segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Ora f....Váo chatear o Camões!

Numa entrevista,  o humorista Ricardo Araújo Pereira referiu-se  a um sketch antigo dos Gato Fedorento onde usava a palavra "mariconço" e disse que se hoje usasse essa palavra, o sketch - na época muito bem aceite- seria,provavelmente, considerado inadmissível.
Eu achei a advertência de RAP bastante idiota mas, para meu espanto, dias depois percebi que ele tinha razão.
Na verdade as redes sociais incendiaram-se de indignação por causa do "mariconço". As pessoas discutiram encarniçadamente e surgiram as divisões. De um lado os indignados com o uso da palavra "mariconço". Do outro os que discutem o seu correcto significado .
Um país onde as pessoas se dividem entre as que se indignam porque um humorista usou a palavra "mariconço" e as que discutem o significado etimológico da palavra, não é para levar muito a sério. É que corremos o risco de chegar à conclusão que nesse mesmo país as pessoas não conhecem lá muito bem o conceito de Liberdade. Seja ela de expressão ou de movimentos.
Acontece, porém, que eu aprendi algo importante:mariconço, além de significar medricas,  tem uma conotação de cariz sexual. Dizem os revoltosos entendidos na matéria, que serve para classificar homossexuais. Não sabia e peço aos leitores desculpa pela minha ignorância. Mas, só por isso, valeu a pena acompanhar este debate.
Mas há  outras questões que me preocupam. A tentativa de alguns grupos tentarem limitar o uso de certas palavras, porque as consideram ofensivas  para o grupo onde se inserem, está a limitar a liberdade de expressão e a empobrecer a língua.
Nos últimos anos passou a ser politicamente incorrecto ( e até ofensivo) usar palavras como velho, cego, coxo, tuga ou  deficiente. Fiquei agora a saber que mariconço também não se deve utilizar. E muitas outras haverá, certamente, cuja perigosidade eu ainda desconheço, porque provavelmente estou desactualizado  no que ao manejo da língua concerne.
 Receio que expressões como " filho da puta" passem a ser interpretadas como um insulto à mãe do visado ou, como diz RAP, que as pessoas interpretem à letra quando alguém diz "estou f.....".
A repressão linguística provocada pela  febre controleira  da esquerda plural e intelectualóide  politicamente correcta, chateia-me e cansa-me.  Porque é inócua, cheira a Lavanda e apenas serve para ocupar mentes tinhosas ( não quero dizer que tenham "tinha", entendido?) dedicadas à especulação mas pouco produtivas para o que é essencial na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Perante estas discussões, a minha reacção é "Ora f.... Vão mas é chatear o Camões!"

5 comentários:

  1. Caro Carlosamigo

    Se o Camões não se importar...

    FALHANÇO TOTAL

    Mais um post da SAGA DA ALZIRA que hoje mete assalto. Polícia e xilindró. Pouco recomendável para pessoas sensíveis – ou de doentes cardíacos.
    Como é habitual, peço o obséquio da maior divulgação do texto. Obrigado
    Henrique, o Leãozão (muito envergonhado…)

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  2. Olha, sabe o que é que eu acho? Que se f@@@ o politicamente correto!! Eu cá uso palavras como «bicha» em vez de fila e «preto» em vez de negro e coisas no género. Foi assim que aprendi e é assim que me exprimo. Quem não gostar que vá ver se chove!!!

    (E só mais uma coisa: não gosto nada do RAP - gostava dos Gato Fedorento, sim. Mas a ele acho-o um verdadeiro pedante...)

    Tenho dito!

    Beijinhos de Boas Festas!

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  3. Não quer emendar a acentuação no título?
    Penso eu que um humorista pode muito bem usar o termo mariconço na medida em que o humor acentua e critica padrões de pensamento. Mas é, em meu entender, um termo preconceituoso e achincalhante.
    Nada sei de redes sociais. Mas não é preciso ser erudito para entender o sentido da palavra. Que a use quem quiser, que só lhe fica mal.

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  4. Gosto do politicamente correto, não para controlar a liberdade de expressão, mas para diminuir a tendência de se usar palavras ou expressões que são derrogatórias e humilhantes... porque há muitas pessoas que não têm o sentido da ponderação, do pensar antes de falar. Já dizia a mãe do coelhinho (em Bambi): se não tens nada de bom para dizer sobre alguém, não digas nada.

    Referir-se a uma pessoa pela sua deficiência física ou mental é uma forma de expressão de muito mau gosto, uma falta de respeito, é ofensivo.

    As terminologias vão sendo alteradas e nós temos a responsabilidade de acompanhar essa evolução. As crianças (ou adultos) já não são chamadas de mongolóides. E por que usar o termo “velho” no que se refere a uma pessoa mais velha? Ou mariconças ou outro termo derrogatório?

    Acredito em evolução... em qualquer área.: )))

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