quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Tão inimigos que nós éramos



Há seis meses Putin e Erdogan eram inimigos aparentemente irreconciliáveis. Só que em geoestratégia política os inimigos facilmente se tornam amigos inseparáveis e vice-versa.
As relações entre os líderes russo e turco sempre foram tensas, mas o abate de um avião russo pela força aérea turca, em Novembro de 2015, levou Putin a reagir com firmeza, no intuito de colocar em sentido Erdogan. Acabou com a isenção de vistos,  aconselhou os russos a não visitarem a Turquia  e, com isso, provocou uma queda de 95% do turismo russo para aquele país, o que teve um impacto de mais de 0,5% no crescimento  da economia turca.
Erdogan conseguiu amenizar as perdas com o negócio dos refugiados feito com a senhora Merkel e terá pensado que o golpe de estado de Julho iria fortalecer a sua posição nas negociações de adesão à Europa. A confiança era tal, que Erdogan admitiu mesmo reaplicar a pena de morte, para eliminar os seus adversários internos.
A Europa, mais uma vez, optou por uma reação dúbia  e  os EUA não satisfizeram ( pelo menos de imediato) a pretensão de  Erdogan  que pretendia a extradição do seu principal adversário ( Guhlen) a residir nos EUA.
Percebendo que, embora por razões diferentes, ele e Putin tinham inimigos comuns (EUA e UE), Erdogan tentou uma aproximação ao líder russo que, para além das sempiternas más relações com os americanos, tem um contencioso com a Europa por causa da Ucrânia.
Estavam desde logo reunidas as condições para que a reconciliação fosse um sucesso estilo autoritário ( para não escrever ditatorial) de ambos, conjugado com o interesse em combater inimigos comuns, facilitou a tarefa. Erdogan pediu desculpas a Putin e à família do aviador morto em Novembro pela força aérea turca e, ontem, sentaram-se os dois à mesa das negociações. Aproveitaram, obviamente, para mandar recados aos EUA e à Europa e no final, um assessor de Erdogan terá certamente comentado com o seu homólogo russo:
“Tão inimigos que nós éramos  e agora…”
O russo  não deixou que o turco terminasse a frase e respondeu:
“ Tão estúpidos eles ( os europeus) são , que conseguiram reconciliar dois inimigos que irão agora combate-los em conjunto” .
Esta manhã, algures, numa praia algarvia, em gozo de férias, Sócrates terá comentado:
“ Ontem, o mundo mudou!”

E não é que está cheio de razão?

9 comentários:

  1. Esse Putin é um prostituto nojento!
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Este comentário foi removido pelo autor.

      Eliminar
    2. Ematejoca, tens muito espaço para esparramares as
      tuas opiniões que não me interessam, porque mudam
      como o vento...
      Assim, agradecia que não interferisses mais, nos
      meus comentários.

      Eliminar
  2. Até quando?

    É bom não esquecer a Síria, onde a Rússia apoia o presidente Bashar al-Assad e a Turquia, os rebeldes que tentam depô-lo.

    Diga ao José Sócrates, lá no Algarve, que o mundo só vai mudar na era Donald Duck.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Teresa, esta senhora desde que criou um blogue ficou tão ditadora como o Dutra do Brasil. E eu que pensava que este era um blogue de bairro onde a gente podia trocar ideias. é nisso que reside ainda mais a sua força, além da capacidade do hospedeiro. eu que sou tão mal educada até afino quando as pessoas vêm aqui e só cumprimentam o anfitrião...

      Eliminar
  3. E a base da OTAN que está na Turquia? O mundo mudou mesmo. Quiseram brincar com os russos, impondo sanções que só prejudicaram o povo e agora em vez duma guerra fria talvez tenhamos um guerra bem quente. Só que, por enquanto, são fogos postos aqui e acolá porque todos têm medo de ir mais além, porque ninguém já controla ninguém. E esta história, para não falar de outras, começou pelo gás que passava pela Ucrânia, em que a fräulein Angie também jogou com um pau de dois bicos; tudo isto porque a Síria tem um porto de mar com águas profundas.
    O Carlos sabia que no tempo do Estado novo nos foi oferecido, pelos países de leste, gás natural, que entraria por um oleoduto vindo do norte de África e que Portugal recusou? Quem o disse foi um professor que eu tive, se já estou baralhada não sei.

    "Os nossos amigos de hoje podem sempre ser os nossos inimigos de amanhã".
    Nunca me esquecerei duma entrevista que ouvi nos tempos da guerra na ex-Jugoslávia em que o repórter perguntou a uma Croata, que namorava um Sérvio, o que é que ela faria se o visse na sua frente num campo de batalha, e ela respondeu simplesmente: Matava-o. Porque se não ele me mataria a mim. não sei se ainda hoje estarão vivos...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vivi na ex Jugoslávia e percebo muito bem o que escreve, Anfitrite. Sempre me fez confusão o sucesso de Tito, em conseguir unir gente que se odiava, mas também sempre percebi que aquela união so durava enquanto durasse Tito...

      Eliminar
  4. Duas criaturas absolutamente asquerosas.
    E muito perigosas.

    ResponderEliminar