quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A Europa dos direitos humanos

A ONU considerou ilegal a prisão de Julien Assange.
David Cameron respondeu que se está nas tintas para a ONU e se Assange abandonar a embaixada do Equador em Londres, será imediatamente preso e deportado para a Suécia.
O governo sueco fez saber que estará pronto para o receber e julgar.
Esta é a Europa dos Direitos Humanos. Com uma Guantánamo, fica um brinquinho!
Se Guterres vier a ser secretário-geral da ONU vai ter de engolir muito sapo!

Post politicamente incorrecto que... *

Já aqui manifestei a minha repulsa pela atitude de Renzi quando recebeu o presidente iraniano; já me insurgi contra o roubo que Dinamarca e Holanda estão a fazer aos refugiados; já condenei as pulseiras que os refugiados são obrigados a usar no País de Gales; já critiquei a posição cobarde da UE que  comprou  a Turquia, para que sirva de polícia da Europa, impedindo a entrada dos refugiados através das suas fronteiras; já  me enfureci com as críticas feitas à Grécia por não controlar a entrada dos refugiados; já vilipendiei a xenofobia que alastra na Europa.
É tempo, agora, de tentar chamar à razão aqueles que tentam fazer-nos crer que os refugiados, apenas por o serem, devem merecer sempre toda a complacência.
Os ataques sexuais como os ocorridos em Colónia na noite de final de ano nada têm a ver com os refugiados e são utilizadas pela comunicação social para promover a xenofobia?
Não duvido que alguma comunicação social aproveita estes factos para promover a xenofobia. A verdade, porém, é que eles existem e não são fruto da invenção de umas quantas jovens xenófobas.
Os imigrantes e refugiados não são seres puros e impolutos, incapazes de cometer crimes. Tentar justificar as suas acções criminosas com as circunstâncias em que vivem é (quase) tão insensato como tapar as estátuas para não ofender o presidente do Irão.
Deixemo-nos de tretas politicamente correctas: esta não foi a primeira vez que uma voluntária, que dedicou parte do seu tempo para ajudar refugiados, acabou assassinada por um deles.
Eu sei que não podemos tomar a nuvem por Juno, mas também sei que desculpabilizar sistematicamente os refugiados e imigrantes pelos seus crimes e tratá-los como vítimas,  contribui para que se crie uma sensação de impunidade e haja mais crimes e  retaliações como esta. Sou europeu e gostaria de me orgulhar, até morrer, da Europa de valores  onde cresci.
Vale  então a pena lembrar que enquanto os muçulmanos continuarem a dizer que obedecem apenas à Lei do Corão e não às leis feitas pelos homens, talvez seja avisado ser mais comedido nas desculpabilizações baseadas nas condições precárias em que vêm para a Europa.
E, já agora, para fugir das posições extremadas que por aí andam,  vale a pena ler o que uma portuguesa a viver há muitos anos na Alemanha e  que tem um dos blogs mais equilibrados da blogosfera, escreve  sobre o assunto.

*alguns até vão considerar xenófobo

Mistérios colombianos

Radamel Falcão e Jackson Martinez são dois colombianos bem conhecidos dos portugueses. Pelo menos, daqueles que se interessam por futebol. Ambos vieram para Portugal jogar no FC do Porto, por valores relativamente baixos, ambos foram reis dos artilheiros em épocas consecutivas e ambos saíram do FC do Porto, para o Atlético de Madrid, por verbas a rondar os 40 milhões de euros.
Aqui chegados, acabaram-se as semelhanças entre os dois. Quando saiu do FC do Porto, Falcão teve palavras pouco simpáticas para os portistas, foi mesmo arrogante quando disse que "agora sim estou num grande clube europeu". Depois de época e meia de sucesso nos madrilenos, mas distante do que fizera de Dragão ao peito, Falcão transferiu-se para o Mónaco no início da época 2013/14. Chegou a prometer muito, mas uma lesão afastou-o dos relvados durante meses ( impedindo-o mesmo de estar presente no Mundial do Brasil) e acabou por ser cedido ao Manchester United onde quase não jogou.
Mourinho prometeu reabilitá-lo e acolheu-o no Chelsea, mas Falcão não correspondeu e começou a reagir com arrogância ao facto de ficar no banco. 
Em Janeiro deste ano o Mónaco recusou recebê-lo de volta, tendo Atlético de Madrid e Valência rejeitado igualmente a presença de Falcão nos seus balneários. Num ápice, Falcão passou de estrela cobiçada pelos gigantes europeus, a rejeitado por clubes medianos. O homem que disse que abandonava o FC do Porto para ter sucesso na Europa está agora a equacionar a hipótese de ir jogar para a China.
Jackson Martinez transferiu-se no final da época passada para o Atlético de Madrid por 35 milhões de euros. O colombiano mostrou-se sempre muito grato ao FC do Porto, por lhe ter dado a oportunidade de singrar na Europa mas, a verdade, é que não se adaptou aos madrilenos e foi vendido para a China por 42 milhões.
Talvez, na China, ambos voltem a encontrar o sucesso que lhes fugiu desde o dia em que abandonaram o Dragão. E, quiçá, venham a ter a companhia de outro maravilhoso jogador colombiano que encantou a Europa e o mundo enquanto jogava no FC do Porto, prolongou o sucesso no Mónaco e posteriormente no Real Madrid. Mas a chegada de Benitez e uma arreliadora lesão, lançaram o prodígio colombiano que os portistas deram a conhecer ao mundo ( e movimentou muitos milhões) para o banco dos suplentes.