terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Canta Brasil




Lembram-se da cobertura exaustiva e quase demencial que as nossas televisões fizeram, durante seis meses, das manifestações de rua no Brasil? 
Lembram-se como era relatada com entusiasmo fervente a indignação dos brasileiros perante a corrupção no PT? 
Lembram-se de ver e ouvir enviados especiais e correspondentes das nossas televisões, de voz embargada de alegria, porque Dilam tinha sido apeada e o PT destruído? 
Lembram-se como esses mesmo enviados e correspondentes depositaram esperanças na democracia brasileira, limpa dos corruptos do PT?
Pois bem. Agora que os brasileiros saem à rua para contestar Temer e manifestar a sua indignação contra Renan Calheiros, presidente do Senado, que o Supremo Tribunal Federal afastou , mas que se mantém no cargo porque o partido do corrupto Temer se recusa a acatar a decisão do Tribunal, as notícias sobre o assunto são tímidas e em nota de rodapé.
Já perdi a conta ao número de ministros do governo Temer afastados por corrupção, mas tenho seguido atentamente a novela Odebrecht que ameaça reduzir a pó toda a classe política brasileira. Na verdade, depois de o presidente da  empresa ter sido preso, todos os dirigentes executivos assinaram um acordo de delação. Ora isso significa, tão somente, que será conhecido em detalhe o envolvimento de  todos os implicados na operação Lava Jato- cúpulas de todos os partidos brasileiros ligados ao poder estadual e /ou federal.
O próprio juiz Sérgio Moro assume não saber se o Brasil sobreviverá a este caso transversal a toda a classe política brasileira.
Depois de resolvida a contenda entre poder político e poder judicial  - independentemente de quem saia vencedor - nada ficará como dantes no Brasil. Neste momento, a grande dúvida é saber quem se aproveitará da situação e  recolherá os destroços. 
Aparentemente, os militares estão divididos e não reúnem condições para tomar o poder, mas a alternativa que muitos brasileiros colocam é igualmente aterradora: o poder ser tomado por uma seita de religiosos fanáticos. A conquista do Estado do Rio de Janeiro por um desses fanáticos não augura nada de bom e é um sinal que, em desespero, o brasileiro se vira para quem lhe faz promessas que não diferem muito das do Daesh.
Seria caso para dizer "Deus salve o Brasil", não se desse o caso de o exemplo do Rio de Janeiro ser uma péssima notícia. Apetece mesmo dizer como a canção:
" Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão!"

3 comentários:

  1. Provavelmente é um exagero, mas é essa a ideia com que se fica: não sobra um.

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  2. E em Portugal? Há alguma instituição onde passe muito dinheiro que não seja corrupta? Todas as noites há qualquer coisa nova. Ou mais uma pessoa detida por suspeitas. Que mundo este em que nasci.

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  3. Tente ouvir no Youtube a música "É o Temer, é o Trump".
    Vale a pena.

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