durante 2 dias. EXPERIMENTE GRÁTIS!"
Sorri com a imaginação de RAP  e continuei a ler a crónica. As situações caricatas que ele descreve ao longo da crónica, em que um estagiário é tratado como um produto qualquer em promoção, levou-me a comentar mais tarde que desta vez RAP tinha ido longe demais.
Eu já sabia que há empresas a fazer entrevistas de emprego em montras, expondo os candidatos à apreciação do público; que há empresas que contratam pessoas como estagiárias durante um ano, sem direito a remuneração; que há empresas que empregam pessoas por um valor mais baixo do que o declarado, para receberem a comparticipação do Estado; que  há empresas  a angariar trabalhadores em leilão; que há ( havia?) espaços públicos onde os trabalhadores são recrutados diariamente por angariadores, depois de uma observação "a olho" da sua capacidade para trabalhos pesados.
Sei até que durante quatro anos tivemos um ministro do trabalho que negociou com as empresas trabalho escravo e um pm que ofereceu gratuitamente a outros países europeus milhares de jovens formados em Portugal.
Presumo mesmo que o anterior governo, ao reduzir a operacionalidade da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) tinha como objectivo dificultar a fiscalização das empresas.
O que eu não imaginava é que havia empresas que tratam os desempregados como produtos descartáveis, retomam os métodos da escravatura e ainda se dão ao luxo de publicitar a sua acção.
Na sequência de uma denúncia, a ACT está a investigar a empresa Work4U. Espero que a encerre rapidamente e entregue os responsáveis à justiça. Temo é que a justiça considere estes procedimentos normais