terça-feira, 20 de setembro de 2016

Declaração amigável

Seguia tranquilamente na estrada. Ao atravessar uma povoação parou na passadeira, junto a um cruzamento, para deixar passar três transeuntes. 
Voltou a arrancar mas, quando ia no meio do cruzamento, foi abalroado por um condutor que não respeitou o sinal STOP. Sai do carro furioso, pronto a insultar o energúmeno distraído e negligente mas, ao abeirar-se da viatura, percebe que o condutor é preto.
Refreia os seus ímpetos para não ser acusado de racista. Propõe então a assinatura da declaração amigável, mas o condutor informa-o que não tem seguro.
Então a solução é chamar a polícia- alvitra o condutor do veículo abalroado
É nesse momento que saem do veículo três latagões propondo uma solução mais consentânea. Cada um suporta o seu prejuízo e não se fala mais nisso mas, se o condutor abalroado pretender, um deles até trabalha numa oficina e faz uma reparação por bom preço.
A vítima recusa a oferta e insiste em chamar a polícia. Os ocupantes da outra viatura insistem que não faça isso. Está a ser um porco racista e vão eles apresentar queixa na polícia por estarem a ser vítimas de racismo.
O condutor lembra-se do livro de Pascal BrucKner “Os remorsos do Homem Branco”. Apesar de não tencionar aceitar a oferta, pede a morada da oficina e o contacto. Os ocupantes da viatura voltam a entrar no carro. Um deles diz:
Grande chatice, man! Agora vamos ter de roubar outro carro.

Não só podia ter acontecido, como aconteceu…

7 comentários:

  1. Tem piada, não sofro desse tipo de remorsos!

    Como para mim não há pretos, brancos, azuis, amarelos ou encarnados, as coisas são como são e pronto!
    E quando me falam de racismo (já passei por situações interessantes embora não em acidentes de viação) eu perunto quem é que está a ser racista! A razão não olha a raças e eu também não!

    E denunciar de imediato a situação?

    :)

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  2. Não sou racista mas também não sou parvo.
    O acidente devia ter sido comunicado à polícia. Os matulões também se 'abatem', como os menos corpulentos. Não metem medo, muitas vezes aquilo é só teatro para branco ver.
    De facilitismos estamos fartos e, regra geral, com maus resultados.

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  3. Racismo? A lei não diferencia raças. E o seguro é obrigatório.

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  4. Não li o livro de Pascal BrucKner “Os remorsos do Homem Branco”, mas conheço muito bem "os remorsos da mulher branca". Apesar que neste caso chamava as autoridades devidas.

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