quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Memórias em vinil (8)

Bem, este tema ( topem só como a capa do disco está estragadinha, a denunciar o uso...) nem precisa de apresentações.
Aproveitem esta noite para o ouvir muitas vezes e associar a teoria à prática. Aproveitem,  porque  amanhã  é feriado. E muito especial, porque os pafiosos nos tinham roubado este.
Desfrutem então uma noite bem (des)cansada  na companhia da Jane Birkin, do Serge Gainsbourg e, porque não, das vossas recordações do Verão de 69. E dos anos seguintes...


Jardins proibidos

Num país deslumbrado pelo automóvel, onde os espaços de lazer são constantemente subalternizados pelos cavalos com motor, merece destaque esta notícia:
" O Jardim do Caracol da Penha  foi o projecto mais votado do Orçamento Participativo de Lisboa. A votação foi clara: 9477 lisboetas preferem ver naquele espaço- onde se juntam as freguesias da Penha de França e de Arroio - um jardim público do que 86 lugares de estacionamento"
( in DN de 29 Dezembro de 2016)
Esta notícia não é só esclarecedora quanto ao mérito dos Orçamentos Participativos ( programa em que a Câmara Municipal  de Palmela foi pioneira) que permitem aos cidadãos fazer as suas escolhas. Demonstra, também, alguma maturidade dos eleitores.
O que pode parecer surpreendente ( escolher um jardim em detrimento de um parque de estacionamento, numa zona da cidade onde escasseiam lugares de parqueamento) não é. Desejando ter um jardim na freguesia, sabendo que a resolução dos problemas de estacionamento naquela zona é urgente e que  a autarquia tinha projectado para aquele local  um parque de estacionamento, os lisboetas fizeram uma escolha racional. Se votassem no parque de estacionamento, nunca mais teriam o jardim. Optando pelo jardim, obrigam a Câmara Municipal de Lisboa a encontrar uma alternativa para o estacionamento naquela zona da cidade.
A isto chamo votar com inteligência.

Cuba Libre



Para quem acredita que depois da morte de Fidel Cuba será uma democracia exemplar, deixo uma sugestão:
Perguntem aos russos se estão melhores agora e são mais livres do que no tempo da URSS e surpreendam-se.
Eu estive na Rússia ano passado e também me surpreendi.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Memórias em vinil (7)




Teve vida curta esta banda rock francesa. Fundada em 1961, tinha no vocalista Dick Rivers a principal estrela.
Pode dizer-se que  durante a sua curta existência, a banda teve dois grandes sucessos. O primeiro foi este "Oh Lady" (1961)onde sobressai a magnífica voz de Rivers



No final do Verão de 1962, durante uma tournée, Rivers decidiu abandonar o grupo e  prosseguir a carreira a solo. A banda foi fortemente abalada  com a sua saída e viria a extinguir-se em 1965.
No final de 1962 ainda gravaria   "Derniers Baisers",  a versão francesa de "Sealed with a kiss". tendo obtido algum sucesso.
Após "Derniers baisers" e  a entrada de Mike Shannon para o lugar de Dick Rivers, a  banda perdeu fulgor e  não conseguiu contrariar a forte concorrência de "Les Chaussettes Noires".
Para a História ficou esta canção que evoca o final do Verão e o fim das férias.

Tenham uma boa noite com este cheirinho a Verão!

Tesourinhos

Foi hoje aprovado  na AR o OE para 2017.
Parece-me oportuno recordar que o primeiro Orçamento Geral do Estado remonta ao ano de 1881 mas, já desde 1821 que é possível encontrar propostas de contas públicas apresentadas pelo governo às Cortes.
Num livro editado pela AR em 2006 ( Os Orçamentos no Parlamento Português) é possível encontrar documentos muito interessantes do tempo da Monarquia Constitucional.
Da Biblioteca Digital do Ministério das Finanças, no site da Direcção Geral do Orçamento respiguei  este precioso documento de 1836, onde é possível constatar que muitos dos argumentos que hoje irão ser esgrimidos na AR, por governo e oposição, são  exactamente iguais aos que se discutiam  há 180 anos.
Ora atentem apenas nestes extractos:





As pombinhas da Catrina



Há dias dizia, entre amigos,  que o governo devia evitar euforias nas comemorações do 1º aniversário, porque o caso CGD estava a ferver e uma desagradável surpresa poderia estar para lhe rebentar nas mãos.  Há situações em que preferia não ter razão, pelo que recebi a notícia da saída de António Domingues da Caixa com bastante descoroçoamento e  apreensão.
Já em tempos critiquei aqui o silêncio do governo, perante a recusa da administração em entregar as declarações de rendimentos. Sobre António Domingues, já ontem escrevi aqui o que pensava, tendo-lhe atribuído um lugar na caderneta de cromos, com o nº52.
Hoje é o momento para tecer algumas considerações sobre a atitude irresponsável do BE que, em última análise, será chamado a prestar contas se o futuro da CGD for, como se teme e adivinha,  fortemente penalizador para todos os portugueses.
Ao alinhar com a política de terra queimada que PSD e CDS adoptaram em relação à Caixa, o BE avalizou as intenções da direita de tentar, a todo o custo, forçar a privatização da CGD.
Há muitos tubarões interessados em levar a CGD ( o único bem público relevante que nos resta) e  PSD  e CDS são os seus testas de ferro.
Aquilo que o PCP topou à distância, Catarina Martins não conseguiu perceber nas palavras de Maria Luís Albuquerque, nem com a tentativa desesperada de António Costa, ao requerer uma segunda votação da proposta apresentada pelo PSD.
Por outro lado, sabendo Catarina Martins que os administradores da CGD, mesmo que contrariados, já tinham acordado  entregar as declarações de rendimentos no TC, não devia ter insistido em votar um diploma que conduziria, inevitavelmente,  à demissão dos administradores.
Pode - e deve- criticar-se severamente o finca-pé de António Domingues e demais administradores que pretendiam um regime de excepção. É legítimo concluir que pessoas que exigem tratamento especial, não devem estar à frente de instituições públicas.
O problema é que a demissão de António Domingues poderá criar um gravíssimo problema na CGD que se reflectirá, inexoravelmente, no défice de 2017 e, por consequência, nos bolsos dos portugueses. In limine, poderá mesmo levar à sua privatização.
Enquanto o PCP engoliu um sapo, porque percebeu todo o puzzle, o BE resolveu dar aos portugueses mais uma prova de irresponsabilidade. Ou porque não percebeu a jogada da direita- o que é grave- ou porque mesmo percebendo e tirando as ilações consequentes, insistiu no finca pé. O que é ainda mais grave.
António Costa não está em condições, neste momento, de jogar este trunfo a seu favor mas o PCP, a seu tempo, não deixará de o fazer na tentativa de capitalizar ganhos eleitorais.
Era altura de Catarina Martins perceber que a irresponsabilidade se paga caro. Mas a esquerda  nunca aprende com os seus erros. Pelo contrário, parece ter algum prazer em se mortificar, insistindo em repeti-los.
Assim sendo, Catarina, não te queixes se os portugueses te cortarem as asas quando forem chamados a manifestarem-se nas urnas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Memórias em vinil (6)


Hoje trago-vos The Kinks, um grupo rock inglês, que alguns previam vir a ser  o sucessor dos Beatles.
Não foram. Quiçá porque, por razões nunca explicadas, depois de uma digressão pelos EUA em 1965, foram proibidos de regressar a Inglaterra até 1969. 
Mesmo assim, em 1966 destronaram Paperback Writer dos Beatles do primeiro lugar dos tops em Inglaterra e nos EUA, com este magnífico tema:


O disco que hoje vos trago é de 1969. Ao contrário do que a capa sugere, o tema  mais marcante deste 45 rpm não é "Day's", mas sim um tema de 1967 : "Waterloo Sunset"


E embora um dos seus temas mais conhecidos seja "Lola,"(1970) não foi esta a canção que  escolhi para encerrar esta trilogia musical.  Até porque acho a canção muito desinteressante.
Outro dos seus grandes êxitos "The Death of a Clown" (1967)  também seria um excelente tema para encerrar esta breve incursão pelos "The Kinks", mas  optei pelo tema em destaque deste disco, até porque o vídeo vale bem a pena para sixties olders como eu.
Tenham uma boa noite e aproveitem para recordar velhos tempos com "Day's"


Ó Cristas! Põe-te fina, rapariga

Ao ouvir Cristas implorar aos sindicatos que saiam para a rua em protesto contra o governo, não sei se deva rir se chorar.
Embora cada vez que abrem a boca me provoquem gargalhadas, desgosta-me ver um tresloucado e uma xoné à frente de PSD e CDS. Eu gostava de ver uma oposição forte e séria. Não um duo de totós.

Caderneta de cromos (52)

António Domingues demitiu-se ontem. Pode ter todas as razões do mundo para o fazer, não tinha era o direito de andar a engonhar durante tanto tempo. A CGD é uma peça fundamental do  nosso sector financeiro e António Domingues andou a gozar com milhões de portugueses.
Um tipo que se recusa a mostrar os rendimentos e quer um estatuto especial não serve para dirigir um banco público. Quem tem alguma coisa a esconder não pode desempenhar cargos públicos por isso, recomendariam os padrões da honestidade,  que nunca tivesse respondido afirmativamente ao convite que lhe foi endereçado.

Por amor da Santa!



Haja alguma decência!
Não me venham agora dizer que, depois de andarem anos a acusar Merkel de ser a responsável pela destruição da UE ( E FOI!!!) é ela a única esperança para salvar a Europa!

domingo, 27 de novembro de 2016

Dia do Postal Ilustrado (29)

Este postal foi-me enviado por um amigo em 1967. Foi enviado da Régua onde ele estava passar férias e não resisto a transcrever duas passagens:
"Isto aqui é um reboliço. Ando sempre de um lado para o outro. É o Baile das Vindimas, as corridas de Vila Real, o Rally..."
(Não sei a qual Rally se referia o A.mas  é curioso lembrar o que era, em 1967,reboliço em Portugal)
Mais adiante, para me convencer a passar uns dias na Régua, acrescenta:
"E nos bailes é cada garota! Só visto!  Pena eu já estar casado".
Este "casado" devia estar entre aspas,porque o A. era solteiríssimo e assim havia de ficar ainda por alguns anos,  mas naquela época era muito comum os rapazes dizerem que já estavam casados, quando tinham uma namorada com quem pensavam casar mais tarde.
Enfim, memórias dos tempos em que a comunicação se fazia pelos CTT e as belals moçoilas durienses serviam de modelo a postais ilustrados.

Aviso: a partir do próximo sábado, e durante todo o mês de Dezembro, esta rubrica ( que esta semana, devido à morte de Fidel Castro, é publicada ao domingo) publicará apenas postais de Natal. Espero que gostem.

sábado, 26 de novembro de 2016

Muchas Gracia!s, Comandante


Fidel Castro foi um dos heróis do século XX que me ajudou a sonhar.  Com Che e com ele acreditei que era possível um mundo melhor. Cometeu erros?  Quem não os cometeu? Mas quem, como ele, foi capaz de resistir, sozinho, contra um mundo que o queria liquidar?  
Obrigado, Comandante! A História te absolverá.
Viva a América Latina

G'anda cena, meu!


Na terça feira, no Parque das Nações.Dormiram várias noites fora de casa, apanharam chuva... ( foto Net)


Ontem, voltaram a repetir-se as cenas de 2013. Nada que me surpreenda. Parece-me até normal.Anormal é haver pais que deixam crianças acampar à chuva, para ouvir um tipo que  pensa que Lisboa fica em Espanhae armar um regabofe, porque a escola tem o aquecimento avariado, ou o professor é um inconsciente e faltou um dia, lesando gravemente a aprendizagem das  criancinhas.
E estamos todos com muita sorte, enquanto alguns paizinhos mais zelosos, preocupados com os filhos, não exigirem que os professores se desloquem aos lugares onde decorrerão os concertos para dar aulas. 
Entretanto, presumo que a Catarina ainda esteja à espera da resposta do Pedro🐌🐌
Quanto a mim, Catarina desculpe responder com tanto atraso: às 4.41, muito provavelmente, estava a dormir e a sonhar com a Penélope. E a culpa foi sua.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Memórias em vinil (5)



Nunca fui um grande fã desta italo-francesa nascida no Egipto. Confesso, mesmo, que não sei as razões de este disco ter chegado à minha discoteca, pois quando me falam de Dalida, a canção que de imediato me vem à memória  é"Gigi l'amoroso"- que não consta deste álbum. 
Concorrente ao Festival de SanRemo em 1967, com Luigi Trenco, Dalida viveu nesse dia uma experiência amarga. Incapaz de aceitar a rejeição do júri ao tema "Ciao amore Ciao" que ele compusera, Luigi Trenco suicidou-se no quarto do hotel onde ambos estavam hospedados. Ironias do destino, "Ciao amore Ciao" viria a ser um sucesso estrondoso.
Dalida, desgostosa com a morte do seu companheiro, ensaiaria uma tentativa de suicídio um mês mais tarde. Não concretizou os seus intentos,mas mais dois homens da sua vida acabariam por se suicidar.  Ela própria viria a suicidar-se também, em 1987,  mas o pouco entusiasmo que tenho  por Dalida nada tem a ver com esse triste facto, mas sim com a sua voz. Embora sensual, nunca fez vibrar os meus sentidos, nem sequer me fez pele de galinha.
Uma vez que nenhuma das canções deste disco de 1961 me entusiasma ( "vingt quatre mille baisers" foi um sucesso estratosférico)e não quero correr o risco de  deixar alguns leitores deprimidos durante o fim de semana, se  escolher "Ciao amore Ciao", optei por trazer aqui um sucesso de Dalida de 1974  que por acaso até considero interessante.  Além disso, a letra faz mesmo lembrar fim de semana. Por isso, além de boa noite, desejo-vos também um excelente FdS. Divirtam-se com boas músicas.

Duarte Lima pode dormir tranquilo



Duarte Lima está preocupado, porque o processo em que é acusado de ter assassinado Rosalina Ribeiro vai ser julgado em Portugal.
Eu aconselho-o a dormir tranquilo. É que em matéria de crimes de sangue, que se tornaram mediáticos, a tendência é absolver o arguido. 
Veja-se, por exemplo, o caso dos jovens que morreram no Meco durante uma praxe, ou o ainda fresquinho caso dos Comandos, onde as culpas estão a ser  todas atribuídas ao médico. Por ser negligente, esclareça-se, o que no final deverá   traduzir-se numa pena suspensa. ( A propósito, não percam esta noite o Sexta às 9)
Tranquilize-se pois Duarte Lima. Mesmo que seja culpado, nada tem a temer. De qualquer modo, é  menos violento dar umas tareias em dose semanal (ou bi-semanal, vá lá...) do que andar por aí a abater mulheres a tiro. Há sempre um juiz a defender que bater numa mulher na medida certa, não é crime.

Thanks, God! It's (black) Friday




Anda por aí um alvoroço, por causa da Black Friday.  Parece que há  muita gente indignada, porque alguns comerciantes estão a inflaccionar os preços, para dar a ilusão que  hoje  fazem descontos colossais. Não percebo onde está a surpresa. Essa é uma prática que remonta ao tempo  que havia épocas de saldos. 
As minhas preocupações com a Black Friday são as  mesmas que tinha em 2008 e deixei expressas neste post


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Memórias em vinil (4)



Hoje trago um dos grandes monstros da música soul para vos desejar uma boa noite. Desaparecido prematuramente (26 anos) - morreu a 10 de Dezembro de 1967 num desastre de avião- Otis Redding era desde 1962 um dos nomes mais sonantes da música soul nos EUA.  
"(Sitting on) The dock of he Bay" é a sua canção mais conhecida. Um sucesso póstumo, como os inúmeros prémios que recebeu.
Apesar de só ter sido (re)conhecido na Europa, praticamente após a sua morte, Otis Redding conheceu bem cedo o sucesso nos EUA. 
O seu primeiro disco (Pain in My Heart) foi gravado em 1964 e incluía um dos seus grandes sucessos. "These arms of mine"
Também incluído neste 45 rpm, de 1968, ( juntamente com Sweet Lorene e I've been loving you too long) foi este o tema que escolhi para esta noite, pois parece-me  muito redutor considerar "The dock of the Bay" o maior sucesso de Otis.  



Não há estrelas no céu

Aviso prévio:
Anda meio país a festejar a atribuição de não sei quantas estrelas a restaurantes portugueses. Nesta matéria como sabem os leitores do On the rocks, desde 1 de Abril de 2012, sou relapso.
No entanto, como  maioria dos leitores que aportam a este Rochedo não visitam a filial, aqui deixo o texto onde justifico a minha ignorância sobre a nouvelle cuisine. Mais de quatro anos depois, resta-me acrescentar que Rui Veloso estava cheio de razão quando cantava " Não há estrelas no Céu". Pois não, foram todas para os restaurantes...  

Não sou  grande apreciador da nouvelle cuisine. Apesar de cultivar uma alimentação frugal e adequada à idade, sou  mais de sarrabulhos, feijoada à transmontana ou favas com entrecosto, quando amesendo com  amigos em prolongado convívio.
No entanto, como (quase) todos os homens, sou fraco perante os exóticos gostos das mulheres e  por vezes concedo visitar esses altares da gastronomia, cedendo ao apelo de vozes femininas a quem estes locais onde o preço de uma refeição é inversamente proporcional ao da quantidade  de comida que nos colocam no prato, agrada sobremaneira.
Tal como acontece com os títulos nobiliárquicos e a avaliação dos produtos tóxicos pelas agências de rating,  nestes restaurantes onde se fala em surdina e  os empregados nos rodeiam  a mesa como se estivessem a executar um bailado em pontas, enquanto decantam o vinho,  o nome dos pratos também é determinante para a elaboração do preço. Já aprendi, por isso, que quanto mais sofisticado for o título do prato colocado na coluna da esquerda das ementas, mais  desproporcionada será a relação qualidade preço fixada na coluna da direita.
Apesar de ser uma pessoa mais ou menos familiarizada com os segredos da culinária, não foram  raras as vezes em que já me senti tentado a propor a existência de um glossário acompanhado as  ementas, para evitar  o incómodo de perguntar ao empregado:
“ Desculpe, mas o que é isto de línguas de fettucini com repas de suíno em couli de frutos silvestres?
Não é que não me tivesse passado pela cabeça que a tradução correcta fosse “ pasta com presunto,  ensopada num molho agridoce”, mas nestas situações gosto sempre de confirmar, se  um prato daqueles vale mesmo 25€!
Bem, mas neste restaurante a que fui atraído pelos pedidos dengosos de Marlene Vanessa, a tradução até nem era difícil. Havia, por exemplo,  “ O prato que a Branca de Neve serviu aos 7 anões”*, que a Ana Zannatti me ensinou a confeccionar  nos longínquos anos 80 e que por vezes reproduzo fielmente, para  impressionar alguns convivas que aportam ao meu rochedo.
Também não tive dificuldade em interpretar  o significado de “ Cama de borreguinho  em almofada de cítricos e lençol de frutos do Atlântico”. Não me pareceu nada módico que me cobrassem 20€ por um bocado de borrego  recostado sobre uma rodela de laranja com sumo de limão e coberto por umas rodelas transparentes de ananás dos Açores” mas, à falta de alternativas que me fizessem explodir no palato as excrescências salivares, foi este o prato que escolhi. 
Já a Marlene Vanessa escolheu, sem hesitações,  “Espuma de ruibarbo e rabano com espargos salteados, alcachofra, portobellos e tomate cereja”. Não sei se a escolha teve a intenção de me provar os seus conhecimentos da nouvelle cuisine, ou foi motivada pela sua aposta numa dieta que lhe permita  manter firmes as curvilíneas formas  que, a cada passada,  parecem  indecisas entre saltar da blusa prudentemente desabotoada no topo, ou pela generosa racha da saia que permitia antever o prazer do pecado da carne.
Sei, é que Marlene Vanessa recusou o “amuse bouche”  de anchovas  de escabeche com raspas de tomate, cebola  e coentros, que nos serviram para amenizar  a espera e invocar o néctar de Baco, criteriosamente por mim escolhido. Exibindo os conhecimentos adquiridos na Faculdade de Medicina –  que garante  aplicar nas dietas nutricionais prescritas aos seus pacientes-  Marlene teceu uma longa dissertação sobre os malefícios das anchovas para a pele que  apenas me despertaram o apetite para abocanhar a dose dela. Porém, o recato que um homem deve ter nestes locais inibiu-me de o fazer e, se lamentei não estar a jantar no tasco do senhor Alexandre, para deixar a gula em roda livre, logo me reconfortei ao pensar que outros pitéus me poderiam estar reservados para mais tarde.
O jantar decorreu naquela conversa pisca-pisca  que deixa sempre no homem a dúvida de estar a ser  cana de pesca  ou isco para o anzol.  Quando, no momento de pedir o café, sugeri um digestivo, Marlene Vanessa  colocou o duque de trunfo na mesa, cortando-me a manilha de copas:
“ Já é um bocado tarde e gostava que fosses lá a casa para me dares a tua opinião sobre dois quadros que comprei no fim de semana. Podíamos tomar lá o copo. Que te parece?
Neste momento, se o protagonista masculino fosse Santana Lopes, talvez tivesse pensado que estava a ouvir o tão famoso concerto  para violinos de Chopin , mas como eu sou pessoa buçal e de gostos simples apenas pensei: “Que se lixe! Quero lá saber se sou cana ou isco…o importante é que haja pescaria!”.
E foi assim que, a pretexto de apreciar duas obras de arte, algumas horas mais tarde estava a apreciar pormenorizadamente os relevos de uma outra que não vinha no catálogo, mas tinha a preciosa vantagem de falar e ser sensível ao toque. 
Deitado na cama perfumada  de Marlene Vanessa,  não senti falta dos lençóis de frutos dos Açores, nem da almofada de cítricos. Lembrei-me apenas da Branca de Neve e das vantagens da “nouvelle cuisine”.

*“ O prato que a Branca de Neve serviu aos 7 anões” é um gratinado onde o ingrediente base é o queijo da serra.Ou melhor, a casca...

Ai Cristas, Cristas, do Cachené

"Junto ao velho cachené
E uns calções à marialva
Guarda o leque verde-malva 
Da cigana Salomé
Por quem chico na Aqualva
Numa tasca armou banzé

Ai Chico Chico, do cachené
Quem te viu antes e quem te vê"

Já tínhamos o Chico do Cachené, agora temos a Cristas  do dito cujo.
O gosto de Assunção Cristas para escolher vestimentas é um caso sério. Já tinha ficado demonstrado com o vestido dos kiwis, mas é reforçado com esta  foto em pose de revista.  
Creio que esta propensão para o ridículo é propositada e estará associada à eleição de Trump. Algum assessor da lider do CDS lhe terá dito que, se  Trump chegou à Casa Branca com aquele cabelo, ela poderia chegar a S. Bento mostrando o mau gosto para se vestir.
Lembro os leitores, a propósito, que já quando era ministra, Cristas mostrava a sua admiração por figuras controversas. Não se esqueçam  da admiração que ela manifestou por Kim Jong Un quando dirigia o MAMAOT! 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Memórias em vinil (3)

Entre os vários discos de Charles Aznavour da minha discoteca em vinil, escolhi este por uma razão: a capa.
Hoje em dia, será difícil encontrar uma capa de um CD, ou um anúncio a um filme ou programa de televisão, onde o protagonista esteja a fumar. Depois, o ar negligé de Aznavour é muito sixties, e revejo-me muito nessa forma de estar...
Seria mais fácil pegar num dos retumbantes sucessos deste arménio ( e são tantos!)  mas, pese embora  nenhuma das canções deste 45 rpm de 1962 ter sido um sucesso estrondoso, este dueto com Liza Minneli ( Les comediens) merece uma audição atenta. 


Recordo também a canção que, aos 36 anos,  catapultou  Charles Aznavour para o sucesso, depois de vários anos ignorado, criticado e malquisto. Foi graças a  Edith Piaf que não abdicou de uma  carreira na Europa  e foi viver para Montreal. A diva apostava nele e noseu sucesso.
Que chegou na noite  de 12 de Dezembro de 1960  no Alhambra ( não o imponente palácio de Granada, mas sim uma pequena sala de espectáculos parisiense). Nessa noite, Aznavour encerrou o seu espectáculo com uma canção escrita para Yves Montand, ( je m'voyais déjà) que o cantor/actor nascido em Itália, mas símbolo francês,  recusou. 


A década de 60 foi de ouro para a canção francesa. Muito particularmente para este arménio que conquistou adeptos entre jovens e adultos Sucessos como "Que c'est triste Venise"( 1964),  "Et  pourtant" ( 1963) "La Boheme" (1965), "La Mamma" (1963), "Hier encore" (1964) ou o magistral  "Il faut savoir" ( 1961) fazem parte da discografia de qualquer melómano francófono que se preze ( como penso ser o meu caso).
No dia 10 de Dezembro ( 2 dias antes de se assinalar o 56º aniversário do sucesso no Alhambra) Aznavour virá cantar a Lisboa
Aos 92 anos, mesmo sem a voz que o caracterizou, o cantor que a Arménia promoveu a herói nacional, não  deixará de  cantar os  seus grandes sucessos . E, certamente, outras canções menos conhecidas  do grande público, mas que  pontuaram a sua carreira. Estou a lembrar-me, por exemplo de "Comme ils disent" ( 1972) uma canção que aborda abertamente a  homossexualidade, tema ainda tabu naquela época. 
E é com esta canção de Charles Aznavour que vos deixo. Tenham uma boa noite.


Haja paciência.Chiça!

A minha vontade, depois de ler esta badalhoquice de um sem vergonha, era mesmo mandá-lo bardamerda, mas como ando com falta de pachorra para aturar imbecis, fico-me por este episódio da vida real. Ao fim e ao cabo é desta cepa que são feitos os Passos desta vida.
Então aqui vai.
Na aula de técnicas editoriais, depois de corrigir alguns erros ortográficos e ter sido alvo de uma pequena reprimenda pela falta de cuidado na escrita, uma aluna perguntou:
- Mas para que precisamos de nos preocupar em corrigir os erros ortográficos? Não é essa a função dos correctores? 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Memórias em vinil (2)


Este foi o primeiro disco que comprei com o meu dinheiro. Ou seja, com o dinheiro que poupei das semanadas que o meu pai me dava. 
O disco é de 1962, mas devo-o ter comprado só em 1964, pois foi nesse ano que conheci Françoise Hardy durante as férias de Verão.
Todos ( com excepção talvez da Teresa) conhecem o grande sucesso "Tous Les Garçons et les Filles" a  canção que lançou Françoise para os tops e inspirou gente famosa como Mick Jaegger e Bob Dylan. (De salientar que era ela quem escrevia a maioria das suas canções).

Tenho todos os discos de Françoise Hardy e é natural que ainda volte a trazer aqui mais algum disco dela mas hoje só tenho ouvidos para este grande sucesso da música francesa.

Caderneta de cromos (51)




Uma vez que não tenho  uma Caderneta de Cromos dos Pequeninos, vejo-me na obrigação de colocar Luís Montenegro, putativo candidato a herdeiro de Passos Coelho, nesta colectânea dedicada a adultos.
Depois desta conferência de imprensa onde Mário Centeno não respondeu à pergunta que ele queria, recorreu a um método muito popular entre os putos:
Ou o governo desmentia até ao final de sexta feira, a existência de um acordo secreto, escrito, com a administração da CGD, ou então o PSD concluia que esse documento existia mesmo.
Eu não sei se na Santana à Lapa brincam muito ao Verdade ou Consequência, jogam berlinde,  lançam o pião, ou fazem concursos de io-ios luminosos. Sei é que está na altura de alguém crescidinho  dizer a Montenegro que   a sede do PSD não é um jardim infantil.
E já agora, em vez de andarem a brincar aos políticos e jornalistas, seria melhor que mantivessem a tradição de brincar aos médicos e enfermeiras. De preferência com preservativos, porque já há laranjas a mais na vida portuguesa a feder de podres.

Erros meus, má fortuna...?






Ontem, na Áustria, assistimos ao primeiro episódio de uma  tragédia que aqui anunciei no di
Vivemos um tempo terrível. O tempo do medo que O’Neill vaticinou um dia tomar conta de todos nós.
Primeiro foi o medo do desemprego. Depois o medo da miséria. Agora o medo da guerra e de que o edifício europeu, com uma estrutura social que demorou décadas a construir, desabe.
A eleição de Trump deixou-nos boquiabertos e quase sem capacidade de reacção, mas não me apanhou desprevenido. Surpresa, mesmo, é ver toda a gente estupefacta e petrificada, perante o consumar de uma tragédia anunciada.
As reacções em cadeia podem ser terríveis. Já no próximo mês, se Matteo Renzi perder o referendo, é elevado o risco de Beppe Grilo vencer eleições antecipadas em Itália.
Ainda em Dezembro, as eleições na Áustria devem confirmar a eleição de um presidente de extrema direita. 
Já em 2017, em Março/Abril, a extrema direita pode vencer as eleições na Holanda e em Maio, seja quem for o candidato vencedor nas presidenciais, França terá um presidente anti-europeu.
Até ontem todos temiam que fosse Marine Le Pen, pelo que muitos já admitiam que Sarkozy seria um mal menor.   Só que ontem Fillon ganhou as primárias da direita francesa e será o candidato ao Eliseu.
A avaliar pelo que leio nas redes sociais, a maioria dos portugueses preferia Juppé mas como Fillon, apesar de ser um reacionário do piorio, é considerado melhor do que Sarkozy, alguns respiram de alívio. E pronto, lá estou eu outra vez a lembrar-me de Houellebecq e da teoria do mal menor. Mas nem vale a pena perder tempo com estas considerações porque, se a vitória de um candidato anti-europeu em França é certa, a UE começará a desmoronar-se em Maio de 2017.
Apesar de ver com muita  preocupação e incerteza os próximos tempos, encaro o futuro com optimismo. (Não vejam aqui uma contradição). Apenas lamento que a idade me impeça de viver, na máxima plenitude, os tempos de mudança que se anunciam. Tenho a certeza de que caminhamos para algo novo. Não sei o que será, mas não será obrigatoriamente pior do que este mundo de alucinados em que vivemos.
A vitória do capitalismo sobre os “amanhãs que cantam” já se deu há muito. Diria que começou a desenhar-se quando a UE se reduziu a uma união económica e financeira e prosseguiu, há mais de duas décadas, quando o mundo financeiro nos impingiu a globalização como algo de mirífico que diminuiria as desigualdades e aproximaria os povos.
Desde sempre chamei a atenção para a mentira do mundo global que nos estavam a impingir, mas as pessoas compraram a ideia da globalização  com entusiasmo. A leveza com que a maioria criticou os que chamaram a atenção para os riscos que o mundo estava  a correr ao embarcar no conto de fadas que o mundo financeiro com sede em Wall Street e nas grandes praças mundiais lhes vendia, foi para mim descoroçoante.  
A futilidade que tomou conta dos cérebros, ligados à máquina pelo desfrute sem critérios das novas tecnologias ( não me refiro, obviamente, apenas às redes sociais) levou muita gente a desistir de pensar e, mais preocupante, tornou as pessoas abúlicas e sem capacidade de reacção.
Quem pensa é olhado com alguma desconfiança, porque deve é desfrutar das coisas boas da vida e deixar a política para os políticos, mas quem pensa  fora da caixa é considerado um indivíduo excêntrico. E mesmo perigoso!
 A sociedade do entretenimento foi útil a quem a engendrou, para satisfazer os objectivos que pretendia.
Em 2016 parece que muita gente que andou adormecida pela sociedade circense que o mundo financeiro criou, está a despertar para a realidade. Espero que nos próximos meses sejam muitos milhões a fazê-lo. Precisamos todos de voltar a preocupar-nos com o mundo em que vivemos. Ter deixado essa tarefa ao grande capital, foi um erro clamoroso. Quando despertámos, percebemos que ele nos deu uma sociedade de entretenimento, com uma parafernália de brinquedos, mas a que a maioria só tinha acesso com recurso ao crédito. E quem concedia o crédito? Os donos do parque de diversões, também conhecidos por banqueiros. No dia em que deixaram de poder emprestar dinheiro, obrigaram toda a sociedade a pagar os seus empréstimos/roubo. E a sociedade de entretenimento passou a ser um circo.
Chegou a altura de não nos conformarmos com este estado de coisas. E de ver o mal menor com um suspiro de alívio. Hillary era má, mas seria melhor do que Trump? Ganhou Trump.
Sarkozy era melhor que Le Pen? Mas Sarkozy nem sequer conseguiu ser candidato e Fillon é uma Le Pen  que urina de pé. Seja qual for o vencedor, todos nós sairemos perdedores.
Não foi por falta de avisos que chegámos aqui. Foi por displicência. Porque acreditamos que a sociedade do “Bem estar” era um dado adquirido e ninguém no-la podia roubar. Porque nos deslumbramos com os brinquedos que o capitalismo criou para nos entreter, distrair e…ADORMECER. Agora, ou a reconquistamos, ou morremos.
Os tempos de ouro não voltarão tão cedo, mas vale  a pena acreditar que este período de mudança não terá o fim inexorável que a maioria prevê. Pelo contrário. Poderemos estar a ter o privilégio de viver um período de mudança, pautado pela riqueza do que é incerto. Daí que veja este período como um desafio para uma mudança que nos proporcione um mundo melhor. Há é que lutar por isso, porque se continuarmos a pensar que alguém fará o trabalho por nós, então adivinho dias sombrios e uma sociedade sem Lei onde não quero viver.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Memórias em Vinil (1)


Inicio esta rubrica com este 45 rpm de Cliff Richard, cantado em espanhol. Escolhi-o, porque está autografado (é um dos raros discos que tenho autografados) pelo próprio e me recordo bem da noite de Julho de 1963 em que ele me concedeu esse autógrafo.
O disco foi editado em 1962, ainda Cliff Richard  tocava com os Shadows. Neste 45, onde também participa a Orquestra de Norrie Paramor, Cliff interpreta  quatro temas: "Solamente una vez", 
"Vaya Com Dios" "Te quiero dijiste" e " Tus besos".
Escolhi o tema "Solamente Una Vez" para esta noite.

Muitos famosos cantores da época, como Nat King Cole ou Roberto Carlos cantaram e gravaram este tema.
A versão original, porém, é de 1942. Composta por Agustin Lara, era cantada por Ana Maria Gonzalez e José Mujica ( que trocaria a música por um mosteiro franciscano).
Aqui fica a versão original, para verem as diferenças.




A máquina de fazer jornalistas

Hoje em dia, quando leio jornais, ou vejo televisão ( especialmente a do militante nº1) , suspiro para que esta máquina entre rapidamente nas redacções. Ficávamos todos a ganhar. Às tantas, até o arquitecto Saraiva...

domingo, 20 de novembro de 2016

Memórias em vinil



Miguel Esteves Cardoso estreia amanhã  às 17h30m, na Antena 1, um novo programa. Chama-se SOS Vinil e, promete MEC, será uma revisitação da música popular anglo-saxónica dos tempos em que o vinil era uma paixão.
Os leitores que acompanham o CR desde o início recordar-se-ão que já tive aqui uma rubrica intitulada "Rochedo das Memórias Musical", onde recordei os grandes sucessos dos anos 60 e 70. Pois, inspirado no programa do MEC resolvi retomar essa rubrica, mas com uma diferença: nesta série só  publicarei singles e álbuns que façam parte da minha discoteca pessoal em vinil.
Como é óbvio, não irei fazer concorrência ao MEC, até porque a rubrica dele promete só passar músicas conhecidas dos verdadeiros amantes.
Ora, como sabem, comigo é mais top of the pops e a língua será predominantemente francesa.
Todas as noites, por volta das 23h30m, a música está de volta ao CR.
Espero que esta nova rubrica vos agrade e conto com as vossas visitas e comentários para tornar esta rubrica mais animada.


  

Palavra do Senhor

Prometeu recomendar voto no PCP, BE e PS se a geringonça funcionasse.

Dia do Postal Ilustrado (28)

Setembro de 1958. Em Lua de Mel pela Europa, a minha irmã enviou-me este postal de Capri

sábado, 19 de novembro de 2016

Uma segunda oportunidade...


Eu sei que a maioria dos leitores do CR não leu este post, que publiquei antes da vitória de Trump, caso contrário, não tinham sido apanhados de surpresa.
Espero que neste fim de semana, até porque  vai chover, tenham tempo para ver um bocadinho deste vídeo. Parece-me muito elucidativo...

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Os Vampiros


Entre as doenças oncológicas, o cancro do pâncreas é dos que tem mais elevada taxa de morbilidade. Ao fim de 5 anos, só 20% dos doentes sobrevivem.
A cirurgia, além de complicada e de alto risco é muito dolorosa, de recuperação lenta e exige acompanhamento interdisciplinar quase permanente.
Ontem, Dia Internacional do Cancro do Pâncreas, Eduardo Barroso chamou a atenção para os anúncios" criminosos" de embusteiros que, com a cumplicidade de alguns hospitais, passam na nossa rádio.
Estes anúncios de milagreiros são um embuste e uma exploração indigna dos doentes, pelo que não se admite que ainda seja difundido na nossa rádio.
Enquanto quem de direito não toma providências, proibindo as rádios de difundir o anúncio,  sugiro que vejam ( e eventualmente divulguem) os alertas  do Dr. Eduardo Barroso



Jornalismo de alcova




O comissário europeu  esteve hoje em Lisboa. Ao início da tarde deu uma conferência de imprensa conjunta com Mário Centeno onde confirmou que não haverá sanções nem corte def fundos estruturais, enalteceu os progressos económicos de Portugal, reafirmou que Portugal está finalmente no bom caminho (Carlos Moedas dissera o mesmo ontem) e que o risco de  não cumprir as metas do défice em 2017 e 2018 é de 0,01%. 
Foi estabelecido que  os jornalista só podam fazer 3 perguntas a Moscovici e outras tantas a Centeno.
O primeiro jornalista perguntou a Moscovici qual era o risco de Portugal não cumprir o défice e a Centeno se o adiamento da  recapitalização da  CGD para 2017 visava adiar para o próximo ano o impacto dessa recapitalização.
As duas jornalistas que se seguiram perguntaram a Moscovici se tinha discutido a CGD  com o Banco de Portugal e o que pensava o  comissário europeu dos problemas do acordo estabelecido entre a CGD e o Governo.
A Centeno, as duas jornalistas colocaram a mesma questão: se havia um acordo escrito entre o governo e a CGD para que os administradores não entregassem as declarações de rendimentos.
Eu teria pelo menos 5 perguntas a fazer a Centeno relacionadas com a reunião que manteve com Moscovici e as notícias aparentemente positivas desta semana, entre as quais se destaca o grande investimento anunciado pela Renault em Cacia.
As jornalistas presentes, apesar de só disporem de duas oportunidades, optaram por colocar questões  relacionadas com assuntos de alcova.
Eu não me espanto, apenas me envergonho, do jornalismo que se vai fazendo em Portugal. 
Há cada vez mais profissionais a denegrir o jornalismo porque, em vez de pensarem e  fazerem um esforço para justificar a carteira profissional, optam por replicar as perguntas que o companheiro de alcova lhes sugeriu.
Para isso, não é preciso pagar a jornalistas. Basta ir a um bordel e contratar para as redacções profissionais especialistas em conversas de alcova. 

A greve



Os funcionários públicos estão hoje em greve. Têm muitas razões para estar descontentes.
As carreiras estão praticamente congeladas há mais de 10 anos, a transparência dos concursos continua a deixar muito a desejar,os salários estiveram sempre a diminuir desde 2010, há desigualdades salariais dentro das mesmas categorias, os horários de trabalho são diferenciados e foram, durante quatro anos, os bombos da festa sempre que se falava em reduzir a despesa.
Há no entanto uma grande diferença entre a justeza de uma greve e a sua oportunidade. E não me parece oportuno marcar uma greve poucas semanas depois de os funcionários públicos terem recuperado os salários que o governo anterior lhes tinha extorquido.
Ainda não sei se a adesão foi elevada, mas arrisco dizer que, apesar de ser sexta feira, terá sido a mais baixa dos últimos anos.
Seja qual for a adesão, Ana Avoila bem pode limpar as mãos à parede. Hoje os funcionários públicos queimaram um cartucho das escassas munições que têm para demonstrar o seu descontentamento ao patrão.
Tudo ( incluindo o bom senso) aconselhava que a greve só tivesse lugar em 2017. Exigir um aumento de 4% neste momento é absolutamente irrealista e despropositado. Os funcionários públicos vão, uam vez mais, ser vítimas da sede de protagonismo de uma dirigente sindical que já deu sobejas provas de falta de sensatez e perspicácia.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A petição

Corre por aí uma petição contra Trump, onde se pede que seja impedido de tomar posse do lugar para que foi eleito.
Não faço a mínima ideia onde essa petição teve origem, mas conheço muitas portuguesas e portugueses que a assinaram. Uma amiga insistiu comigo para que eu também assinasse e, perante a minha recusa, inconformada, disse:
- Se ao menos me desses uma boa razão, ainda podia compreender.
Foi então que, com toda a calma e paciência do mundo, perguntei:
- És americana?
- Que raio de pergunta mais parva. Sabes bem que não. Mas o que é que isso tem a ver?
- Tudo. Eu não assino porque não sou americano. Se me insurjo quando o Belzebu se intromete na vida dos portugueses, tendo inclusive o desplante de dizer que o governo anterior é que era bom e este é um desastre, não tenho direito de protestar contra a eleição de um tipo de que não gosto, mas em quem não pude votar e  foi democraticamente escolhido pelo seu povo.
A minha amiga não gostou da resposta, mas eu também não gosto de ver pessoas acusarem o Schaueble de se intrometer na nossa política e, logo de seguida, correrem a assinar uma petição a pedir que o homem escolhido pelo seu povo para dirigir os destinos do seu país, seja impedido de exercer o cargo. Parece-me muito pouco democrático e nada tolerante.