quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Conselhos a pais desesperados

Está cansado de ouvir os seus filhos queixarem-se que estão fartos de férias?  Não encontra mais maneira de os distrair? 
Eu tenho a solução que fará os seus filhos gozarem as férias até à ultima gota sem pestanejar. Diga-lhes apenas:
- Aproveita agora, porque quando começares a trabalhar  vais queixar-te que tens férias a menos.
Não resultou?
Então deixe que ele se canse mesmo das férias. Quando chegar à idade adulta dirá como o Tony Carreira que "As férias são uma chatice!"

O dr Passos mete-se nos copos...

... E depois tem visões
Diz ele que ninguém investe num pais que tem no governo comunistas e bloquistas.
Eu gostaria que ele nomeasse os ministros ou secretários de estado comunistas e bloquistas.
Nao o conseguindo,agradecia que  nos informasse o dia da chegada o Diabo a Portugal e, já agora, se vem de avião a que horas aterra, para eu nao estar lá... Nao que eu tenha medo do Diabo.Tenho, sim, muito medo do dr. Passos que, tenho a certeza, estará  na Portela a esperar o seu melhor amigo, a seguir ao Relvas.
Eu sei que as visões do dr Passos são um excelente apoio para a geringonça mas, mesmo tendo em consideracao que ele estava em Boticas, num dia de calor, detesto gente que  tem dificuldade em manter-se sobria.
Mas atenção! As declarações estapafúrdias e idiotas de membros do PSD afectos a Passos multiplicam-se, o que leva a crer que a dose anda muito barata para os lados da Lapa.

O milagre Celta

Além de outros custos nao mencionados, o milagre celta custou aos irlandeses  muitos milhares de milhões de euros, montante que o governo irlandês prescindiu de cobrar a Apple em impostos.
Nao me espanta que o governo dos pafiosos admirasse tanto a Irlanda. Afinal a sua receita era a mesma:roubar aos cidadãos para entregar as empresas. 
Uma vez que o governo irlandês vai recorrer da multa de 13 mil milhoes de euros aplicada a Apple pela UE, suspeito que alguma vantagem terá retirado da "isenção" concedida ao gigante americano.
Por cá a ideia de isentar empresas de impostos, ou aplicar-lhes taxas ridículas não se terá concretizado, certamente com muita pena de Passos Coelho, tão habituados a esquecer-se das suas obrigações com o Estado, que consideraria certamente normal obrigar os portugueses a pagar os impostos das empresas.
De qualquer modo e bom nao esquecer o emprego oferecido a Marilu logo que deixou o governo, ou os 11 empregos de Portas e lembrar que nao ha almoços grátis...

Diz- me o que comes...

Num desses inquéritos de Verão, a Marilu revelou que o seu prato preferido e Bife na Pedra.
Atendendo a quem se trata nao era de esperar escolha mais requintada. A única coisa que ela tem e gourmet e na escolha dos tachos...
De qualquer modo seria bom avisar Marilu que a carne em excesso provoca problemas de irrigação cerebral o que pode ser um problema grave para quem já nao deve grande coisa a inteligência. Como ficou ontem demonstrado em  Castelo de Vide.

Alo Brasil!

Para todos os meus amigos brasileiros que neste momento temem pelo seu futuro e pelo futuro de um pais que ameaça regressar ao tempo dos jagunços, do esclavagismo encapucado  e da ditadura mascarada de democracia.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Carreiras top star

Carlos Carreiras preside a uma Câmara ( Cascais) cujos serviços nao conseguem responder, num mês, a uma pergunta tão simples como esta:
Com que fundamento a Câmara Municipal de Cascais autorizou uma discoteca do Estoril a funcionar até as 8 horas da manha em dias úteis, violando os princípios básicos do bem estar dos cidadãos que precisam de trabalhar e levantar-se a horas decentes e chegar ao trabalho sem serem olhados de viés pelos colegas e superiores hierárquicos, que pensam que ela andou na noite e se marimba para o trabalho?  
Obviamente que os serviços da Câmara  conhecem as razoes da autorização, mas eu so ontem fiquei a saber, quando fui informado sobre a identidade do proprietário do Ocean Clube do Tamariz.
No entanto, Carlos Carreiras obriga os bares de Cascais com música ao vivo a suspenderem os trinados a partir da meia noite, alegadamente, para nao perturbarem o sossego dos moradores. E segue o mesmo principio durante as Festas Do Mar, o que indicia uma coerência que o presidente da edilidade cascaense nao tem em relação aos moradores do Estoril. 
Este mesmo Carlos Carreiras deu uma entrevista ao DN de ontem, onde tenta passar uma imagem de pessoa de bem. Pelo meio,
manda umas farpas a António Costa, colocando em causa a sua capacidade para liderar o pais e anunciando a desgraça num futuro próximo. Insiste que Passos Coelho nos salvou e admite que o líder do PSD volte (num dia de nevoeiro?) para repor as coisas na ordem. 
Com a cumplicidade da jornalista que o entrevistou, tendo o cuidado de nao colocar questões que o comprometam, Carlos Carreiras nao enunciou uma única medida concreta do seu mandato que tenha contribuído para melhorar a qualidade de vida no concelho, mas deu uma informação preciosa que revela a sua estatura moral:
Em plena crise, durante uma das cerimonias festivas de que tanto gosta, Carlos Carreiras pressentiu que havia gente que ia causa problemas, quando terminasse a cerimonia. 
Decidido, dirigiu-se ao "agitador" e perguntou:
"Nao me conheces?"
O homem terá ficado aflito e perguntado de onde e que Carreiras o conhecia.
Nao estivemos presos os dois juntos?-perguntou Carreiras
O homem terá confirmado que tinha estado preso e dito o nome do estabelecimento prisional onde estivera, ao que  Carreiras retorquiu dizendo que ele estivera no Linho, por isso tinha confundido o interlocutor.
A conversa ficou por ai, mas alguém na comitiva terá perguntado a Carreiras se alguma vez tinha estado preso.
"Nao, mas resolvi o problema"-respondeu Carreiras.
Esta historieta e bem capaz de ser gargaleira de Carlos Carreiras, mas admito, sem rebuço, que o homem de aos serviços instruções semelhantes, para perguntas incomodas dos municip


Mas que grande cena, meu!


Aviso prévio: este post foi escrito e publicado no Onthe rocks em Setembro de 2014. É apenas uma "Cenas de Taxis" que publiquei lá e aqui no CR, cuja reedição hoje inicio. O intuito  é recordar que o melhor é mesmo recorrer aos serviços da UBER sempre que precise de um táxi

Eu sei que há taxistas burlões em todo o lado mas, talvez por já estar em “modo férias” este que me caiu em sorte no Porto, na ultima sexta –feira, irritou-me ferozmente.



Chegado a Campanhã, apanhei um táxi. Levava a pasta-mala habitual por cujo transporte nunca me cobraram, mas o taxista obrigou-me  a pô-la na bagageira, alegando que ultrapassava as dimensões mínimas regulamentares.



Decidi não protestar porque o taxista era demasiado mal encarado  ( é quase um pleonasmo, porque mais de 90% dos taxistas sofrem desse mal) e não me apetecia arranjar discussões.  Mentalmente, decidi imediatamente que ia apresentar queixa dele, mas entrei no carro disposto a pagar o que ele me cobrasse.



Enquanto ele subia a Fernão de Magalhães a uma velocidade louca, cometendo várias transgressões, apercebi-me que ia ter problemas quando chegasse, porque o homem não marcou no taxímetro o 1,60€ do transporte da bagagem.



Assim que cheguei às Antas, as minhas suspeitas confirmaram-se. Quando ia pagar o que estava marcado no taxímetro, o homem  lançou um “Ah! Esqueci-me de marcar o transporte da bagagem!”

Azar seu- respondi. Só pago o que estiver marcado. 

Felizmente tinha dinheiro certo sem precisar de troco. Pedi recibo  e entreguei-lhe o dinheiro certo. Depois de ter a mala comigo, obviamente

Então e o transporte da bagagem?- perguntou o mal encarado

Já lhe disse que não pago mas, se quiser, chame um polícia.

Meteu-se imediatamente no carro enquanto vociferava  em altos berros: Grande FDP, vai para a PQP!



Entrado em casa, telefonei para a radio táxi e apresentei queixa. Obviamente que não dará em nada e o ToZé ( assim se chamava o motorista) vai continuar pelo país a roubar os clientes e o patrão.

De qualquer modo, fica aqui um aviso aos leitores do Porto ( ou que se deloquem ao Porto de comboio)



Se encontrarem um táxi com a matrícula 00-EV- 29, pertencente à Auto Taxis Clesil,  de Vermoim- Maia, perguntem ao condutor se se chama Tozé. Se for, o melhor é não entrarem, porque o homem, além de antipático, é um grande vigarista!

Adenda:  Já o taxista que me trouxe hoje a Campanhã para apanhar o comboio de regresso a Lisboa era de uma extrema simpatia e educação. E, obviamente, nada me cobrou pelo transporte da pasta-mala.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O povo tem sempre razão?

Palpita-me que a expressão " vão para o raio que as parta" teve origem numa situação destas.http://www.jn.pt/mundo/interior/relampago-matou-mais-de-300-renas-na-noruega-5361493.html..

Os turistas são uns malandros(3)

O Airbnb esta a provocar o aumento das rendas e a contribuir para a desertificacao dos centros urbanos.
Muitos portugueses quando visitam as principais cidades europeis correm para o Airbnb a ver se encontram alojamentos mais baratos, porque os preços dos hoteis são incoortaveis para a maioria.
Felizmente somos portugueses, por isso nao contribuímos para descaracterizar os centros urbanos das capitais europeias, estamos apenas a dinamizar a economia local.

Empresários ou patrões?

Ha tempos comentava com um ex dirigente do IEFP, o caso de uma empresa cujo proprietário tinha apenas a quarta classe e tinha cerca de uma dezena de engenheiros a trabalhar consigo. Os engenheiros lamentavam-se porque pretendiam modernizar a empresa mas, constantemente, obtinham do patrão a mesma resposta:"trabalho assim ha 50anos, nao vou agora mudar so porque uns miúdos com o curso de engenharia dizem que e melhor".
Respondeu-me esse ex -dirigente o que eu  venho dizendo ha anos.:em Portugal quase nao temos empresários.So patrões.
As ultimas noticias que tem surgido na comunicação social confirmam a falta de qualidade dos nossos patrões. Além de falta de liderança, resistência a modernização e falhas graves ao nível da gestão, os nossos patrões tem a mão leve, como o demonstra o facto e nos últimos cinco anos muitos milhões vindos de Bruxelas, com o objectivo de revitalizar empresas, terem acabado com as empresas na falência e muitos trabalhadores desempregados.
Sei muito bem que nem todos são desonestos e que muito desse dinheiro nunca deveria tEr sido entregue, porque as empresas eram inviáveis, mas também conheço casos em que os dinheiros. Bruxelas foram aplicados para outros fins.
Na semana passada soube-se que alguns patrões obrigavam os estagiários a devolver a parte dos salários que deviam ser pagos pela empresa ao abrigo de um protocolo celebrado com o Estado que premeia empresas que contratem estagiários. Nao satisfeitos com isso, os referidos patrões  obrigavam os estagiários a pagar a Taxa Social Única. 
Inicialmente a comunicação social fez passar a mensagem de que o IEFP nao tinha agido, porque os estagiários nao denunciavam as situações. 
A justificação caiu por terra quando um estagiário confirmou ter apresentadoqueixano IEFP em 2013. Sem sucesso.
Eu gostava de perguntar a todos aqueles que dizem que a salvação do pais esta na iniciativa privada e no empreendedorismo, se e com estes  empresários que devemos contar para credibilizar  o Pais e dinamizar a nossa economia.
Mas gostaria de perguntar também se e com dirigentes que pactuam com esta actuação que podemos confiar na Administração Publica. 
Mota Soares e comandita do  CDS  escandalizaram-se quando o actual governo por ter despedido as chefias nomeada pelo próprio Mota Soares, que fizeram de cegos, surdos e mudos no caso das fraudes com os estágios. Devo concluir, portanto, que estavam satisfeitos com as pessoas que tinham nomeado. Mais uma razão para nao perceber como ainda existe quem afirme que com o anterior governo o pais tinha futuro. Ou melhor:até compreendo.Anda por ai muit a gente disfarçada de empresaria, mas pertence a um bando de vigaristas mafiosos que so sobrevivem a conta de dinheiros do Estado, com quem tem relações privilegiadas que lhe permite fazer vida de rico a custa da exploração dos trabalhadores e dos subsídios que vão recebendo. 

domingo, 28 de agosto de 2016

Bons de bola

Bom jogo de futebol entre Sporting e FC do Porto. Pena aquele lance de andebol que falseou o resultado.
Perder por culpa alheia chateia, mas pior ainda e perder jogando mal, ou porque a equipa nao mostrou garra.
Hoje o FC do Porto perdeu, mas jogou bem, com garra, a Porto, o que já nao via ha mais de dois anos. Perdemos um jogo, mas confirmou-se a minha suspeita após o jogo de Roma. Temos equipa! Se as coisa nao descambarem e golos com a mão nao forem validados, talvez tenhamos razoes para sorrir no final da época.

sábado, 27 de agosto de 2016

Dia Postal Ilustrado (18)



Para muitos portugueses, talvez mesmo a maioria, as férias estão a acabar. Para outros já estão tão distantes, que já anseiam pelas próximas.
Ora um dos postais que a Teresa nos enviou também nos transporta a férias muito distantes, numa época em que o Algarve ainda não era um destino turístico.
Este belíssimo postal retrata a Praia da Rocha no longínquo ano de 1935. Creio não errar se disser que ainda nenhum dos leitores do CR era nascido...
Já quanto ao segundo postal, enviado à mãe da Teresa em 1953, por altura do seu aniversário, talvez pudesse ter sido igualmente enviado a  alguns dos leitores que por aqui passam. Incluindo a mim que, por esse ano, começava a juntar as letras e a decifrar algumas palavras no Primeiro de Janeiro e no JN.


Muito obrigado à Teresa que ainda enviou mais um postal, de 1946, que publicarei quando iniciar a segunda volta de postais enviados pelos leitores.
Com mais esta participação se vai enriquecendo esta bela colecção de postais.
Como no próximo fim de semana   e estarei de férias irei assinalar mais um aniversário do CR. publicarei um exemplar da minha colecção.
Entretanto, como já terminaram as férias, lembro aos leitores que manifestaram vontade em enviar postais, quando as férias terminassem, que podem continuar a enviar os vossos postais para

diabilhetepostal@yahoo.com

Bora lá vasculhar as gavetas e baús e partilhar as vossas relíquias connosco!

Those were the days (14)


Este governo já não nos manda emigrar mas, para uma viagem de férias ou de fim de semana, a TAP continua ( em minha opinião) a ser uma boa escolha.
Tenham um excelente fim de semana.
Daqui a umas horas, mais uma leitora e amiga do CR vai enviar-vos dois postais. Muito bonitos e antigos, sendo que um deles faz lembrar férias e retratra um paraíso perdido. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Cervantes e Camões falavam em que língua?

 Ontem, durante o sorteio da Liga dos Campeões e atribuição de prémios da UEFA, passaram-se coisas estranhas.
Que o apresentador Pedro Pinto, embora português, tenha apresentado o programa em inglês, e normal.
Estranho mesmo foi ele falar com Roberto Carlos em português e o jogador brasileiro responder em espanhol!
Mais tarde, quando Cristiano foi chamado ao palco, a conversa foi em inglês. O que se aceita, por razoes obvias, mas aquele dialogo luso castelhano com um brasileiro pelo meio, deixou-me perplexo!
E nao e embirração com a língua de Cervantes, juro!

Ai Assunção, Assunção!

Marcou-o ter crescido em África?
Marcou-me depois, não nessa altura. Era português, nascido em África, mas não era nada africano. Vivíamos numa grande aldeia no meio de África ( Moçambique) mas nada era África. No meu liceu (Salazar) havia dois africanos ( nde: Pascoal Mocumbi, que havia de ser ministro da saúde e dos negócios estrangeiros de Moçambique e Joaquim Chissano)
(…) Estranhava como é que estando em África só havia dois africanos, mas era assim. Cresci numa verdadeira colónia em África (…)
Quem diz isto, em entrevista ao DN, é Constantino Sakellarides, que nasceu em Moçambique, veio aos 18 anos para Coimbra onde tirou o curso de medicina e voltou, como médico voluntário, para Moçambique.

Eu pergunto à mulher fenómeno ( e a muitos outros saudosistas que deixaram África ainda de chupeta) se as suas reminiscências de África não estarão mais relacionadas com histórias do colonialismo saudoso ouvidas dos seus pais e avós, do que com o tal cheiro. É que, se for cheiro, então Assunção Cristas talvez esteja a confundir a savana com o sangue dos escravos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Os turistas são uns malandros(2)

Porque destruíram as nossa praias do Algarve.
Dando de barato que a culpa é do turismo ( o que não corresponde  inteiramente a verdade) lembro que os portugueses que se insurgem contra esse
"turismo selvagem" não tiveram as mesmas preocupações quando invadiram as praias do Nordeste brasileiro, das Caraíbas ou do sudeste asiático, contribuindo para a sua descaracterização. 

Foi então que senti a revolta a crescer dentro do peito

A outra entrevista- a que me referia ontem no post sobre o SNS - foi publicada na revista Visão da semana passada. A entrevistada, Fátima Cardoso, dirige o programa de investigação do cancro da mama na Fundação Champalimaud.
Nasceu em Moçambique de onde saiu com 8 anos e, ao contráriodeste fenómeno da natureza, não tem memórias de África porque- diz- teve amnésia pós traumática.
Bem presente na memória de Fátima Cardoso estão outros momentos que nos dão sobejos motivos para questionar o que andamos por cá a fazer além de caçar Pokemons, esperar  em longas filas para comprar uma fartura, o livro do Harry Potter ou a última novidade tecnológica ( porque queremos ser os primeiros) sem um protesto, ou acusar o  governo e os calhordas dos funcionários públicos que nos obrigam a esperar uma hora na repartição de finanças para pagar uma multa por não termos sido diligentes e conscienciosos na  declaração do IRS.
Entre as memórias bem presentes de Fátima Cardoso está a dificuldade no recurso à quimioterapia oral, por questões meramente burocráticas, ou a administração de um número exagerado de sessões de radioterapia, porque esse é o interesse ( económico) dos hospitais.
Outro momento digno de registo na entrevista é quando Fátima Cardoso alerta para a dificuldade em aceder a medicamentos  antigos,  baratos e muito eficazes no combate ao cancro, em detrimento de medicamentos novos, muitíssimo caros e que só funcionam associados aos medicamentos antigos. A continuar assim, alerta, “deixamos de poder tratar cancros, porque os medicamentos inovadores e caros são para um grupo limitado de doentes”.
A médica lembra que esteve mais de um ano sem acesso a um corticoide indispensável para o tratamento de metásteses cerebrais. O medicamento até estava a ser produzido pela indústria, mas em quantidades reduzidas e o que se produzia era desviado pelas distribuidoras para a Alemanha que paga  cinco vezes mais.  Esta aberração  explica-se porque as distribuidoras invocam o mercado livre, essa  maravilha tão sedutora que, em nome do lucro, dá carta de alforria para deixar morrer pessoas.
A entrevista a Fátima Cardoso permite perceber, de uma forma muito clara,  os interesses que se movem por detrás de quem pretende destruir o SNS. No futuro, vale a pena estar atento e tirar as devidas conclusões, quando um ex governante for contratado por uma farmacêutica…
É cada vez mais notório que caminhamos para uma Medicina a duas velocidades, onde quem tem dinheiro para pagar tem acesso a medicamentos e quem não tem morre. Continuando assim, um dia destes havemos de querer SNS, mas não o vamos ter- como já alertava a minha mãe.
Se outros factores supravenientes  não anteciparem a necessidade de o fazer, quando a extinção do SNS ( ou a sua redução a serviço para pobres) for uma realidade, muitos perguntarão se valeu a pena o esforço para aumentar a esperança de vida. 


Não será uma conquista reservada apenas a quem tem dinheiro, cujo investimento científico foi  custeado pelo Zé  Contribuinte ( que dele não irá beneficiar), porque os ricos não só não pagaram a crise, como também fogem aos impostos?

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Those were the days (11)




Se os putos de hoje sentissem a mesma alegria que eu senti quando recebi de presente uma Kodak Instamatic, de certeza que  seriam mais felizes e não torceriam o nariz de enjoo e enfado, quando os pais lhes oferecem um smartphone que não seja topo de gama.

Requiem pelo SNS?



São muitas as pessoas com responsabilidade e conhecimento profundo da área da saúde, a avisar para os riscos de deterioração, quiçá destruição, do Serviço Nacional de Saúde.
As redes sociais não têm dado grande eco a esses avisos mas, paulatinamente, quase em silêncio, os vampiros vão minando o sistema e impondo as suas regras.
Nos últimos dias, duas entrevistas  fizeram tocar as campainhas num qualquer recanto do meu subconsciente. Numa delas, Constantino Sakellarides ( na foto), uma das maiores autoridades em matéria de saúde, diz ao DN  que “ Têm feito uma sangria no Serviço Nacional de Saúde” e explica como: deixando sair profissionais competentes, seguindo uma política de recrutamento assente no compadrio em detrimento das qualificações, desinvestindo em equipamentos, cortando verbas, deixando degradar a qualidade dos serviços.
Como explica  este jubilado que aos 75 anos continua apostado em defender e melhorar o SNS, a acção dos governos nos últimos anos está em consonância com o ideário europeu, manifestamente contrário a  Serviços Nacionais de Saúde e defensor da iniciativa privada, lucrativa para uns quantos, penalizadora para a maioria dos cidadãos.
É recorrente ouvir  queixas de utentes sobre o mau funcionamento do SNS. A minha mãe  usava uma expressão – e  alguém me a relembrou  há uns dias-  que se adequa perfeitamente à relação que os portugueses têm como os serviços de saúde: “hás-de querer e não ter!”.
Com esta advertência, queria a  minha mãe alertar-me para o facto de por vezes desvalorizar aquilo que me ofereciam, ou não dar valor devido  às circunstâncias que me permitiram, enquanto criança e jovem, ter uma qualidade de vida muito superior à da maioria dos portugueses.
Nunca esqueci este ensinamento e muitas vezes o invoco (como ainda ontem fiz aqui) porque encerra uma verdade universal que a sociedade de consumo desvalorizou, dela escarnecendo.   
Ao cultivar o supérfluo e valorizar o desperdício, incitando-nos a adquirir a novidade sem cuidar se dela precisamos, a sociedade de consumo criou uma sociedade de idiotas, onde cada um se procura afirmar desde tenra idade, não pelo que vale, mas sim pelo que tem. Como em tempos escrevi, vivemos num modelo social onde é mais importante “parecê-lo” do que “sê-lo”. Por arrastamento, desvalorizamos as conquistas de Abril ( de que o SNS é talvez o exemplo mais paradigmático) que consideramos eternas, e estamos  desatentos àqueles que nos querem privar delas, em nome de um mercado livre onde em primeiro lugar está o dinheiro, depois a economia e só no fim vêm as pessoas.
Com tanta desatenção, um dia acordamos e não temos SNS. Como já não temos outras conquistas de Abril. Culpa exclusivamente nossa porque:
- ou andamos a votar naqueles que  defendem os interesses das empresas e não os das  pessoas;
 -ou estamos demasiado absorvidos a desfrutar dos bens materiais supérfluos que a sociedade de consumo  promove através da publicidade e não prestamos atenção a quem nos anda a querer roubar;
 ou ainda porque  se tornou tão normal ir para as urgências dos hospitais, quando  uma dor de cabeça nos atormenta, que nem nos apercebemos que o recurso sistemático às urgências não só coloca em causa a qualidade do serviço, como prejudica aqueles que têm problemas de saúde graves.i
O SNS é demasiado importante para que o deixemos deteriorar-se, ou mesmo desaparecer, sem luta. De lamentos estamos todos fartos.


AVISO:  No início do post fiz referência a duas entrevistas. Como o texto já está demasiado longo, abordarei a outra amanhã.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Ponte de Sor: brincadeiras de adultos

A pequena vila de Ponte de Sor saltou este fim de semana para as primeiras páginas pelas piores razoes. Muito se tem escrito sobre a agressão barbara ao jovem Ruben, os miúdos iraquianos já foram condenados em praça publica, mas eu nao vou alimentar esta discussão, enquanto nao poisar a poeira. Nem sempre o que parece obvio corresponde a realidade e o facto de os intervenientes serem todos menores aconselha prudência. Mas também alguma reflexão sobre a violência gratuita entre adolescentes que se embebedam descontroladamente porque...Bem fico-me por aqui,  porque este post nao pretende abordar uma rixa entre adolescentes, mas sim um problema envolvendo adultos. Fica a promessa de voltar ao assunto.
O que me leva a escrever sobre Ponte de Sor relaciona-se com incêndios. Ha dias, um fulano completamente embriagado conduzia de madrugada uma carrinha de caixa aberta. Um pneu terá rebentado, mas ele continuou a conduzir. A jante, em brasa, provocou faíscas que se espalharam e provocaram mais de 20 focos de incêndio. Um deles provocou um incêndio de enormes dimensões.
O autor  ( ainda que involuntário) dos incêndios foi presente a tribunal, acusado de vários crimes de fogo posto e de conduzir embriagado, com uma taxa de alcoolizai de 2,1 g/l.
A juíza  confirmou a inibição de conduzir durante 4 meses, uma multa de 360 euros e dois anos e meio de prisão com pena suspensa. A  viatura ( uma imprestável carrinha de caixa aberta, quica comprada com dinheiro de subsídios comunitários destinados a agricultura) reverteu para o Estado.
Comentários? Para que? Fica apenas a minha gargalhada de desprezo.
Aviso:este post nao tem acentos, porque foi escrito no iPad. O meu computador nao se deu bem com os ares do Estoril..

Um grito pela Europa ecoou no Rio de Janeiro


Talvez a maioria dos leitores saiba quem é a mulher na foto, mas eu confesso que só este fim de semana soube que é italiana, se chama Elisa di Francisca, pratica esgrima e ganhou uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
O que  terá ela feito de tão importante, para que eu escreva um post apresentando-a aos leitores do CR tão distraídos como eu?
Pois fiquem sabendo que Elisa, na altura de subir ao pódio, sacou desta bandeira da UE e exibiu-a com orgulho.
É bom saber ( e digo-o sem qualquer ponta de ironia) que ainda há gente  que acredita na Europa, se orgulha de ser europeia  e exibe esse orgulho num evento tão importante como as Olimpíadas.
 Num momento em que a Europa vive mergulhada em contradições e põe em causa alguns dos seus valores fundamentais, é digno de registo - e provocou em mim até uma pontinha de emoção- que uma atleta lance o alerta para  esses valores identitários com que foi educada.
Finalmente, é bom saber que os jovens acreditam na Europa onde cresceram e defendem os seus valores. Isso significa que se essa geração um dia chegar ao poder, talvez possamos encarar com um pouco mais de optimismo o futuro europeu.
Oxalá!

Os remorsos do Homem Branco


Penso que a proibição do Burkini em algumas praias francesas terá efeitos contrários aos desejados  pelas autoridades. Como já aconteceu quando o governo de Paris proibiu o uso da burka e do nikab, o mesmo empresário argelino que criou um fundo de um milhão de euros para pagar as multas, não se importará de desembolsar mais algum para pagar as multas de quem for apanhado na praia com burkini.
Sou contra qualquer medida que interfira com o vestuário, apesar  de muitas vezes me sentir agredido na rua, ou em transportes públicos, por mulheres  normalmente bastante anafadas que, por não terem a noção do ridículo, usam calças descaídas e deixam à mostra  aquele canal que separa os hemisférios da bunda, também conhecidos por glúteos. Devo  mesmo confessar que apoiaria uma medida que proibisse algumas baleias de usar bikini na praia e as obrigasse a usar burkini. É que toda a poluição visual, incluindo a dos painéis publicitários,  me é extremamente incomodativa.
O facto de duvidar da eficácia da proibição do burkini não me impede, no entanto, de criticar aqueles que se insurgiram contra quem decidiu, acusando-os de xenófobos e antidemocráticos.
Aconselho os críticos a visitarem alguns países árabes e beber álcool na rua, enquanto as suas mulheres e/ou filhas vão à praia de bikini. Perceberão, in loco, a tolerância desses regimes aos hábitos ocidentais.
No fim de semana discutia esta questão com críticos e defensores da proibição do burkini. Expressei a minha opinião e manifestei a minha preocupação pela forma como nós, ocidentais, alienamos os nossos valores e cultura,  com receio de sermos considerados racistas e xenófobos.
Foi a isto que Pascal Bruckner chamou “ Os remorsos do Homem Branco”.
Lamento muito confessar que estou de acordo com ele. O colonialismo europeu foi deplorável e não deve ser esquecido, mas não podemos passar o resto das nossas vidas a penitenciar-nos pelo comportamento miserável dos nossos pais e avós. Nem devemos exigir às gerações mais jovens que  continuem a “pagar” pelos pecados dos antepassados, renegando as conquistas que foram feitas nas últimas décadas.

Se insistirmos nesse discurso de penitência, estamos apenas a dar força à extrema direita, cujo discurso é cada vez mais apelativo para os jovens.   E, o que é mais grave e insane, a abrir as portas a regimes totalitários, com o argumento de estar a defender democracia.
Ah, antes que me esqueça... não me venham com a conversa de que a mulher deve pode ir à praia com a indumentária que lhe apetecer. Isso é conversa da treta para desviar a atenção do essencial.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Those were the days (10)


Quem frequenta este Rochedo há muito tempo, perceberá a razão de eu nada escrever sobre este ícone da indústria portuguesa.
Para os outros, direi apenas que não me ficaria bem fazê-lo. 
Lamento é que naquela  magnífica série "Conta-me como foi", tenham escolhido uma máquina de costura Singer, em detrimento da portuguesa Oliva... 

Em português nos entendemos?

Um jornalista da RTP, enviado ao Rio de Janeiro, conseguiu fazer uma reportagem no interior da favela "Inferninho", a escassos metros do Estádio Olímpico.
A conversa com os moradores decorria informal, mas interrogativa.
A páginas tantas João Pedro Mendonça (?) entabula conversa com um morador que responde numa linguagem arrevesada.
- Porque está a falar comigo em espanhol e não em português?- pergunta o jornalista
- Porque você está falando comigo em espanhol...

A cena nem sequer é inédita. Acontece-me frequentes vezes no Brasil, porque sempre recusei falar com o sotaque local. Se trago à colação este episódio, é apenas com o intuito de lembrar, a quem ainda não percebeu, que por mais acordos ortográficos que se façam, não será a via legislativa a alterar ou facilitar o entendimento. 
O que explica, também, a razão de poucos autores portugueses  estarem publicados no Brasil.

Taxis? Bye, bye!

Nunca experimentei a Uber. Apesar de várias pessoas amigas me terem afiançado que o serviço  é excelente, mais cómodo e mais barato do que o táxi, sempre tive em consideração, na hora de recorrer aos serviços de taxi, que os taxistas  têm despesas que os motoristas da Uber não têm, como é o caso do alvará. 
Apesar de reconhecer o tratamento quase primitivo de muitos taxistas e o incómodo que representa ter de ouvir música em altos berros, ou comentários trogloditas, durante o percurso, desde que a luta com a Uber começou, admiti que o governo tinha uma tarefa difícil para resolver, se quisesse ser justo. Estive do lado dos taxistas, por considerar que estavam a ser vítimas de concorrência desleal.
O governo conseguiu resolver o problema de forma equilibrada que, admito, não terá agradado inteiramente aos taxistas, nem à Uber. É normal nestas situações.
Menos consensual é que o desagrado dos taxistas tenha tido como consequência uma série de ameaças, veiculadas para a comunicação social, através de Florêncio de Almeida, dirigente da Antral.
Ao insinuar que os taxistas irão fazer justiça pelas próprias mãos,  podendo mesmo recorrer à violência  para resolver o problema, Florêncio Almeida não dá apenas um tiro no pé, debilitando ainda mais a  imagem dos taxistas junto da opinião pública. Afasta centenas de utilizadores dos serviços de taxis

Pessoalmente, não tenciono voltar a utilizar um táxi, enquanto a ANTRAL não retirar as ameaças e pedir desculpa aos utentes pelo seu comportamento.

domingo, 21 de agosto de 2016

Para tudo se acabar na quarta-feira





Terminam hoje os Jogos Olímpicos. Eu sei que hoje é domingo, mas penso que esta canção se enquadra bem dentro do espírito dos Jogos do Rio. Foram os primeiros falados em português e  os primeiros realizados no hemisfério  sul, fora da Austrália ( que os realizou duas vezes). 
Muito haveria a dizer à volta destes jogos que, obviamente, não foram perfeitos, mas terão ultrapassado as expectativas de muitos que temiam um desastre. 
Sei que os brasileiros continuam divididos entre os que criticam o dispêndio de verbas e os que se sentem orgulhosos, mas isso acontece em qualquer parte onde se realizem os Jogos.
Quanto à participação portuguesa, esteve um pouco aquém das expectativas que, em minha opinião, eram irrealistas. 
Comoacontece sempre, houve algumas desilusões, alguns azares, uns quantos "estivemos quase lá", sorrisos de satisfação e lágrimas amargas por não se ter conseguido valorizar o trabalho de 4 anos.
Somos um país pequeno com atletas de nível mundial em muitas modalidades onde, ainda há uma ou duas décadas nem sequer existíamos. 
Temos feito progressos notáveis, a maioria dos nossos atletas trabalha sem as condições de outros de países com dimensão desportiva inferior à nossa.
Pese embora um ligeiro travo amargo, devemos estar orgulhosos pelos que representaram o país no Rio de Janeiro.
Não será um ou outro insucesso, ou resultado aquém das expecctativas mínimas, que ensombrará a nossa presença. 
Um dia o resultado do esforço dos nossos atletas será recompensado com medalhas.  

sábado, 20 de agosto de 2016

Dia Postal Ilustrado (17)


Esta semana, mais dois belíssimos postais 


Ambos foram enviados pela Adélia ( ainda enviou mais um que será publicado posteriormente) 
O primeiro é de Ponte de Lima ( casa do Anquião)


O segundo muitos leitores identificarão, facilmente, como o Hotel GolfMar em Porto Novo.
Assim se vai enriquecendo esta bela colecção que ainda tem muitos belos exemplares para mostrar. 
Agradeço à Adélia a sua colaboração e relembro os leitores ainda interessados em participar, que poderão enviar os vossos postais ( num máximo de três) para o seguinte endereço:
diabilhetepostal@yahoo.com

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Those were the days (9)



Bons foram os tempos em que eu não perdia uma. 
Há muitos anos que lá não vou e tenho saudades. 

No calor da noite...



Respiração ofegante, corpo suado, sensibilidade à flor da pele, ele disse:
- Querida, estás um pêssego!
Ela discordou, mas sorriu e não respondeu
No dia seguinte, quando se foi deitar, surpreendeu-o com um baby doll  branco estampado com kiwis.
Ele reagiu de mau humor:
- Francamente querida! Não esperas que eu vá chamar os fotógrafos a esta hora da noite, pois não?

Vida de cão


Um estudo realizado na Universidade de Nottingham concluiu que, no último quarto de século, aumentou a infertilidade dos cães.
Ente as causas apontadas, o estudo realça a exposição dos canídeos a produtos tóxicos usados nos nossos lares e a alimentação industrializada.

Não me querendo intrometer no estudo, permito-me apontar outra causa que me parece ser relevante: a forma como muitos cãezinhos são tratados pelos donos, que os confundem com bibelôs e por vezes os vestem de forma tão ridícula que os pobres bichos devem sofrer ataques de pânico motivados pela vergonha que sentem ao cruzar-se com os seus semelhantes.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Esta mulher é um fenómeno!




Nasceu em Luanda em Setembro de 1974, veio para Portugal no ano seguinte e só voltou a Luanda em 2004, mas considera-se angolana. 
Tanto, que em entrevista a Anabela Mota Ribeiro não tem rebuço em afirmar que quando chegou a Angola pela primeira vez, com 30 anos, foi ver todos os locais que foram da sua vida e se sentiu em casa.
Memória de infância fantástica a desta mulher que saiu de Angola com menos de 1 ano!
Pelo meridiano de Cristas eu, que vivi mais tempo nos Estados Unidos, em Inglaterra, na Suécia, na Argentina ou em Macau, do que ela em Angola,sou um "cidadão do mundo".
E como os meus avós nasceram no Brasil e o meu pai viveu por lá, ainda posso ter mais uma hipótese de escolha. 

Those were the days (8)




Condenado à morte quando rebentou a guerra dos detergentes, protagonizada pelo Tide e pelo Omo, passaram-lhe a certidão de óbito com a descoberta dos "glutões" do Presto. Resistiu nos lavadouros, enquanto existiram lavadeiras, mas desapareceu dos cenários domésticos com a entrada em cena da máquina de lavar que destronou os velhos tanques de pedra.O outrora famoso sabão azul e branco ganhou um novo fôlego, graças à gripe A e à ministra da saúde, Ana Jorge, que o aconselhou para lavagem das mãos, como alternativa aos desinfectantes.
 Voltou a ser notícia nos jornais em 2010. No Norte  vendia-se em versão rosa. Vá lá saber-se porquê…
A maior fatia da produção (seis mil toneladas) destina-se ao mercado africano, garantindo 26 postos de trabalho em Portugal. Depois do conselho da ministra, a empresa aumentou significativamente o volume de vendas em Portugal. É curioso constatar, no mercado das novas tecnologias, a ressurreição de “velharias” com novas potencialidades.
Debelada a gripe A, logo alguém - receoso de que se perdessem as potencialidades do sabão macaco- decidiu utilizá-lo no campo da literatura. O advogado Hugo Marçal, acusado de mais de 40 crimes, no processo Casa Pia, lançou um livro com o sugestivo título "Sabão Azul e Branco". Não poderia haver título mais sugestivo e imagem mais adequada ao dia de hoje.

O " Sabão Azul e Branco" - também conhecido como sabão macaco- é multifunções e serve para tudo. Bem... quase tudo... porque apesar das suas múltiplas potencialidades, nunca conseguirá apagar uma nódoa como o governo dos Pafiosos.  Passos, Portas , Marilú ou Mota Soares, foram nódoas da nossa jovem democracia que, pela  sua forma de agir, revelaram resquícios do Estado Novo, uma página negra da nossa História que nem os glutões do Presto serão capazes de eliminar.

Indignados

Como já aqui escrevi, os secretários de estado que foram ao Euro a convite da Galp não lavam a sua honra pagando as viagens. Admitir que o assunto está encerrado, só porque se passou um cheque, revela um perfil inadequado ao exercício de funções públicas.
É lamentável que os secretários de estado não tenham percebido que o seu comportamento legitima  qualquer funcionário do fisco a aceitar “lembranças” de um contribuinte incumpridor.  Se for apanhado, devolve e o assunto está arrumado? Obviamente que não.
Igualmente criticável é que António Costa tenha fingido não compreender a amplitude das consequências do acto dos seus ajudantes, permitindo que eles continuem em funções. Até inexplicável, se nos lembrarmos da reacção de Costa às bofetadas prometidas por  João Soares a dois críticos oscilando entre a senilidade e o alcoolismo.
Inaceitável, é que a comunicação social não hesite em condenar o comportamento dos secretários de estado, insinuando que foram corrompidos, mas se esqueça que só há corruptos se houver corruptores. Neste caso-  seguindo o raciocínio  plasmado em alguns escritos-  o corruptor terá sido a GALP que, por um princípio de coerência,  deveria ser igualmente julgada e punida, por (tentativa de) corrupção. Sobre isso, a comunicação social tuga diz nada. O mesmo tem feito em relação aos deputados e dirigente do PSD que aceitaram idênticos convites da GALP ou de outras empresas, aceitando sem rebuço as desculpas esfarrapadas, dadas dias depois de a notícia ter sido conhecida.
Ouvi há dias, de um jornalista com alguma tarimba, uma explicação no mínimo bizarra. Dizia ele   que o convite a um  secretário de estado tem uma dimensão e relevância muito maior do que um convite endereçado a um deputado e que o nível de responsabilidade de um membro do governo é diferente de um deputado.

Pasmei com esta justificação. Determinar o grau de relevância de um alegado acto de corrupção, em função da notoriedade do cargo ocupado pelo corrompido, não é apenas ignorância. É o retrato da indigência a que chegou o jornalismo. 

Vamos lá ganhar isto!

Podia acusar o calvinista que veio da Holanda, para arbitrar no Dragão, de ter impedido o FC do Porto de vencer hoje a Roma por ter tomado decisões que, objectivamente,  prejudicaram o meu clube. 
Não o vou fazer, porque não é totalmente verdade.Embora o holandês tenha actuado de forma a demonstrar que não é só o holandês dos caracolitos que odeia portugueses, a culpa do empate foi dos azuis e brancos que entraram mal no jogo, nervosos, a errar passes e lentos na recuperação de bolas. Foram dominados durante 25 minutos e  ainda fizeram um autogolo que colocou os italianos em vantagem e com o apuramento para  fase de grupos na mão.
A reacção azul e branca começou no último quarto de hora e o resultado podia ser diferente ao intervalo, se o calvinista que estava plantado na linha de fundo tivesse visto uma mão de um italiano na área, que toda a gente viu, menos ele, porque devia estar a ver no smartphone se o cheque já tinha sido depositado na sua conta.
A segunda parte foi portista, com um golo de grande penalidade ( o calvinista que estava na outra linha de fundo via melhor do que o camarada do lado oposto), um outro golo anulado, depois de vários minutos de consulta entre o calvinista chefe e os seus apóstolos e algumas oportunidades perdidas.
O FC do Porto perde à cabeça 15 milhões,  as contratações para a nova época tornam-se mais complicadas, mas vai jogar a Liga Europa onde com este plantel tem boas hipóteses de passar a fase de grupos.
Estou a ser irónico, mas é para desalinhar desde já daqueles que irão dizer que a Liga Europa é para ganhar. Não é. O Dragão perdeu grandes jogadores nas últimas épocas, gastou imenso dinheiro com aquisições de jogadores que se revelaram mercenários e hoje em dia não tem equipa. Vai demorar alguns anos a reconstruir um trabalho que deu frutos, mas se desfez em poucos meses, quando Pinto da Costa acreditou ter encontrado o seu sucessor e foi na conversa de contratar o inexperiente Paulo Fonseca, primeiro, e depois o basco Lopetegui que, não sendo mau treinador, não tem a mística necessária a uma equipa como a do FC do Porto. Terá estaleca para a selecção espanhola? Não falta muito tempo para sabermos a resposta.
A Liga dos Campeões esta época já era. O importante, agora, é construir uma equipa que devolva ao FC do Porto os seus tempos de glória. Vamos lá ver se isso é possível, sem uma limpeza drástica no balneário directivo, onde os candidatos a sucessores de Pinto da Costa se acotovelam e pontapeiam, perante a passividade do presidente dos dragões, incapaz de puxar do cartão vermelho e expulsar as ervas daninhas que estão a destruir o clube. 


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Bem prega Frei Tomás



A SICAL  faz publicidade em pacotinhos de açúcar, sob a “insígnia” de provérbios. Embora não utilize açúcar no café, os pacotes por vezes chamam a minha atenção. Foi o que aconteceu com este, onde se lê:
Quando estiver a comer a fruta, pense na pessoa que plantou a árvore”.
Ao ler este conhecido provérbio vietnamita, mil vezes citado nas redes sociais como sendo chinês, a minha reacção foi imediata. Teria sido bem mais eloquente a SICAL se improvisasse e escrevesse:
“Quando estiver a beber o café, pense no salário miserável de quem colheu os grãos”.

Para quem não tenha percebido a minha sugestão, eu explicoaqui.

Os turistas são uns malandros! (1)

O desenvolvimento do turismo nos últimos anos tem sido uma notável fonte de receitas para o nosso país
Como acontece em qualquer destino turístico em expansão, as receitas geradas pela actividade turística têm um custo ambiental, resultante da degradação patrimonial e um impacto no estilo e qualidade de vida das populações autóctenes.
Quem acredita que o turismo é uma indústria que só traz benefícios, está obviamente fora da realidade. É nesse contexto que apoio a aplicação de uma taxa ambiental aos turistas que nos visitam. Não se infira daí que alinho com  quem lamenta o excessivo número de turistas e condena  as actividades turísticas conexas que geraram novas oportunidades de negócio. Apenas penso que devem ser postos alguns limites regulados pelo bom senso, de modo a evitar impactos ambientais permanentes ou irrecuperáveis. 
Não compreendo é aqueles que criticam o excessivo número de turistas,  esquecendo que enquanto turistas se comportam de igual modo. 
Os turistas são uns sacanas e uns selvagens que estão a destruir e descaracterizar o país, mas quando lhes cobramos 3€ por meio litro de água engarrafada, ao balcão de um boteco sujo e pardacento, passam a ser uns tipos porreiros. É assim que contribuem para o aumento da riqueza nacional.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Those were the days (7)

Embora o ferro eléctrico tivesse sido inventado em 1885, em meados do século passado, em muitos lares ainda se podiam ver estes ferros de engomar GALO.

Quand un bateau passe ( Actualização)




Uma maldição  parece perseguir os portugueses nas Olimpíadas. 
Se é verdade que ao longo do tempo os nossos atletas conquistaram algumas medalhas inesperadas, não o é menos que, a  partir do momento em que se geram expectativas em relação a determinados atletas, eles acabam por nos desiludir, ou ser vítimas de situações fortuitas extra competição.
Hoje, muitos estavam à espera de um dia glorioso, com duas medalhas. Alguns viam-nas mesmo luzindo como ouro. Em minha opinião, uma  na canoagem seria possível,  mas esperar ouro ( ou mesmo uma medalha) de Évora, era optimismo exagerado, se tentarmos a que estava ainda a recuperar de uma grave lesão.
Ao início da tarde, manhã no Rio de Janeiro, Nélson Évora, medalha de ouro em Pequim no triplo salto, quedou-se pelo 6º lugar, embora tenha conseguido a sua melhor marca do ano. As expectativas eram demasiado optimistas? Tudo leva a crer que sim. 
O caso de Emanuel Pimenta na canoagem foi diferente. Medalha de prata em Londres, chegou à final com o melhor tempo das eliminatórias, respirava confiança ia destacadíssimo aos 400m e as expectativas do ouro ganhavam força, mas a amaldiçoada lagoa Rodrigo de Freitas tinha reservado uma surpresa para alguns dos canoistas, invadindo algumas das pistas com algas. Uma das vítimas foi Emanuel Pimenta que, injustamente e por circunstâncias fortuitas extra competição, viu o seu esforço de quatro anos ruir como um baralho de cartas. 
A situação que prejudicou vários atletas e deu uma vitória inesperada a um espanhol, é apenas uma entre as muitas falhas da organização nestes Jogos Olímpicos. A verdade desportiva foi adulterada por negligência. O investimento feito para recuperar a poluída lagoa foi enorme, beneficiou aquela zona degradada do Rio, mas não foi suficiente para garantir a verdade desportiva. Um português campeoníssimo a nível mundial e europeu, foi apenas um dos prejudicados, mas estas coisas não podem acontecer em eventos como as Olimpíadas. Seja no Rio, em Sidney ou em Londres, há que garantir que o esforço dos atletas não é deixado à mercê de erros graves da organização. Infelizmente, foi isso a que hoje assistimos no Rio de Janeiro.
Em tempo: tudo quanto ficou aqui escrito, não invalida que continue a considerar a prestação da maioria dos atletas portugueses muito positiva. Principalmente a daqueles que, independentemente da classificação, melhoraram as sua marcas pessoais ou bateram reordes nacionais. O desporto não é apenas feito de vitórias. O essencial é superar-se em ada participação e isso, a maioria conseguiu.

A Rentrée...

Não, ainda não terminei as minhas férias, nem estou de regresso a Lisboa. A minha rentrée é outra…
Na semana passada, incapaz de resistir à polémica em torno de umas viagens pagas pela Galp a uns secretários de estado da geringonça e a uns deputados do PSD ( o que confirma que o Bloco Central continua vivo, pelo menos em matéria de interesses)  voltei à leitura dos jornais cá da paróquia.
Na generalidade, não gostei do que li. A economia continua aos soluços, o estado continua a financiar empresas que pouco depois vão à falência, lançando milhares para o desemprego,  os bancos continuam a ser uma grande dor de cabeça, porque nem bancários nem consumidores têm juízo e o crédito mal parado continua a aumentar.  
Dos incêndios chegaram-me as imagens que vi pela televisão, para despertar a minha costela de justiceiro e pedir a condenação de quem extinguiu a Direcção Geral das Florestas e decidiu que a investigação de crimes de fogo posto deixasse de ser prioritária. Compreendo que os mafiosos pafiosos que tomaram estas medidas, sendo incendiários, se quisessem proteger, mas é altura de a geringonça os sentar no banco dos réus. É que, como já aqui escrevi em 2015, os incendiários e pirómanos não são apenas aqueles que ateiam fogos. São também aqueles que tomam medidas que os incentivam  a agir.
Mas adiante, porque também li coisas boas na nossa imprensa. Como, por exemplo, boas entrevistas no DN e na Visão, ou as crónicas de Lobo Antunes e o folhetim de Verão do Ferreira Fernandes no DN
Surpreendeu-me foi a profusão de seções humorísticas nos diversos jornais e revistas.
 Foi lá que li notícias como esta. 


Feios, porcos e maus!

Há pessoas que ficam aborrecidas por eu dizer que este é um povo de merda.  
E peço desde já muita desculpa mas, antes que insistam, esclareço que não me confundo, nem me sinto parte desse povo sacana e egoísta que age como uma matilha de cães danados em situações destas.  
Da mesma forma que nunca perdoarei, nem me esforçarei por compreender um pedófilo, pelo facto de ser meu irmão. Não deixaria de ser da minha família, mas nunca mais o trataria como tal.Entendido?

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

E o macaco sou eu?

Um homem foi condenado em Maio a seis meses de prisão, com pena suspensa, por ter ateado um fogo em Braga.
Ha dias foi detido por reincidir, confessou o crime, até deu pormenores. O juiz mandou-o em liberdade.
Desde o inicio do ano, dois terços dos incendiários e pirómanos detidos pela PJ foram de imediato libertados pelos juízes, apesar de alguns terem sido apanhados em flagrante.

Corre por aí uma petição a pedir penas de 25 anos para incendiários e piromanos.Obviamente nao assinei. Preferia que fossem exigidas responsabilidades e bom senso a quem nao sabe desempenhar as suas tarefas, como os membros do anterior governo que tomaram medidas que incentivam os " maluquinhos"(termo usado por alguns juízes para delinquentes e criminosos) a praticar crimes contra a floresta.

L'enfance



Se uma criança é capaz de enganar os juízes acusando outra criança de abusos sexuais, como não acreditar que haja crianças a inventar casos de pedofilia praticados por figuras públicas, enganando esses mesmos juizes?
O jovem Leandro esteve preso um ano, saiu em liberdade e com um pedido de desculpas, depois de as crianças que o acusaram terem admitido que tinham mentido, instigados pelas mães. Alguém garantiu a Leandro o direito a uma indemnização e a condenação de quem acusou, com o alto patrocínio das mãezinhas?
 Carlos Cruz esteve seis anos presos e continua, como no primeiro dia, a reclamar a sua inocência. O caso de Leandro dá ao sr. 1,2,3, uma razão de peso!

domingo, 14 de agosto de 2016

Ó Carreiras! Tem maneiras...


Se o Carreiras quiser aumentar-me o IMI tenho uma boa justificação para não pagar. É que além de os parquímetros aqui funcionarem das 9 da manhã às 2 da madrugada, a discoteca do Tamariz vomita decibéis de alta cilindrada, pelo menos até às 4 da manhã. Um destes dias, encerrou mesmo depois das 7 da manhã.
Então e a lei do ruído em Cascais não se cumpre sr. presidente? Por acaso já percebeu que o ruído é um problema de saúde pública?
Dizem-me que na maioria das noites a discoteca funciona com festas privadas, que rendem bom dinheiro aos proprietários e à Câmara.
Ora aqui está uma boa explicação para o Carreiras se borrifar para a Lei do Ruído e a Câmara não responder a uma reclamação que apresentei no dia 5 de Agosto.
Sexta feira, dia 12, por volta das 5 da manha, telefonei para a PSP a reclamar contra o ruido provocado pelo Ocean Club. Fui informado que nada podiam fazer, porque a discoteca tem uma autorizacao especial da Camara de Cascais para fazer o ruido que lhe apetecer ate as 6 da manha.
Fui aconselhado a reclamar novamente para a Camara, mas fiquei a saber que o prazo médio  para responder a reclamações e de 15 dias úteis. Ou seja, cerca de 3 semanas. 
Resumindo:Carreiras borrifa-se para os municipes, embolsa umas guitas com as licencas excepcionais e  ainda invoca o interesse turístico da coisa, estão a ver?
Ainda não encontrei, tambem, explicação para o pagamento dos parquímetros ser obrigatório até às duas da manhã, mas sei que ao contrário da Lei do Ruido, os parquímetros são bem fiscalizados e os agentes andam sempre de bloco e caneta na mão, prontos a multar os infractores.