sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Que interesses impõem a neutralização da ASAE?



No início do ano fiz três pedidos ao governo. Um deles era que voltasse a dar condições à ASAE para retomar a sua actividade normal, cumprindo os seus deveres de protecção do consumidor, restituindo-nos confiança em relação à higiene e segurança alimentar.
Quando fiz esse pedido não foi apenas por discordar frontalmente das medidas do anterior governo que , por motivos políticos impediu a ASAE de actuar sobre determinados agentes económicos, transformando-a num organismo inócuo, afectando os interesses económicos e o direito à saúde e segurança dos consumidores .
O ataque começou em 2011, quando Pedro Mota Soares proibiu a ASAE de actuar junto das IPSS, uma medida cretina e criminosa pela qual deveria ser julgado, se não fosse um idiota inimputável. 
Adolfo Mesquita Nunes, secretário de estado da defesa do consumidor durante uns meses, também nutria um ódio especial pela ASAE. Deslumbrado com o liberalismo, acredita na selecção natural das coisas e despreza os direitos dos consumidores que considera "ridículos". Para ele a ASAE não tinha qualquer razão de existir. O importante, como defendeu quando era secretário de estado do turismo, é termos hotéis sem recepção, dentro de restaurantes ou teatros e sem classificação: cada um que descubra por si.
Regressei ontem de um período de duas semanas de férias. Em viagem pelo norte e centro do país, ao fim de mais de 2 mil quilómetros e mais de três dezenas de restaurantes e similares, confirmei aquilo de que já suspeitara em Julho, quando estive no sul: hotelaria e restauração andam em roda livre, a fazer o que lhes dá na real gana, a especular  e a colocar em causa a saúde dos consumidores.
Não aceito que este governo seja cúmplice e dê continuidade à política criminosa prosseguida pelo anterior executivo em relação à saúde pública e à protecção dos consumidores.
Casos como os que se podem ver no video ( a partir do 1m30s) que encabeça este post não podem ocorrer num país civilizado. Não se pode brincar com a saúde e segurança dos consumidores, pois isso prejudica os portugueses, mas também é um mau cartaz turístico para quem nos visita.
Em tempo: quando terminei de escrever este post, pessoa amiga informava-me que na semana passada a Visão publicou um artigo sobre o assunto. Como estava de férias, não li. Mas irei fazê-lo agora e, se encontrar algo de novo, voltarei ao assunto.

1 comentário:

  1. Carlos, ainda não vi este vídeo, mas o corte nas inspecções às IPSS é por demais explicado. por muito imbecil que seja o ex-lambreta, sabe que para as IPSS e instituições parecidas, há muitas que ainda não tem esse estatuto e fazem-se pagar muito bem (ou então não há vagas, em qualquer dos casos, a não ser para amigos, ou para quem apenas se deseja ver livre dos familiares), muita da comida que vai para estas instituições, já está fora de prazo, não é só a que não tem certo calibre, etc. Não estou com forças para mais. mas ainda esta semana li a notícia que foram encontrados cães congelados em arcas frigoríficas e outras coisas esquisitas. mas parece-me que não vale a pena preocupar-nos com estas coisas porque assuntos sérios ninguém comenta. As pessoas querem é divertir-se.
    Tinha feito um grande comentário sobre o postal de Bruxelas, que até o computador se assustou e quis ser reiniciado, e já não tive coragem para mais.
    Bom fim-de-semana.

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