quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Times they are a changin'




Soube, há minutos,  que o Prémio Nobel da Literatura foi atribuído a Bob Dylan.
Além de espanto, a minha reacção foi de enorme regozijo. Bob Dylan é um dos meus ( ou dos nossos) é como se o Nobel tivesse sido atribuído a um vizinho ou amigo.
Compreendo agora que o atraso na divulgação não se terá devido a uma discordância do júri relativamente aos nomes de Murakami ( O Lobo Antunes japonês, pois todos os anos é referido como nomeado) Adónis ( o sírio seria um premiado politicamente incorrecto) o queniano Thiong'O ( provavelmente o mais politicamente correcto)  ou o americano Philip Roth ( demasiado mediático  para uma Academia que gosta de galardoar autores mais recatados e menos conhecidos do grande público).
Entre os 20 "favoritos" das principais casas de apostas, nunca surgiu o nome de Bob Dylan,  mais conhecido como o cantor de uma geração, do que pelos seus livros de poesia. A distinção é ainda mais surpreendente por se tratar de um compositor (músico) e pela justificação do júri "por criar novas expressões poéticas dentro da grande tradição da música americana". Apetece dizer:importa-se de repetir?
Adivinho a relutância de alguns dos membros do júri em aceitar a nomeação de Dylan, mas passo por cima disso e prefiro pensar que a justificação para o Nobel se encontra nas palavras de uma canção do poeta do beatnik:
"Times they are a changin"

Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'.

Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won't come again
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' who
That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.

Come senators, congressmen
Please heed the call
Don't stand in the doorway
Don't block up the hall
For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There's a battle outside
And it is ragin'.
It'll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin'.

Come mothers and fathers
Throughout the land
And don't criticize
What you can't understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin'.
Please get out of the new one
If you can't lend your hand
For the times they are a-changin'


The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin'.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin'.


Num tempo em que a Guerra Fria volta a ser uma ameaça, as pessoas já perceberam o embuste da globalização  e os povos desistem da democracia, o Nobel da Literatura a Bob Dylan poderá não despertar consciências, mas pode ser um sinal que a Academia Sueca percebeu que vivemos um tempo de mudança.

22 comentários:

  1. Em 2017, o Prémio Nobel da Literatura será atribuído a Joan Baez!!!

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  2. A ladbrokes todos os anos falava em Dylan.
    Não concordo com a AS.

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    1. Falava, diz bem, mas este ano não falou...

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    2. Este ano não falou... e o cantor ganhou.

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    3. Cantor e poeta. E se Ary tivesse ganho o Nobel, Teresa? Não seria bem entregue?

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    4. Bem entregue seria a Agustina Bessa Luis e ao António Lobo Antunes.

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  3. Mais uma vez te venho informar que hoje não comento, (mas quando soube da "novidade"nem queria acreditar... está tudo louco...) pois o motivo deste post e só para te comunicar que há um

    NOVO TEXTÍCULO

    CONTINUA A SAGA DA IMPOSSIBILIDADE – SABE-SE LÁ POR QUE MOTIVO… - DE ACTUALIZAR A INFORMAÇÃO SORE OS NOVOS POSTS COLOCADOS AQUI NA NOSSA TRAVESSA E QUE DEVERIA APARECER NO TEU BLOGUE MAS INFELIZMENTE NÃO APARECE.

    POR ISSO CONTINUAREI ESTA METODOLOGIA PARA TE AVISAR SEMPRE QUE HAJA UM NOVO ARTIGO. É O CASO DE ONTEM EM QUE PUBLIQUEI UM TEXTO – VÊ LÁ O QUE MEU NA GANA – QUE É UMA “NOVA VERSÃO” DO “TRIUNFO DOS PORCOS” DO SR. ORWELL. QUE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO ME CUBRA DE BÊNÇÃOS… JÁ QUE NÃO ME PODE COBRIR DE OUTRA MANEIRA…

    Henrique, o Leãozão

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  4. Fui agradavelmente surpreendida. Já estou como o Carlos, agora compreendo o atraso da atribuição do Nobel de Literatura. Nos atuais tempos de "cólera", vermos reconhecido o valor de Bob Dylan, é sentirmos que a beat generation furou e derrubou um status quo sem oposição. A contracultura de um passado recente, ou o espírito que dela emana, recebe uma chancela através das palavras de Dylan, num mundo podre e em auto-destruição.

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  5. Estranho sinal, na verdade, aquele que diz mais da percepção da academia sueca sobre os tempos que do mundo literário ele mesmo. E nem vou comentar a tirada de Bob Dylan ser "dos nossos". Gostava de pensar que o nobel não tem possessivos dessa natureza.

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    1. Bea, pois o Gabriel Garcia Marques é cá dos meus, como seria o António Lobo Antunes, que anda com grandes mágoas esperando triste acontecimento. Já o Vargas Lhosa (que ontem fiquei espantada ao vê-lo acompanhado da sua recauchutada noiva, que apenas tem vivido do seu aspecto para não lhe chamar outra coisa desde que deixou de ser mulher de Júlio Iglésias) não é dos meus, como não é quem despediu 15 jornalistas num só dia, deixando-os sem pão. Eu gosto de quem tem talento mas também tem carácter, até para assumir o seu modo de vida. Que pena o Homero já ter morrido, pois podia ainda ganhar o Nobel. Até não gosto das origens do Nobel, porque foi um limpar de consciência depois de ter matado o irmão e criado uma arma tão mortífera para o mundo.

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    2. Homero tem grande probablidade de não ter existido, como a Anphy bem sabe. E não desconverse. Leve lá a bicicleta acerca do nobel que eu já me estou a despedir do assunto. Quero mais é que se lixem esses sabichões todos. E mais a gente cheia de carácter e que faz músicas e vende que nem ginjas e depois vá de ganhar prémios. Não me apetece. E até acho que não é assunto do meu pelouro. Não sei nem um bocadinho de uma letra de Bob Dylan. Sou uma ignorante no assunto. E também não quero saber mais do que nada (hoje sou eu que faço birra, tiro-lhe a vez:)).

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    3. Beazita desculpe lá mas a mim, só eu posso cortar a munha garganta. por muito nas nuvens que ande, como costuma dizer, e porque também não tem tempo para futilidades, não me diga que gostou de ouvir a Alice Vieira comparar o Bob Dylan A quim barreiros. E olhe que não sabe o que perde por não conhecer nenhuma letra de Bob. è que elas fazem pensar, não são como a maioria das letras que há em inglês. Não sei porquê até me lembrei da janis Joplin. https://www.youtube.com/watch?v=iJb7cBfrxbo
      Biépi.

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    4. Já disse em qualquer lugar que a Alice Vieira está a brincar e não comento graçolas.

      E a gente se quiser pensar não precisa do Dylan. acredito no entanto que a sua poesia seja de qualidade e acompanhe o valor das canções ou quiçá o tenha feito. Mas, como sabe, a traduzir sou uma nulidade e ele não escreveu em português.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Para cantores/compositores há muitos outros Prémios a considerar. Não o de Literatura. Oponho-me. Oponho-me rigorosamente!!!

    Melhor continuar a ouvir o parvo do Trump! Um adjetivo que nunca, nunca uso. Posso dizer que nao faz parte do meu vocabulario ha decadas. Detesto a palavra. Mas para adjetivar o sr Trump... cai que nem uma luva! : )

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    1. Pode chamar parvo ao Trump. O que não pode é dizer que é melhor continuar a ouvi-lo.

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    2. Também reparei na afirmação. De tanto ouvir às tantas ficamos catequizados.

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    3. Não creio. Penso é que ele é mesmo ruído.

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  8. Carlos, não sabia e fiquei muito contente. Ele é um ícone duma geração, que merecia ser mais estudada. A geração da solidariedade. Não a dos Yuppies egoístas que vieram depois. O conjunto das suas letras diz muito mais do que muitos romances ou poesias galardoados. Precisávamos dum outro Woodstock.
    Tive a sorte de ver a Joan Baez no Dramático de Cascais, num dia 13 de Maio dos anos oitenta. Foi sua companheira e juntos muito contribuíram para a divulgação das lindas letras e músicas. Não é só cantar: yeh yeh yeh..

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  9. Quanto a mim, o Nobel da Literatura foi muito bem entregue a Bob Dylan. O facto de ser também cantor, não tira nem põe à qualidade da obra.

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  10. Tendo sido uma enorme surpresa, a verdade é que o nome de Dylan não caiu do céu, já tinha sido aventado várias vezes.
    Acho que nunca ninguém acreditou.
    E eu também não.

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