quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Indignados

Como já aqui escrevi, os secretários de estado que foram ao Euro a convite da Galp não lavam a sua honra pagando as viagens. Admitir que o assunto está encerrado, só porque se passou um cheque, revela um perfil inadequado ao exercício de funções públicas.
É lamentável que os secretários de estado não tenham percebido que o seu comportamento legitima  qualquer funcionário do fisco a aceitar “lembranças” de um contribuinte incumpridor.  Se for apanhado, devolve e o assunto está arrumado? Obviamente que não.
Igualmente criticável é que António Costa tenha fingido não compreender a amplitude das consequências do acto dos seus ajudantes, permitindo que eles continuem em funções. Até inexplicável, se nos lembrarmos da reacção de Costa às bofetadas prometidas por  João Soares a dois críticos oscilando entre a senilidade e o alcoolismo.
Inaceitável, é que a comunicação social não hesite em condenar o comportamento dos secretários de estado, insinuando que foram corrompidos, mas se esqueça que só há corruptos se houver corruptores. Neste caso-  seguindo o raciocínio  plasmado em alguns escritos-  o corruptor terá sido a GALP que, por um princípio de coerência,  deveria ser igualmente julgada e punida, por (tentativa de) corrupção. Sobre isso, a comunicação social tuga diz nada. O mesmo tem feito em relação aos deputados e dirigente do PSD que aceitaram idênticos convites da GALP ou de outras empresas, aceitando sem rebuço as desculpas esfarrapadas, dadas dias depois de a notícia ter sido conhecida.
Ouvi há dias, de um jornalista com alguma tarimba, uma explicação no mínimo bizarra. Dizia ele   que o convite a um  secretário de estado tem uma dimensão e relevância muito maior do que um convite endereçado a um deputado e que o nível de responsabilidade de um membro do governo é diferente de um deputado.

Pasmei com esta justificação. Determinar o grau de relevância de um alegado acto de corrupção, em função da notoriedade do cargo ocupado pelo corrompido, não é apenas ignorância. É o retrato da indigência a que chegou o jornalismo. 

1 comentário:

  1. Durante anos dei formação a funcionários públicos aqui em Macau, Carlos.
    E sempre lhes transmiti a mesma mensagem - lembra-se do Despacho do Governador a limitar as prendas ao montante de 500 patacas? Eu dizia-lhes, e sou disso um exemplo, que ignorassem esse Despacho.
    Não há cá prendas para ninguém!!
    O servidor público tem um bom salário, boas regalias, estabilidade de emprego, salário certo a dia certo.
    E é isso, que já muito, que tem que lhe bastar.
    Se não está contente, e quer receber prendas, mude de profissão.
    Nada de prendas!!

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