terça-feira, 23 de agosto de 2016

Os remorsos do Homem Branco


Penso que a proibição do Burkini em algumas praias francesas terá efeitos contrários aos desejados  pelas autoridades. Como já aconteceu quando o governo de Paris proibiu o uso da burka e do nikab, o mesmo empresário argelino que criou um fundo de um milhão de euros para pagar as multas, não se importará de desembolsar mais algum para pagar as multas de quem for apanhado na praia com burkini.
Sou contra qualquer medida que interfira com o vestuário, apesar  de muitas vezes me sentir agredido na rua, ou em transportes públicos, por mulheres  normalmente bastante anafadas que, por não terem a noção do ridículo, usam calças descaídas e deixam à mostra  aquele canal que separa os hemisférios da bunda, também conhecidos por glúteos. Devo  mesmo confessar que apoiaria uma medida que proibisse algumas baleias de usar bikini na praia e as obrigasse a usar burkini. É que toda a poluição visual, incluindo a dos painéis publicitários,  me é extremamente incomodativa.
O facto de duvidar da eficácia da proibição do burkini não me impede, no entanto, de criticar aqueles que se insurgiram contra quem decidiu, acusando-os de xenófobos e antidemocráticos.
Aconselho os críticos a visitarem alguns países árabes e beber álcool na rua, enquanto as suas mulheres e/ou filhas vão à praia de bikini. Perceberão, in loco, a tolerância desses regimes aos hábitos ocidentais.
No fim de semana discutia esta questão com críticos e defensores da proibição do burkini. Expressei a minha opinião e manifestei a minha preocupação pela forma como nós, ocidentais, alienamos os nossos valores e cultura,  com receio de sermos considerados racistas e xenófobos.
Foi a isto que Pascal Bruckner chamou “ Os remorsos do Homem Branco”.
Lamento muito confessar que estou de acordo com ele. O colonialismo europeu foi deplorável e não deve ser esquecido, mas não podemos passar o resto das nossas vidas a penitenciar-nos pelo comportamento miserável dos nossos pais e avós. Nem devemos exigir às gerações mais jovens que  continuem a “pagar” pelos pecados dos antepassados, renegando as conquistas que foram feitas nas últimas décadas.

Se insistirmos nesse discurso de penitência, estamos apenas a dar força à extrema direita, cujo discurso é cada vez mais apelativo para os jovens.   E, o que é mais grave e insane, a abrir as portas a regimes totalitários, com o argumento de estar a defender democracia.
Ah, antes que me esqueça... não me venham com a conversa de que a mulher deve pode ir à praia com a indumentária que lhe apetecer. Isso é conversa da treta para desviar a atenção do essencial.

5 comentários:

  1. Estou a pensar em tornar-me intolerante à poluição visual. É que os homens barrigudos – as caxarelas, ou seja, os machos das baleias (termo brasileiro), que usam fatos de banho speedo incomodam-me também. Que figura!! Não têm um espelho em casa?! Tal como as baleias?!!
    A senhora de “fato” preto não tem a cara tapada, não será, pois, uma burca, e protege-se dos danos causados pelo sol. ; )))
    Não gosto da burka nem do nikab, mas não me incomodo com o hijab.

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  2. POr mim é até podem ir nus. O que não quer dizer que fosse gostar de estar a olhar o mar e subitamente me aparecesse à frente algo que ia estragar a linda vista...
    Eu acho os fatos delas para ir à praia até sexys...
    Mas isso sou eu, que sempre gostei do "mais tapado" versus o "destapado". E não é por pudor, é mesmo por não gostar de ter a pele a assar ao sol :)

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  3. Eu tive uma professora de LITERATURA que era baixinha, gorda e toda redonda, com três caracóis na cabeça, e que ainda por cima se chamava Cândida, que sempre dizia que "A beleza é um conceito" e vibrava quando lia um qualquer soneto.
    Mas, francamente, hoje já não me apetece sair à rua, porque só vejo monstros à minha frente. Já não há estética nenhuma, ou conceito nenhum, nem na transparência onde até as grávidas, usam vestidinhos justo e elásticos, onde até se vêem os umbbigos salientes. Mas as baleias e os cachalotes, senhor, porque lhes dás tanta dor, porque padecem assim?
    E nesta época de vacances então é impossível...estou mesmo a ficar misantropa... e isto digo eu que sou um espírito alegre(?), que já usei tudo ou nada e até usei flowers in my hair. mas eu não tenho culpa de ser agradável à vista e de ter o meu bom gosto. Acho que a anestesia que vou levar logo já me está a fazer efeito...

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  4. Quando se começa a legislar acerca do que as pessoas podem ou não vestir vamos por muito mau caminho...

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