quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Um homem digno



A entrevista de António Guterres à RTP confirmou tudo aquilo que escrevi aqui  e ainda mais uma coisa: foi o melhor primeiro ministro dos últimos 30 anos  e mantém a coerência e dignidade de sempre. 
Ainda bem que não é candidato a PR, pois há lugares internacionais onde pode ser muito mais útil ao país. 

Chamar os bois pelos nomes


Faz hoje um ano que o Charlie Hebdo foi atacado, provocando a onda de indignação e solidariedade de que todos se recordam.
 Depois da chacina as vendas e assinaturas aumentaram, mas a última capa ( que assinala precisamente a data) não honra nem os jornalistas mortos, nem os que ficaram.
Como escrevia há dias Ferreira Fernandes, no DN, " Até o Charlie já não dá o nome aos bois". E na verdade, assim é. Utilizar a imagem de Deus  com a legenda " Um ano depois o assassino continua à solta" é uma demonstração de fraqueza. 
Os jornalistas mortos no dia 7 de Janeiro de 2015 mereciam mais e Deus também não merecia tal desfeita. 
O Vaticano fez fortes críticas à capa do Charlie Hebdo, considerando-a um ataque a todas as religiões. Considero pertinente a reacção, mas discordo dos seus termos. Na verdade, as religiões têm sido a maior causa de guerras entre os homens, embora  isso nada tenha a ver com Deus.
Hoje, em Paris, um totó qualquer sem o medo dos europeus e com a irreverência que lhes tem faltado, entrou numa esquadra com um cinto de explosivos, disposto a assinalar a data com mais um atentado. Não teve tempo, nem juízo, porque os explosivos eram falsos  e a faca não permitiria grandes estragos por isso, foi morto pela polícia. Mas conseguiu atingir o propósito: lembrar que há uma ano uns fanáticos decapitaram um jornal e lançaram o medo na Europa.
Por mim, nesta data, apenas quero recordar que há um ano não entrei na onda do " Je suis Charlie". E não estou nada arrependido, acrescente-se.

Muita parra e pouca uva

Confesso que ainda não assisti a nenhum debate. Tenho-me comportado mais ou menos como o "pica no chão" e apenas tenho visto em modo zapping, durante escassos minutos, ou  os excertos que os telejornais vão passando.
De qualquer modo, deu para perceber que se a exemplo do que acontece noutros países, os debates televisivos servissem para perder ou conquistar votos, Marcelo Rebelo de Sousa estaria em maus lençóis, pois tem sido fácil aos outros candidatos desmascará-lo, mostrando os seus podres, as suas falsidades, as suas ligações quer ao regime do Estado Novo e a cumplicidade com os governos de direita depois do 25 de Abril.
Felizmente os portugueses não precisam dos debates para nada, porque já estão esclarecidos e sabem muito bem em quem vão votar. (Desta vez, incluo-me no mesmo rol de privilegiados esclarecidos e, por exclusão de partes, reduzi o leque das opções a dois candidatos).
Tenho de reconhecer que sinto alguma vergonha, mas quem tem pachorra para ver 25 debates, mesmo que curtos, monocórdicos e pouco esclarecedores?
No entanto, é preciso dizê-lo, tanta fartura de debates não tem correspondido a melhor informação, nem igualdade de tratamento, pois enquanto a RTP tem transmitido os debates em canal aberto, a SIC e a TVI optaram pelo cabo.  Não admira, pois, que os debates mais vistos até agora tenham sido os da RTP. Mesmo assim, na maioria dos debates a audiência fica muito aquém das homilias dominicais de Marcelo Rebelo de Sousa, que sempre apoiou a realização do maior numero de debates possível, porque o excesso desmotiva muita gente, o que só beneficia o professor, cujas contradições e mentiras passam assim despercebidas.