quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Único, sim!

Desde que soube do internamento de Mário Soares na Cruz Vermelha, fiz diversas infrutíferas tentativas de escrever um post sobre uma das mais importantes figuras portuguesas do século XX.
Acabei sempre por desistir, porque não conseguia definir, em palavras, o que sinto por este homem. Também tenho lido muito do que se tem escrito sobre ele. Nos jornais e nas redes sociais. Desde testemunhos de agradecimento sentidos, de pessoas que lhe são próximas, a artigos hipócritas de gente sem vergonha, que em privado diz cobras e lagartos de Mário Soares e nas páginas dos jornais veio tecer-lhe os maiores elogios. Abomino gente dessa.
Para mim, não é fácil escrever sobre Mário Soares. Tenho sentimentos divergentes sobre ele e daí a dificuldade em conseguir exprimir, de forma sentida, a admiração e respeito que tenho por ele e a discordância profunda com algumas das suas decisões. Estou-lhe grato pelo que fez por este país antes e depois do 25 de Abril, mas também houve muitas situações em que discordei dele em absoluto. Hoje, uma das certezas que tenho, é que na maioria das vezes que o critiquei, o tempo acabou por me mostrar que a razão estava do lado dele.
Hoje, ao ler o artigo de Ferreira Fernandes sobre Mário Soares, no DN, ouvi um   grito em mim: EUREKA!
Como acontece muitas vezes, Ferreira Fernandes escreve, de forma muito linear, o que eu gostaria de ter escrito. Até parece que me leu os pensamentos e escreveu a crónica a pensar em mim, em jeito de reprimenda por eu ser tão lerdo : "Ainda não percebeste que é isto, pá?".
Esteve sempre de forma inequívoca do lado da Liberdade e  é isso  que dói a muita gente que confunde Liberdade e Democracia com a satisfação dos seus interesses. E explica, também,  a minha dificuldade em expressar, por palavras, a minha gratidão  pelo que  fez por este país.

3 comentários:

  1. Desta vez, concordo com FF.
    ~~~ Abraço, Carlos ~~~

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  2. Também li o FF e gostei. É isso mesmo: o Soares foi único!! E tanto lhe devemos nós portugueses!

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  3. Também eu tenho sentimentos muito ambíguos relativamente a Mário Soares.
    E não é agora porque está muito doente (ele caiu muito após a morte de Maria Barroso) que vou santificá-lo.

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