terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Brandos Costumes

A carta por pontos entrou em vigor há seis meses. Face ao que vejo na estrada de manobras perigosas, pessoas a falar ao telemóvel enquanto conduzem, desrespeito pelo sinal vermelho, mudanças de faixa de rodagem nas auto estradas à Fittipaldi e sem fazer piscas; estacionamento nas cidades em locais que colocam em risco a segurança de outros condutores,  desrespeito pelas passadeiras para peões, etc, pensei que o final do ano não chegasse sem ver, pelo menos, uma centena de cartas de condução cassadas. Entrados em dezembro, afinal só 8 condutores tiveram esse azar. Neste período,  foram retirados pontos a 3012 condutores, um número manifestamente baixo, considerando o comportamento visível dos condutores nas estradas e nas cidades.
As autoridades ( nomeadamente a ASAE) também têm lançado avisos, informando que estão particularmente atentas ao consumo de álcool por menores. Ao fim de ano e meio,só foram apanhados 198 menores a desrespeitar a Lei.
As autoridades queixam-se de falta de recursos humanos mas, pelo que me tem sido possível constatar, esse não é o principal problema.
Chamem-me o que quiserem, mas há demasiada tolerância e fechar de olhos às infracções.O país de brandos costumes que existe dentro de cada um de nós, não consegue assimilar a ideia de que fechar os olhos a uma transgressão grave, ou condescender com a situação de um menor apanhado a beber um shot ou uma cerveja, é ser cúmplice e conivente. Quem cometeu uma infracção grave, injustificadamente, se for perdoado, tem tendência a arriscar uma segunda oportunidade. Uma criança apanhada a beber álcool deveria, no mínimo, apanhar um grande susto e os pais deveriam ser chamados à pedra para explicarem porque deixam miúdos de 12 e 13 anos andar na noite de Lisboa (e não só, como se viu recentemente com o caso de Ponte do Sor) a enfrascarem-se. E deviam ser fortemente coimados por isso.
 Por outro lado a legislação, nomeadamente no que concerne ao consumo de álcool, padece de coerência e eficácia. Não é admissível que um menor que entre num hospital, quase em coma alcoólico, mas com um braço partido, por exemplo, fique registado como " braço partido devido a  queda". Esta falta de rigor desvirtua totalmente os dados estatísticos e é mais uma faceta deste país de brandos costumes.
Lamento, mas assim não vamos a lado nenhum.

3 comentários:

  1. Não temos aqui brandos costumes, propriamente, mas o número de autuados (e fatalidades) devido ao consumo excessivo de álcool ainda é demasiado elevado entre os 16 e os 25 anos de idade.

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  2. Só 8 pessoas? Quer dizer, 8 azarados... ;)

    Beijocas

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  3. Esse sistema foi aqui liminarmente rejeitado.
    Ou seja, o projecto de lei foi colocado no fundo de uma gaveta que ninguém abre.

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