sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Os Três Porquinhos no divã

Agora que Passos Coelho, forçado pelo PSD, optou por salvar a pele e desistiu de apresentar o livro do candidato a prémio Nobel da pulhice, está completo o elenco dos 3 Porquinhos
Para quem ainda não conheça o argumento, esclareço que o filme decorre no consultório de um psiquiatra e gira em volta de um porco arquitecto com problemas de personalidade que sofre de distúrbios mentais. 
Cada vez que tem uma crise, veste a  pele de uma personalidade. Assim, ao longo da vida já foi jornalista, arquitecto, delator ou escritor ( chegou a sonhar ser prémio Nobel) e uma série de personagens diversificadas quase sempre de má índole e calibre rasca, como foi o caso quando sede armou em detective à caça de gays em elevadores do Chiado.
O filme analisa a fase em que o arquitecto se transformou em Irene, a proprietária de um prostíbulo celebrizada numa canção de o  Nico Fidenco ( A casa de Irene). 
Saraiva, encarnando Irene, narra ao psiquiatra as histórias sexuais que os clientes lhe confidenciavam enquanto esperavam pela  prostituta favorita.
Estupefacto, o psiquiatra pergunta-lhe se o que lhe conta é tudo verdade. Saraiva apresenta-lhe o compincha pig Coelho que confirma as histórias e manifesta ao psiquiatra a sua grande admiração por Saraiva, uma pessoa " de notável inteligência e grande calibre intelectual".
O psiquiatra já não sabe o que pensar daquele duo e equaciona interná-los, mas é nessa altura que entra  o porco Valente, o produtor do filme que assegura nunca ter produzido obra de tão elevado nível técnico, e tão magistralmente escrito.
O psiquiatra pensa ver cifrões a bailar nos olhos do porco Valente e assume que também ele ( psiquiatra) não deve estar a bater bem da bola, por isso dá por encerrada a sessão de terapia  e vai a uma esquadra da polícia, onde apresenta queixa de três indivíduos de raça não identificada, que classifica de "loucos perigosos". 
Fonte bem informada assegurou-me que a verdadeira Irene tenciona processar o autor Zé Saraiva e o produtor do filme Guilherme Valente, pois a sua imagem sai fortemente beliscada. Recordo os leitores que Irene, apesar de muito solicitada pela imprensa italiana da época para divulgar nome de frequentadores do seu bordel, em troca de avultadas verbas, sempre recusou fazê-lo.
Compreende-se, por isso, que recentemente num círculo de amigos , depois de informada sobre o teor do livro,  tenha comentado:
Não admito que um filmezeco pornográfio de série B coloque em causa a minha dignidade. Nem eu, nem nenhuma das meninas seria capaz de divulgar as manias sexuais dos clientes da minha casa. Se não me pedirem desculpas públicas, processo-os.

Entretanto o elenco do filme já é conhecido
Saraiva ( autor) - o porquinho canalha
Passos  (político) - o porquinho cobarde
Guilherme Valente ( o editor)- o porquinho escroque

10 comentários:

  1. Depois da leitura deste excelente texto, pergunto: qual dos porcos é mais porco?

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    1. Uma pergunta difícil de responder, António.

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    2. De acordo, mas convém não esquecer os porquinhos curiosos que correram a comprar o livro É que afinal, são eles que alimentam estes três...

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    3. É isso mesmo, Carlos!

      Os portugueses adoram segredos de alcova. O livro vai ser um best-seller e dois porquinhos vão ganhar muita massa e ficam a rir-se dos moralistas.

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  2. Falta-me paciência para tanta bacorada.

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  3. Do que o Carlos me foi lembrar: Dum grande amigo meu que partiu este ano. A casa dele não era um prostíbulo, era mais tipo "Botequim" da Natália Correia. todas as noites entrava gente das mais variadas idades e artes, todas elas geralmente cultas, sendo o anfitrião também e com um espírito de humor extraordinário. Sempre que a campainha tocava começava eu:
    2A casa d'irene si canta si ride
    C'e gente che viene, c'e gente che va
    A casa d'irene bottiglie di vino
    A casa d'irene stasera si va"

    tempos que já não voltam.

    Quanto a esta vara até teria alguma coisa a dizer sobretudo do pulha canalha, até porque a mãe dele foi minha professora, mas nunca desceria ao nível dele. Quanto ao segundo bloquei-lhe a entrada na minha mente de tão reles que é. É que há cobardes vis que podem ter algum interesse, que mais não seja sobre tema de análise sociológica, mas este nem serve para isso.

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  4. Entretanto comemoremos o dia da publicação do "Estatuto do Trabalho Nacional", aprovado pelo Decreto-Lei n.º 23 048, de 23 de setembro de 1933. Foi uma grande conquista das corporações de artes e ofícios...

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  5. Penso se não seria melhor ignorar o livro e os três porquinhos. Acho que quanto mais se fala nele, mais gente haverá em querer ler o que lá está. E depois num país onde os programas líderes de audiências são os reality show não é de estranhar que quanto mais nojento for o livro, maior a procura.

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