sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Faltei? Mas eu só tinha ido à casinha...

Paulo Portas e Passos Coelho estavam ausentes do hemiciclo quando os deputados votaram a devolução ao homem do Poço dos diplomas sobre IVG e  a adopção por casais gay.
Claro que na próxima campanha eleitoral Passos Coelho vai justificar a sua ausência, com a necessidade de dar uma mijinha.
Já Paulo Portas estará dispensado de justificações, pois despediu-se do partido e, nas próximas eleições, estará a criar algumas empresas. De cozinhados, com a mamã,  e de outras áreas com os Angels.

Lições de Berlim


Há dias, Varoufakis reuniu em Berlim um grupo de pessoas ligadas à esquerda europeia. O objectivo (diz-se por aí) foi lançar um movimento de reflexão  (DiEM 25) para repensar a Europa, sem desprezar a possibilidade de vir a formar um partido pan-europeu.
Diz Varoufakis que é preciso mudar a Europa por dentro e que abandonar o espaço europeu é assumir a derrota e entregar o destino dos europeus nas mãos do bandido (a direita em exercício, presumo)…
A minha primeira reacção à proposta de Varoufakis é  dizer que peca por tardia mas, como admito que só depois de ter sido ministro tenha percebido o problema europeu, não deixo de enaltecer a  iniciativa.
Para  mim, sempre foi óbvio que a Europa só pode ser mudada por dentro, sendo necessário criar condições para  uma discussão sobre o futuro da Europa no seio das instituições. Ora isso só é possível, se a esquerda não desertar e for à luta.
Nunca foi essa a visão da esquerda em Portugal. E por causa desse erro tivemos o chumbo de um PEC IV que nos conduziu ao resgate. Tivessem os nossos Varoufakis da época ( estou a falar consigo, Dr. Louçã!)  tido um mínimo de rasgo e Portugal nunca teria necessitado de um resgate, nem estaria agora numa situação aflitiva, que muito provavelmente  terminará numa reestruturação da nossa dívida.  Para que essa reestruturação não seja penalizadora, será fundamental uma alteração de forças na EU.
Varoufakis percebeu agora isso, mas já outras esquerdas europeias o tinham percebido há muito. Como António Costa, por exemplo, que foi o primeiro a olhar para a Europa com os olhos com que a esquerda a viu agora em Berlim. Do mal o menos... mais vale tarde do que nunca.