segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Fast car





A experiência remonta ao século passado e teve  origem nos EUA  e Canadá. Na Europa deu lugar a um projecto que se vem desenvolvendo e a Portugal chegou, se não estou em erro, em 2015.
Falo da “justiça restaurativa” um processo que  põe em confronto o criminoso e a vítima. Diz quem sabe que o criminoso compreende melhor a dor que causou e a vítima aceita melhor o crime e compreende melhor o criminoso.
Eu não sei a que tipo de crimes se aplica a justiça restaurativa mas não me parece que  uma vítima de violação, por exemplo, alguma vez seja compreensiva com o seu violador. Nos casos de violência doméstica, ainda aceito essa possibilidade, embora a terapia familiar consiga igualmente bons resultados.
O princípio em que assenta a justiça restaurativa “ experimentar para melhor julgar” pode ser muito cristão, mas não me parece que contribua para uma sociedade melhor.
Eu nunca perdoaria a um pedófilo que abusasse de um filho meu e também não acredito que os terroristas que matam em França, ou os doidos que atacam na Alemanha, sintam algum arrependimento. Quanto aos familiares das vítimas, também não me parece que estejam dispostos a perdoar, ou compreender, as motivações de um terrorista.
Para pequenos furtos a coisa pode funcionar, mas em muitos casos basta o bom senso para  compreender e desculpar um tipo que rouba uma lata de conservas de um supermercado.
Querer perceber as motivações dos criminosos e induzir as vítimas a perdoar e compreender é cool mas, esperar que um pirómano que ateou vários fogos, provocando a destruição de bens e a perda de vidas seja perdoado e compreendido por quem perdeu a sua casa, ou viu ceifada a vida de entes queridos, parece-me demasiado optimista.
Aqui chegado, gostaria de perceber a razão que levou os políticos a implementar esta justiça restaurativa. É que, sendo aplicada há 30 anos nos EUA, já deveria ter produzido efeitos, mas os únicos visíveis foi o aparecimento de Guantanamo ( onde os “diálogos” eram de uma violência inusitada)  e o aumento da criminalidade violenta e aparentemente gratuita.
Creio, porém, que a justiça restaurativa tem potencial e nós, portugueses, poderíamos ser pioneiros na sua aplicação.
Uma vez que a justiça restaurativa foi inventada, ou pelo menos aplicada, por políticos, seria justo que fossem eles os primeiros a vivenciar essa experiência. 
Para início de conversa, pegava-se na corja  que nos governou durante mais de quatro anos, delapidou o nosso património, condenou milhares à fome e ao desemprego, ou desmembrou famílias obrigadas a emigrar,  e impunha-se-lhes que vivessem durante um ano com salários de 500 €, três anos no desemprego, sem direito a subsídio, e os restantes seis meses fossem obrigados a emigrar
 Não estou certo que Passos Coelho, Portas, Marilú, Mota Soares  e restante tralha pafiosa  manifestassem qualquer arrependimento pelos crimes que praticaram mas, pelo menos, mostrávamos ao mundo que a justiça restaurativa pode ser aplicada àqueles que a criaram.
Quanto à canção que escolhi, creio não necessitar de explicações. A letra diz tudo...

10 comentários:

  1. Fast Car do CD MATTERS OF THE HEART.

    Eu não aceito os casos de violência doméstica. Nenhuma terapia pode sarar as feridas de uma violência, seja ela doméstica ou não. A única solução é o divórcio.

    Beijinhos não violentos da Tracy Hoffbauer.

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  2. Sou fã da Tracy
    e, por outro lado,
    o texto está muito bem "esgalhado"!

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  3. Não acredito nesse tipo de justiça.
    A ter alguma aplicação, alguns resultados, teriam que ser limitados a casos muito específicos.

    Já acredito (muito!) na Tracy Chapman.

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  4. Caro Carlos Oliveira
    Passaram mais de três anos e meio que fui vitima de um crime (burla).Que a mim e à milha filha atirou para o limite da indigência ao ponto de deixarmos de ter onde viver. Claro que logo que tive consciência da extensão da vigarice (e não foi preciso muito tempo) apresentei queixa no ministério publico. Sei que a PJ está a investigar este e outros crimes cometidos pelos autores. Espero nunca os encontrar (a jeito) porque talvez o criminoso passe a ser eu. Abraço (se reparar quebrei o jejum). Abraço!
    Rodrigo Henriques

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    1. Caro Rodrigo
      Como já escrev no FB, gostei imenso de o ver por aqui, mas preferia que trouxesse melhores notícias do que estas. Compreendo perfeitamente a sua revolta e eu, se estivesse no seu lugar, certamente teria a mesma reacção. Espero que tudo se resolva e a sua vida volte à normalidade. Um grande e forte abraço.

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  5. Faço integralmente meu, se o autor permitir, o comentário de Pedro Coimbra e concordo com Ematejoca.

    Boa tarde, amigo

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  6. Quanto a mim não existe perdão possivel para este tipo de crimes, deveria haver justiça pesada,isso sim!
    E concordo com a Ematejocas, o divórcio é a única solução, termina a violência, mas deixa marcas muito profundas e ainda o medo de andar na rua, falo de alguém que tenho muito proximo.

    Beijinho Carlos

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