segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

1Q84:universos paralelos ( ou quando a ficção se torna realidade)


Volto hoje a fazer referência a  um livro sobre o qual escrevi em 2012. Tenho uma boa razão para o fazer e gostaria muito que os leitores do CR opinassem sobre o assunto. É que neste post pode estar a explicação para o facto de em jovem ter tido ambições, sonhos e desejos que não se concretizaram.
Não seja tão radical, caro leitor. Acrescente "um" AINDA. Quando acabar de ler o post, vai perceber porquê.





Muita gente no mundo inteiro se apaixonou pela história  de 1Q84. Não terei sido certamente o único a questionar (me) se a obra de  Murakami seria mera ficção.
Lembro-me que ao colocar a questão numa tertúlia, olharam para mim como se fosse tolinho. É que eu ainda fui mais além de Murakami e coloquei a hipótese de termos tantas vidas como os gatos. Pelo menos.Não sucessivas, mas em simultâneo.
Então por que razão só vivemos uma? perguntarão leitores  mais cépticos. Ou realistas e com os pés bem assentes no chão, se preferirem.
Pois, segundo a minha pessoalíssima teoria ( alvo de escárnio e mal dizer na tertúlia onde me atrevi a expô-la) isso explica-se porque apenas percepcionamos uma vida de cada vez mas, neste exacto momento, estaremos a viver  umas outras quantas vidas noutros universos paralelos, com outra consciência, outra identidade, outra conexões, amizades e contextos. A morte seria, assim, apenas o estádio ( momento) em que desconectamos as ligações neste Universo e transitamos para outro onde passamos a percepcionar outra vida, com outra  identidade. Claro que isto coloca questões sobre a noção de tempo e  energia cinética que não vou aqui abordar.
No terceiro volume de 1Q84, Murakami não é explícito quanto ao "encontro" ( reparem que escrevo encontro entre aspas) de  Aomame com Tengo.  
Porque vivem vidas paralelas que nunca se encontram, ou porque  as vidas deles, como a(s) nossa(s,) é (são) um puzzle que só se resolve quando as pedras todas se encaixarem? E será possível resolver esse puzzle? Quando? Com que objectivos? Fruto de que circunstâncias? E o que acontecerá depois desse "encontro"? E terá o "encontro" de ser limitado a duas energias, ou poderá ser um encontro de múltiplas energias, inclusive de universos diferentes? E os corpos que "vestem" essas energias serão iguais, idênticos, ou radicalmente diferentes?
São tudo perguntas sem respostas. A que Murakami não quis ou não soube responder. E para as quais que eu, obviamente, também não tenho resposta.
Há, porém, algo que me conforta e levou a recuperar 1Q84. É que agora há cientistas que dizem ter provas de que a morte não existe (pelo menos como a interpretamos) e é pura ilusão. Melhor ainda de acordo com este cientista há mesmo uma multiplicidade de universos paralelos onde vivemos em simultâneo.
Não faço ideia que provas serão essas e estranho mesmo que, em existindo, não sejam divulgadas, mas conforta-me saber que há cientistas a defenderem, com bases científicas, aquilo que eu expus como mera questão académica  numa tertúlia. Pelo menos fico com a certeza de que tenho mais alguns tolinhos, com credenciais de cientistas, a fazer-me companhia.






  

5 comentários:

  1. Não li 1Q84 mas tinha elaborado uma teoria semelhante como explicação pelo facto de por vezes procurarmos um objecto e de repente ale surgir num sítio onde já o havíamos procurado várias vezes, teoria que os meus amigos "físicos" rejeitam por absurda Outra teoria minha é que não existe nem passado, nem futuro, é tudo um contínuo presente, e que o passado e o futuro resultam da nossa vida percepcionada com frequências diferentes. Assim, por vezes essas frequências misturam-se e pregam-nos a partida de fazer desaparecer ou surgir o objecto em causa. Tb tenho outra teoria, a de que não temos existência individual mas fazemos parte dum todo que se percepciona em múltiplas dimensões, embora limitadas.

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  2. Adorei a trilogia.

    Já a teoria que coloca é um pouco difícil de aceitar ou negar: é verdade que podemos ser tanta coisa em simultâneo, mas normalmente escolhemos apenas um caminho e é esse que seguimos. Poderíamos mudar a qualquer momento? Certamente, mas não é frequente, na vida da maior parte das pessoas...

    Muito interessante, este post! :)

    Beijocas

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  3. Bolas, que é que eu fiz ao comentário... olhe, deve ter migraddo para uma das minhas vidas paralelas - apesar dos cientistas que afirmam que não interferem umas com as outras, nunca se sabe.

    Mas é melhor preparar-se para morrer (não agora, mas a prazo). Ao invés deles, a morte aparece-me factual e sem escapatória.

    No entanto, concordo: há coisas que nos transcendem a carcaça. São bem capazes de ficar por cá. Ou ir para outro lugar.

    Platão não era cientista, mas já admitia a existência de muitas vidas para uma só alma. Enfim...

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  4. Tentei, há dois anos, ler 1Q84 e ainda hoje não sei como se lê o título!lol é mil-quê-e-oitenta-e-quatro?! Não consegui ler nem até meio, não criei uma ligação ou afinidade com as personagens, e a trama pareceu-me demasiado futurista/fantasista/ficção cientifica... Nem sei classificar. Mas julgo que se deve ao facto de estar ainda muito "verde" para uma leitura deste calibre... Talvez daqui a alguns anos...fiquei com uma certa curiosidade agora, confesso.

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