quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Ser genial é...

Informar as televisões que um ex-primeiro ministro vai ser detido, para garantir  o necessário aparato mediático capaz de mobilizar a opinião pública. Depois, " deixar fugir" para os jornais  informações sobre a acusação, mas nunca acusando, para que a opinião pública condene o visado com base no que vai lendo nos jornais e ouvindo nas televisões.
Quando a vítima já está "queimada" o trabalho está feito, mas fica a faltar uma peça essencial: a acusação. Sem provas não há acusação, pelo que o génio acusador se vê metido numa embrulhada da qual não sabe como sair.
Decide então recorrer aos seus amigos na comunicação social, para que lhe façam uma entrevista onde se revelará uma pessoa  "feita à medida" dos portugueses: humilde, tacanho e mesquinho.
 Pouco importa que a imagem seja construída e nada tenha a ver com o entrevistado. O toque de genialidade está nas insinuações que  faça ao longo da entrevista, visando a vítima e comparando-se com ela, de modo a que fique bem claro que o entrevistado está a incorrer em graves erros que poderão motivar um inquérito disciplinar.
Aqui chegado, o génio fica à espera, até que a decisão seja tomada.
Entrementes, avisa um jornal de que abandonará o processo da vítima se for alvo de inquérito.
No dia  da confirmação suspirará de alívio. Não encontrou provas para fundamentar a acusação, mas sai em ombros, como uma vítima a quem não deixaram fazer justiça contra os poderosos, tendo sido obrigado a abandonar o processo.
Arruma a secretária e vai para casa tranquilo. Finalmente todos ficam a saber que ele próprio também não acredita na justiça. Pelo menos na dos seus pares, porque na dele continuará a acreditar até ao fim.



5 comentários:

  1. Genial, Carlos? Eu diria que não passa de um parolo, com pretensões a vedeta. É por existir, entre os operadores de justiça, gente como esta que a Justiça em Portugal está como está: podre.

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  2. Entretanto, o 'génio' conseguiu o que queria.
    A PGR acaba de emitir um comunicado em que reconhece que o despacho de encerramento de inquérito da Operação Marquês não sera conhecido hoje, dilatando-o mais 6 meses.

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  3. Então, Carlos?
    Também quer ser genial? Não faça alusões veladas, diga, claramente, a quem se refere!

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    1. O Janita! Deve ser a única a nao saber a quem me refiro.

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  4. Boa, Carlos!!! Subscrevo cada palavra, cada ideia! O cavaco da «Justiça», um «herói» à medida dos tugas, Tal e qual... Ai, ai....

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