terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Serviço público é isto...

Depois de duas horas de debate entre presidenciáveis,  a RTP exibe a série "Terapia".
Se isto não é serviço público, onde está o serviço público?

Um murro no estômago


Hoje, ao acordar, apanhei um murro no estômago. A notícia da morte de Almeida Santos apanhou-me de surpresa. Conheci-o em 76, tive o privilégio de trabalhar com ele durante dois anos e essa experiência ficou sempre gravada na minha vida como algo de sublime. Almeida Santos não foi apenas um lutador anti fascista que lutou pela liberdade, um tribuno de excelência., ou um político dos afectos. Era uma pessoa de uma grande generosidade, de um trato invulgar com os seus colaboradores, excepcional em termos humanos, que lutava por causas e era de uma sabedoria ímpar. Marcou a minha vida mas, acima de tudo, deixou uma forte marca neste país.
Ninguém recolhe a unanimidade de opiniões positivas e muitos lhe farão críticas, mas acusá-lo de ter "vendido" Moçambique aos comunistas ( como já ouvi ...) é de uma idiotice sem nome.
Não por acaso, muitos daqueles que o acusam de ter vendido Moçambique ( gente que abandonou Moçambique depois da independência) assistiram impávidos à tomada do poder por um grupo de bandidos que vendeu o país ao desbarato e, por vezes, com indícios de falcatrua, como no caso da TAP. Mas, para esses, não houve uma recriminação. Apenas um encolher de ombros.

Estudo revela que metade dos portugueses é lelé da cuca*

Um estudo realizado no âmbito do projecto Farol revela que 46% dos portugueses considera a situação económica e social do país  pior do que há 40 anos, ou seja, no período de extertor do Estado Novo.
Há por aí muita gente indignada com estes resultados  e até eu talvez esteja um bocadinho, pois a minha primeira reacção foi desejar metê-los numa máquina do tempo e obrigá-los a viver nesse tempo, para ver se mantinham a mesma opinião.
Muitos dos mais velhos talvez  não se importassem com a Censura, nem com a PIDE, nem com a guerra colonial, nem com a pobreza, mas gostava de saber como é que velhos e novos iam resistir a viver sem telemóvel,  sem  máquina de lavar roupa e louça, sem frigorífico nem uma parafernália de merdas inúteis que só servem para dar status,  sem viagens às Caraíbas, sem  pelo menos dois carros por agregado familiar e  sem fazer zapping sentados no sofá, porque naquele tempo só havia dois canais de televisão públicos e a televisão era a preto e branco.
Quanto às mulheres - a maioria da população portuguesa - deveriam adorar regressar ao tempo em que não podiam sair do país sem autorização do marido, aceitar que o marido lhes violasse a correspondência, ter o acesso ao mercado de trabalho limitado, ou ver os filhos partirem para a guerra em África sem saber se os voltariam a ver.
Recomendo por isso aos quase 5 milhões de portugueses que acreditam que antes do 25 de Abril é que era bom, que se metam na máquina do tempo e vão recordar ( ou experimentar pela primeira vez) como era a vida no tempo do Botas e do pai do Marcelo que quer ir viver para o palácio de Belém e era afilhado do outro Marcelo do Ca(e)tano que também dormia pouco e adorava "Conversas em Família", porque naquele tempo não havia comentadores.
Bora lá experimentar?

*AVISO: Este estudo é de 2011  e a ele fiz referência nessa altura, mas pareceu-me oportuno relembra-lo, em vésperas de eleições presidenciais. Et pour cause...

Pior a emenda...

Acabo de ouvir na RTP que  José Peseiro será o novo treinador do FC do Porto e terá assinado um contrato até Junho de 2017.
Mais valia ficar com Rui Barros até final desta época e esperar que Marco Silva se desvincule do Olimpiakos. Assim, vai ser um novo barrete.