terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Manipulação de informação é isto (1)

Ontem, após a entrevista de António Costa à RTP, publiquei um breve comentário no FB que  me valeu severas críticas por ter afirmado que considerava António José Teixeira e André Macedo bons jornalistas.Embora admita que André Macedo tenha exagerado no tom quezilento que imprimiu à entrevista, no essencial, mantenho tudo o que escrevi.
Devo agora acrescentar que assisti na RTP 3 ( apenas por breves minutos, porque não aguento ouvir tanto alarve em simultâneo e sem contraditório)  a um exemplo brilhante do que é sectarismo e manipulação de informação.
 Não lembraria a ninguém com um mínimo de pudor e de noção do que é informar, nomeadamente num serviço público, convidar para um painel de análise à entrevista, apenas  jornalistas que sempre  manifestaram apoio ao governo  Coelho/Portas. Com  que isenção pode fazer análise política gente que  parecia ter um orgasmo cada vez que o governo pafioso anunciava uma medida de austeridade? Que  isenção se pode esperar de quem andou durante quatro anos a elogiar sem qualquer sentido crítico a política de austeridade, antes ( ou depois) de abancar em restaurantes de gama alta na companhia de membros do governo?
Quem, com um mínimo de seriedade, rigor jornalístico e noção de serviço público, se lembraria de convidar Helena Garrido, José Manuel  Fernandes e David Dinis ( porta vozes e acólitos do governo apoiado por Schaueble que têm em comum um ódio visceral a António Costa) para fazer uma análise objectiva da entrevista ao pm de quem são assumidos opositores? 
Lembrou a Paulo Dentinho. Assenta-lhe bem, porque assim só quem quer se deixa enganar com a lenga lenga da"informação de confiança" que anda a vender a alguns incautos. Lamentável este exemplo de manipulação informativa protagonizado pela televisão pública. No entanto, reforça o que ontem escrevi após a entrevista.
Até porque, infelizmente, há mais ( e mais graves) exemplos de manipulação informativa que nos obrigam a estar alerta e ser muito criteriosos  na hora de escolher onde queremos ver, ouvir ou ler notícias. 
Como este post já vai longo, amanhã voltarei ao assunto. 

4 comentários:

  1. Caro Carlosamigo

    Aqui para nós que ninguém nos lê confesso-te que não vi a entrevista; gosto muito do Costa, gosto muito do António José Teixeira; não desgosto do André Macedo. Então por que bulas não vi a entrevista?

    Porque ao fim de mais de cinquenta anos a viver da escrita, da rádio e da televisão fiquei farto de entrevistas, de mesas redondas de comentadores políticos, de comícios, de publica omnia, bem como de talk shows, de Casas de Putas, oops, dos Segredos e afins. Hoje vejo futebol (só jogos) AXN, Historia National Geographic e pouco mais.

    Mas, a minha mulher vê e com espírito crítico q.b. pois é Goesa misturada com PS e disse-me exactamente o que tu aqui escreves - o que não ´para admirar. O contrário é que seria preocupante.

    Algumas dessas belezas de hortaliças... foram minhas (in)subordinadas, ex-alunas (uso o feminino só para concordar com belezas, como sabes ainda sou da velha escola) nas duas universidades e noutras escolas onde leccionei e portanto conheço-as de ginjeira. Não me espanta o seu comportamento.

    Aliás já (quase) nada me espanta nesta selva paga em que a (des)informação se tornou. E pelo andar da carruagem isto vai continuar porque não tem cura; para pior já basta assim? Não será cada vez pior!

    Quousque tandem notitia abutere patientia nostra?

    Abç do Henrique o Antunes Ferreira, vulgo Leãozão

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  2. Não vi nem uma nem outra, que neste momento tenho mais que fazer.E mesmo que não tivesse, sei não... ;)

    Beijinhos

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  3. Vi a entrevista e também os avençados.
    Acho que deveria ser obrigatória informação ao espectador no canto superior esquerdo - argola + pub(licidade).

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