terça-feira, 13 de setembro de 2016

Nem bons ventos, nem bons casamentos ( Actualização)

Está na altura de os portugueses perceberem, de uma vez por todas, que o adágio " De Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos", padece de uma desactualização geográfica.
Noutros tempos, esse  chiste anti espanhol talvez tivesse algum fundamento mas, no último  século, os maus ventos  sopram insistentemente de paragens mais distantes, localizadas no centro da Europa.
Instigadora (e causadora) de dois conflitos mundiais que destruíram a Europa e provocaram milhões de mortos, a Alemanha está apostada em dominar a Europa por via de uma guerra económica e, quiçá, criar condições para um novo conflito armado à escala mundial.
Nos últimos anos, a Alemanha é um ponto de conflito permanente no seio da Europa. Merkel exige aos países do sul que não violem o Tratado Orçamental com défices excessivos, incita a aplicação de sanções, mas a Alemanha foi a primeira a violar as regras e continua a fazê-lo, em virtude do superavit das transacções comerciais. Indiferente às acusações aquele bandalho da cadeira de rodas ainda se ri e ataca Draghi, por ele pedir "humildemente" à Alemanha que cumpra as regras. 
Mas quem é o presidente do BCE para exigir à Alemanha que não se comporte como um maltrapilho fora da lei e se sujeite à regras que obriga os outros a cumprir? A toda poderosa Alemanha está acima da Lei de ponto final.
A tentativa de interferir na política de âmbito mundial tem igualmente vindo a aumentar, com resultados preocupantes. 
As negociações com a Turquia, visando varrer os refugiados para debaixo do tapete é um exemplo dessa política incendiária que a Alemanha de Merkel e Schaueble vêm prosseguindo. O dinheiro pago à Turquia para ficar com os refugiados não só não resolveu o problema, como deu a Erdogan argumentos e pretextos para instalar na Turquia um regime tenebroso que preocupa qualquer pessoa minimamente atenta.
A mais recente acção de Merkel, embora possa à partida parecer inócua, pode resultar num grave problema a nível mundial.
Meteu-se naquela cabeça que a ONU deveria ser presidida por uma mulher. Como se isso fosse garantia de qualidade, paz no mundo e progresso, Merkel lançou-se na empreitada de colocar à frente daquela que deveria ser a instituição garante da paz no mundo, uma mulher. E não encontrou melhor maneira de o fazer, do que criar um conflito.
Quando António Guterres venceu destacadíssimo a terceira pré-votação, pediu a Ban Ki Moon que alertasse o mundo de que tinha chegado a hora de uma mulher exercer o mais alto cargo na ONU. Como o aviso não surtiu efeito ( Guterres ganhou ainda com mais vantagem a quarta votação). Merkel puxou pela sua faceta de alcoviteira e agiu por conta própria.
Primeiro tentou influenciar o G-20 para apoiar uma mulher. Depois, pediu ao governo búlgaro ,que mudasse a sua candidata e apresentasse, no seu lugar, Giorgieva, sua amiga pessoal.
Merkel já veio desmentir, mas entretanto entregou a tarefa de avançar com o apoio à candidatura de Giorgieva, o país mais antidemocratico, xenófobo e racista da UE: a Hungria.
Não acredito que Merkel insista em avançar com a candidatura de Giorgieva para chatear Portugal. O problema de Merkel é ver em António Guterres um candidato de esquerda e um humanista, que não vê as pessoas como simples números. Ela quer uma candidata de direita, apoiada pela direita radical europeia, porque é da sua família política mas, principalmente, porque pensa que chegou a altura de ser uma mulher a dirigir a ONU. Porque é melhor do que Guterres? Não! Porque é mulher!
Custa a acreditar que a chanceler alemã seja tão imbecil, ao ponto de tentar inviabilizar a eleição de um candidato quase consensual e forçar a eleição de uma mulher. 
Esta mania das quotas para mulheres em tudo quanto é sítio começa a ser uma irritante praga que apenas as diminui. Quase tanto, como celebrar o Dia Internacional da Mulher, colocando-a ao nível do Orangotango, do Lince Ibérico ou das Abelhas, que também têm os seus dias mundiais consagrados por lei.
Há mulheres extraordinárias a desempenhar cargos de grande responsabilidade e influência a nível mundial. A ONU não precisava de ser palco destes jogos de poder.
Fazer uma "guerrilha"  para instalar uma mulher apoiada por Merkel à frente da ONU fortalece o poder da Alemanha a nível mundial, mas enfraquece e descredibiliza a mulher que vier a ser eleita por via de jogos de bastidores.
Quanto a nós, portugueses, teremos cada vez mais razões para esquecer os velhos conflitos com Espanha e passar a dizer:
"Da Alemanha, nem bons ventos, nem bons casamentos..."

Em tempo: acabo de saber que afinal a tentativa de Merkel saiu furada e o governo búlgaro não vai apoiar a candidatura de Giorgieva. Isso não invalida a necessidade de alterar o adágio popular.Até porque não acredito que Merkel desista dos seus intentos em evitar a eleição de Guterres.

5 comentários:

  1. O casamento mais feliz de todos os tempos aconteceu na ALEMANHA, em Düsseldorf, num dia chuvoso de Agosto.

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  2. Pela experiência que temos tido, as mulheres que chegam a altos cargos políticos,normalmente comportam-se como homens. Às vezes ainda pior - talvez por julgarem que têm mais a demonstrar.

    Quanto à Merkel, concordo que deve ser por aí, além que uma "amigalhaça" deve ser mais fácil manipular...

    Beijinhos

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  3. «...a Alemanha está apostada em dominar a Europa...»

    ahahahahahahahah

    Alemanha: mais uma sociedade badalhoca para a colecção!...
    .
    .
    Ora, os indivíduos naturalizados não são parvos, isto é, sabem que a sua natalidade é imparável face à dos nativos, e sabem também que foram recebidos, não numa sociedade sustentável... mas sim, numa SOCIEDADE BADALHOCA:
    - a sociedade (nativa) não é sustentável (média de 2.1 filhos por mulher), nela existe critica da repressão dos Direitos das mulheres... todavia, em simultâneo, para cúmulo, nela defende-se que... no aproveitar da 'boa produção' demográfica proveniente de determinados países {nota: 'boa produção' essa... que foi proporcionada precisamente pela repressão dos Direitos das mulheres - ex: islâmicos}... É QUE ESTÁ A 'SALVAÇÃO' para resolver o problema do deficit demográfico na Europa!?!?!
    .
    Os badalhocos armadilharam o futuro das crianças nativas europeias:
    - como os nativos não possuem uma taxa de natalidade de 2.1 filhos por mulher... logo... irá acontecer uma SUJEIÇÃO AOS SALVADORES da demografia europeia: os islâmicos.
    .
    .
    .
    P.S.
    Cortar com a bandalheira antes que seja tarde demais:
    - http://separatismo--50--50.blogspot.com/.
    [o legítimo Direito à sobrevivência das Identidades Autóctones]

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  4. «A ONU não precisava de ser palco destes jogos de poder.»

    Olha, não!...

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  5. Já esperava por isto, carlos.
    Ainda recentemente o escrevia.
    Agora ia começar a dança diplomática, a dança dos gabinetes.
    E é esse o receio que tenho nesta eleição.

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