terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Those were the days (38)



Fechou o Elefante Branco, uma distinta casa de diversão nocturna, frequentada por meninas boas de famílias más e meninos maus de famílias boas.  Digamos que era uma concorrente da "Casa dos Segredos", ou do "Big Brother", sem televisão nem bebidas à borla, mas frequentada por mulheres com mais nível.
Conhecia uns tipos que "só lá iam para comprar tabaco" ( cof!cof!cof!) e umas meninas que iam lá porque "achavam piada", mas no fundo o que queriam  mesmo saber  era se vida de puta era assim tão má como lhes diziam.
Fui, aliás, testemunha de um momento fantástico em que uma dessas meninas curiosas foi lá com uns amigos ( eu era um deles)  e encontrou o pai que, supostamente, estaria fora de Lisboa em trabalho. Efectivamente, tinha ar de quem estava a negociar qualquer coisa com uma bem apessoada dama, mas a filha não aceitou bem que o pai tivesse dito que o trabalho era fora de Lisboa.
Se o Elefante Branco fosse a Versailles, ou a Mexicana, não faltariam abaixo assinados a pedir a salvação deste espaço emblemático da noite lisboeta.
Como era apenas uma casa de pecado frequentada por empresários, políticos e futebolistas, ninguém ousa lançar uma petição. Até porque, dizem as más línguas, o Elefante Branco fechou para não fazer concorrência a uma casa de alterne sita na Lapa. Guerra de empresários, dizem os jornais...

12 comentários:

  1. Fiquei com curiosidade: a sua amiga chegou a dar a conhecer ao pai que o viu?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O mais interessante foi exactamente o momento em que eles se encontraram, Catarina. Cumprimentaram-se e nem sequer abordaram o assunto ( Cheguei a pensar que o pai ia fazer apresentações, mas a coisa não chegou aí) Dias mais tarde, a minha amiga enfrentou o pai e perguntou-lhe se costumava ir lá muitas vezes. Ele respondeu-lhe devolvendo a pergunta; E tu? Não sei se mais alguma vez abordaram o assunto.

      Eliminar
  2. Bataclã!
    Faz assim tanta falta que mereça uma petição????
    xx

    ResponderEliminar
  3. Pois, mas deixa-me um bocado apreensiva que haja uma petição para continuar a haver tal estabelecimento. Parece-me um bocado palerma e tudo. Portanto, concordo. E desculpe que lhe diga, mas a Versalhes e a Mexicana, pelo menos quando lá entrei há bem mais de 30 anos, tinham muito charme. Como era pobrezinha não deu para curtir o ambiente, até porque os empregados de uma e outra me atiraram uns soslaios pouco convidativos. Também me pareceu que a clientela era cheia de nove horas, conversas em surdina e algumas senhoras usavam boquilha numa irresistível elegância de gestos. Diria mesmo que lhes fui invisível, facto que na verdade me agradou, olhei-as quase à vontade (se não fossem os empregados ainda hoje lá estava).

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bea, desconhece os engates que se fazem na Mexicana e na Versalhes. E garanto-lhe que a decoração e o ambiente eram bem selectos, pois depois do 25 Abril também me foi permitido visitar, bastava conhecer gente bem posicionada, na altura do PREC, para conhecer estes ambientes a que não tínhamos acesso.

      Eliminar
    2. Como disse à Papoila, a petição foi pura ironia minha. Quanto à Versailles continua com muito charme. A Mexicana nem tanto...

      Eliminar
    3. Na Mexicana continuam a fazer-se engates. Na Versailles, sinceramente, não sei. Vejo que a Anfitrite percebeu bem o que eu queria dizer com a minha ironia quanto à petição :-)

      Eliminar
  4. também conheço um caso semelhante, passado com uma amiga, mas foi num daqueles bares gays e também com muita classe, ali para os lados de S. Mamede em que ela encontrou um tio agarrado a outro homem. o que na altura era o caos.

    ResponderEliminar
  5. Mas ainda temos o Hipopótamo e muita menina fina, sobretudo estudantes universitárias, que agora se encontram em apartamentos alugados por gerentes do assunto em que só se contactam por telefone, mas às operacionais às vezes têm o azar de encontrar determinados senhores em reuniões sociais importantes e muito badaladas nas revistas cor de rosa. para já não falar das licenciadas poliglotas que têm contratos com hotéis para acompanharem empresários saloios por esse mundo fora e que levam uma rica vida.

    ResponderEliminar
  6. Só conhecia de fama.
    E de ouvir uns tipos que também lá iam comprar tabaco ou ver quem por lá parava (tá bem abelha!!!)

    ResponderEliminar