sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Que porra de país é este?

Durante quatro anos tivemos um governo subserviente a obedecer como um cão de fila às ordens de Bruxelas, do  Schaueble  e dos mercados. Ninguém protestava, apesar de haver cada vez mais gente na pobreza, no desemprego ou obrigada a emigrar. A comunicação social apoiava a posição do governo e os "especialistas" em economia apelavam aos portugueses para terem calma e aceitarem com resignação a austeridade(Amen)
Agora que temos um governo que optou pela via do diálogo com Bruxelas para minimizar o sofrimento do povo e restituir alguma dignidade a um país que- lembro- quer voltar a ser soberano , não há cão nem gato que não se insurja, manifeste a sua satisfação, ou faça graçolas, porque Costa vai ser obrigado a ceder.  E a comunicação social, comandada por alguns títulos auto denominados "de referência" é quem rege a orquestra.  Vão-se lixar, com F maiúsculo...!

E se parassem para pensar?

Mário Centeno tem sido muito criticado, por ter apresentado um orçamento demasiado optimista. A vaquinha do presépio- putativa futura líder popular - chamou-lhe irrealista e, seguindo o exemplo de quase toda a comunicação social ( às vezes, artigos como este, fogem à corrente e fazem -me acreditar que o fim do jornalismo é uma notícia manifestamente exagerada) tentou lançar o pânico entre os portugueses. Que Bruxelas ia chumbar o OE; que Mário Centeno teria que rever tudo e António Costa seria humilhado; que a esquerda não  aceitará  as imposições de Bruxelas e o governo  cairá, obrigando a realizar novas eleições as quais, na opinião de jornalistas, analistas, comentadores e outros estupores, terão como consequência o regresso da direita ao governo.
Eu acredito que alguns ( incluindo a vaquinha do presépio e o Gay Mago) estejam mesmo convencidos que Bruxelas irá chumbar o OE e que o primeiro acto de Marcelo, quando chegar a Belém, será dissolver a AR e convocar eleições antecipadas. A esses limito-me a dizer para terem juízo e lerem isto.
Aos outros, que gostam de pensar, lembro que António Costa estará consciente que o OE apresentado pelo seu governo  terá alguma margem de manobra para negociar com Bruxelas. Por isso, terá recomendado a Centeno que elaborasse um OE que permitisse ceder num ou outro ponto, de modo a satisfazer a corja de agiotas europeus. Uma coisa, estou certo, António Costa nunca fará: recuar nas suas promessas eleitorais.
Chegados a este ponto, permito-me fazer uma recomendação àqueles que pensam, mas normalmente só com um lado do cérebro e só vêem para um lado. Refiro-me aos sindicalistas, nomeadamente da CGTP. Se querem deitar tudo a perder, continuem a fazer greves estúpidas como a de hoje na FP a exigir uma medida que a AR já aprovou, ou a fazer exigências irrealistas que não poderão ser cumpridas por  este, nem por nenhum governo.
Se parassem um bocadinho para pensar, logo concluiriam que mais vale um governo que negoceia e vai conseguindo algumas conquistas, do que o anterior, cuja especialidade era arrear as calças diante do Schaueble e dos mercados.
A alternativa a este governo é o regresso da direita, com todas as consequências que conhecemos. Recomendo por isso aos sindicalistas  ( neste caso em especial a  Ana Avoila, figura que faz roer de inveja realizadores de filmes de terror) que, em nome dos trabalhadores que dizem defender, parem para pensar ( um bocadinho só, vá lá...) nas consequências desastrosas para os trabalhadores de decisões tomadas apenas com o coração e sem ouvir a voz da razão.
Eu sei que  esta greve serviu para marcar posição e anunciar ao país que o PCP ainda está vivo mas hoje à noite, quando regressarem a casa nos vossos Mercedes e BMW,  pensem um bocadinho na minha recomendação. O país agradece. É que voltar ao tempo em que tínhamos um governo que chegava a Bruxelas, descia as calças e deixava-se açoitar até que Schaueble ficasse satisfeito, com as medidas punitivas aplicadas a quem vive do seu trabalho, não deve ser muito do agrado dos portugueses. Pelo menos dos que trabalham e vocês querem defender.