sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Jornalismo de alcova




O comissário europeu  esteve hoje em Lisboa. Ao início da tarde deu uma conferência de imprensa conjunta com Mário Centeno onde confirmou que não haverá sanções nem corte def fundos estruturais, enalteceu os progressos económicos de Portugal, reafirmou que Portugal está finalmente no bom caminho (Carlos Moedas dissera o mesmo ontem) e que o risco de  não cumprir as metas do défice em 2017 e 2018 é de 0,01%. 
Foi estabelecido que  os jornalista só podam fazer 3 perguntas a Moscovici e outras tantas a Centeno.
O primeiro jornalista perguntou a Moscovici qual era o risco de Portugal não cumprir o défice e a Centeno se o adiamento da  recapitalização da  CGD para 2017 visava adiar para o próximo ano o impacto dessa recapitalização.
As duas jornalistas que se seguiram perguntaram a Moscovici se tinha discutido a CGD  com o Banco de Portugal e o que pensava o  comissário europeu dos problemas do acordo estabelecido entre a CGD e o Governo.
A Centeno, as duas jornalistas colocaram a mesma questão: se havia um acordo escrito entre o governo e a CGD para que os administradores não entregassem as declarações de rendimentos.
Eu teria pelo menos 5 perguntas a fazer a Centeno relacionadas com a reunião que manteve com Moscovici e as notícias aparentemente positivas desta semana, entre as quais se destaca o grande investimento anunciado pela Renault em Cacia.
As jornalistas presentes, apesar de só disporem de duas oportunidades, optaram por colocar questões  relacionadas com assuntos de alcova.
Eu não me espanto, apenas me envergonho, do jornalismo que se vai fazendo em Portugal. 
Há cada vez mais profissionais a denegrir o jornalismo porque, em vez de pensarem e  fazerem um esforço para justificar a carteira profissional, optam por replicar as perguntas que o companheiro de alcova lhes sugeriu.
Para isso, não é preciso pagar a jornalistas. Basta ir a um bordel e contratar para as redacções profissionais especialistas em conversas de alcova. 

1 comentário:

  1. É como dizes. Não interessa informar. O importante é a coscuvilhice.

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