sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Estamos entregues aos bichos?

Um argelino foi detido pelo SEF no aeroporto Humberto Delgado, por suspeita de se tratar de (mais) um caso de imigração ilegal.
Passadas algumas horas pediu a um inspector autorização para ir fumar um cigarro. Autorizado, ludibriou a segurança, atravessou toda a zona internacional,  passou a fronteira sem ter sido interceptado, saiu calmamente pela porta principal do aeroporto e foi à vida. O caso ocorreu em Outubro e até hoje ninguém mais lhe pôs a vista em cima.
A ministra da Administração Interna, por seu turno, só veio a saber da fuga pela imprensa
A primeira ilacção a tirar deste caso é que a segurança no aeroporto de Lisboa ( creio poder dizer-se em quase todos os aeroportos europeus) é ridícula. Sujeitam os passageiros àquelas cenas parvas em que lhes confiscam isqueiros, frascos de perfume e até medicamentos, mas a segurança é impotente ( ou tolerante?) para detectar um tipo que atravessa toda uma zona reservada e (pretensamente) sob apertada vigilância. No mínimo, é estranho.
Outra ilação a tirar é que este país de brandos costumes não tem emenda. Deixa-se um detido ir fumar um cigarro sem qualquer controlo, porque se acredita na sua boa fé. Nem por um segundo terá passado pela cabeça do inspector que o homem poderia estar a tentar evadir-se. E se cá fora ele tivesse um cúmplice, eventualmente armado, e em conjunto  atacassem passageiros inocentes? O inspector terá pensado como aquele pai que leva o filho no banco de traz sem cinto de segurança, porque os azares só acontecem aos outros. Uma forma muito própria de pensar e agir do tuga.
Se tivesse havido azar, de certeza que a história nos teria sido contada noutra versão. Uma fuga idêntica à dos argelinos e marroquinos durante o Verão, por exemplo. Essas versões resultam sempre, porque a comunicação social larga o osso ao fim de alguns dias e tudo se   esquece rapidamente.
Finalmente, constata-se que no SEF (  se fosse só no SEF ainda vá lá...) todos procuraram abafar a notícia. Toda a hierarquia, incluindo a directora-geral,  sabia  da ocorrência, mas ninguém comunicou à ministra, obrigando-a a fazer figura de totó  perante os deputados.
Depois de ter tomado conhecimento do sucedido, através de uma notícia do DN, Constança Urbano de Sousa pediu explicações ao SEF. 
Resposta: o inspector não deu, em momento algum,  autorização ao argelino para sair da zona internacional, onde estava detido.
Espero que a ministra tenha mão pesada, porque em causa está a nossa segurança. Não podemos confiar numa polícia que  fiscaliza aeroportos, como se estivesse a vigiar um jardim infantil. Partindo do princípio que ninguém foi subornado para facilitar a fuga, as responsabilidades têm de ser  atribuídas a todos os implicados neste processo. Incluindo a directora -geral  que escondeu o caso da ministra.
Só que neste país de brandos costumes, o mais provável é ficar tudo na mesma. Pelo menos até ao dia em que haja um atentado sério em Portugal. E, a avaliar pelo número de fugas no aeroporto de Lisboa só este ano, bem se pode dizer que as polícias estão a envidar todos os esforços para que isso aconteça.

4 comentários:

  1. Absolutamente de acordo.
    Um abraço e bom fim de semana

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  2. Tem razão em tudo que cita.Apalpam-nos, tira cinto, descalça sapatos e depois é esta palhaçada. Até acontecer alguma coisa séria.

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  3. Vou percebendo por que motivo não temos, cá dentro, acções de terrorismo.
    É que é tudo tão fácil que não dará gozo.

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  4. Nem mais! Anda tudo bêbado a pedir caldinhos de galinha. Quando acontecer é o destino, é o nosso fado...
    BFS e Boas Festas.

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