terça-feira, 16 de agosto de 2016

Quand un bateau passe ( Actualização)




Uma maldição  parece perseguir os portugueses nas Olimpíadas. 
Se é verdade que ao longo do tempo os nossos atletas conquistaram algumas medalhas inesperadas, não o é menos que, a  partir do momento em que se geram expectativas em relação a determinados atletas, eles acabam por nos desiludir, ou ser vítimas de situações fortuitas extra competição.
Hoje, muitos estavam à espera de um dia glorioso, com duas medalhas. Alguns viam-nas mesmo luzindo como ouro. Em minha opinião, uma  na canoagem seria possível,  mas esperar ouro ( ou mesmo uma medalha) de Évora, era optimismo exagerado, se tentarmos a que estava ainda a recuperar de uma grave lesão.
Ao início da tarde, manhã no Rio de Janeiro, Nélson Évora, medalha de ouro em Pequim no triplo salto, quedou-se pelo 6º lugar, embora tenha conseguido a sua melhor marca do ano. As expectativas eram demasiado optimistas? Tudo leva a crer que sim. 
O caso de Emanuel Pimenta na canoagem foi diferente. Medalha de prata em Londres, chegou à final com o melhor tempo das eliminatórias, respirava confiança ia destacadíssimo aos 400m e as expectativas do ouro ganhavam força, mas a amaldiçoada lagoa Rodrigo de Freitas tinha reservado uma surpresa para alguns dos canoistas, invadindo algumas das pistas com algas. Uma das vítimas foi Emanuel Pimenta que, injustamente e por circunstâncias fortuitas extra competição, viu o seu esforço de quatro anos ruir como um baralho de cartas. 
A situação que prejudicou vários atletas e deu uma vitória inesperada a um espanhol, é apenas uma entre as muitas falhas da organização nestes Jogos Olímpicos. A verdade desportiva foi adulterada por negligência. O investimento feito para recuperar a poluída lagoa foi enorme, beneficiou aquela zona degradada do Rio, mas não foi suficiente para garantir a verdade desportiva. Um português campeoníssimo a nível mundial e europeu, foi apenas um dos prejudicados, mas estas coisas não podem acontecer em eventos como as Olimpíadas. Seja no Rio, em Sidney ou em Londres, há que garantir que o esforço dos atletas não é deixado à mercê de erros graves da organização. Infelizmente, foi isso a que hoje assistimos no Rio de Janeiro.
Em tempo: tudo quanto ficou aqui escrito, não invalida que continue a considerar a prestação da maioria dos atletas portugueses muito positiva. Principalmente a daqueles que, independentemente da classificação, melhoraram as sua marcas pessoais ou bateram reordes nacionais. O desporto não é apenas feito de vitórias. O essencial é superar-se em ada participação e isso, a maioria conseguiu.

2 comentários:

  1. C'est la vie. Quanto mais queremos algo menos o conseguimos, deve ter sido o que aconteceu aos nossos atletas.

    ResponderEliminar
  2. A organização deste Jogos está a ter falhas inadmissíveis.
    Algas???
    Assim se vai o esforço de anos!

    ResponderEliminar