quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Entretanto, na praça Tahrir...

... milhares de pessoas aproveitaram a noite de Fim de Ano para celebrar a Primavera Árabe e jornalistas, bloggers e outros (idiotas) escrevem textos comoventes  sobre o futuro idílico dos países árabes, onde a breve prazo irá florescer a democracia em cada esquina.
Ah, esperem aí... isto afinal não foi na Praça Tahrir, nem na democrática Líbia, nem na florescente Síria, Foi bem no coração da Europa...
Obviamente que a culpa deste comportamento foi das mulheres, que são umas oferecidas e andam a provocar os homens. Não é verdade tia Henriqueta?

Dois pesos, duas medidas...

Sempre manifestei a minha discordância com o alargamento da UE em 2004 que só terminaria três anos mais tarde, com a entrada da  Roménia e da Bulgária.
A admissão  de 14 países ( 12 dos quais integraram a URSS)  teve como único objectivo cortar cerce qualquer tentativa de recomposição do bloco soviético. Foi um alargamento precipitado que, na altura, muitos analistas prenunciaram como o princípio do fim da UE.
É certo que a crise financeira de 2007 veio agravar os problemas da UE mas, mesmo que não tivesse ocorrido, as clivagens no seio da UE seriam inevitáveis. A forma diferenciada como Bruxelas e Berlim tratam os países da órbita soviética e os países do sul, não se explica apenas com a indisciplina e falta de rigor dos malandros do sul. Em boa verdade, o que se passa é que Bruxelas olha para os países do Leste como uns pobres filhos enjeitados, que Berlim adoptou para  livrar dos maus tratos da mãe Rússia. Por isso os tem cumulado com  miminhos maternais.
Já os países do sul são vistos  como os filhos estroinas e gastadores que gostam da boa vida e não merecem qualquer complacência, porque não souberam aproveitar a sorte que tiveram em ser admitidos em tão nobre família como a da União Europeia.
Como qualquer mãe galinha, Berlim está tolhida pela cegueira e enquanto pune os filhos estroinas mal agradecidos, trata com o maior desvelo os que foram mal tratados pelo pai tirano de Moscovo.
Fruto dessa cegueira, Berlim faz vista grossa ao mau comportamento dos filhos de Leste que seguem o exemplo ditatorial da mãe Rússia, mudando apenas as roupagens. Aproveitando as fraquezas de Berlim, os países de Leste estão a gerar sistemas ditatoriais muito próximos da extrema direita, sem que haja qualquer contestação. Curiosamente, isso agrada a Moscovo que renova as esperanças de um dia ver regressar os seus filhos pródigos perante o desespero de Berlim que amaldiçoa a vida, porque depois de ter abandonado os  estroinas  filhos de sangue à sua sorte, teme agora que lhe fujam os filhos de Leste  adoptados à pressa, sem as precauções necessárias.
Mais cedo do que alguém previra,  as consequências de um comportamento tão imprevidente começam a ser visíveis.