segunda-feira, 25 de julho de 2016

TERAPIA





No início do ano, a RTP exibiu a série TERAPIA. A acção decorre no gabinete de um psicólogo que, em cada dia (fixo) da semana, recebe um paciente.
Um desses pacientes era um atirador especial que, durante um assalto a um banco, procurou evitar a morte de reféns, abatendo o assaltante mas,  acidentalmente, matou também uma criança.
Durante as semanas de terapia, o agente insiste com o psicólogo que não tem quaisquer remorsos por ter matado a criança, pois cumprira a sua missão ao matar o criminoso e não tinha culpa do ricochete da bala que vitimara a criança.
O seu principal e repetido argumento era ter sido treinado para matar e ser  para isso que lhe pagam.
Quando a série estava a ser exibida na RTP fui ver "American Sniper" e comparei o filme ao agente de "Terapia". Entre os dois há um propósito comum: cumprir uma missão para a qual são pagos. O facto de o alvo ser um ser humano é completamente indiferente para ambos.
Lembrei-me da série e do filme a propósito das discussões que andam por aí sobre a barbárie dos terroristas. Muitos perguntam como é possível matar inocentes. Outros garantem que são gente perversa, com desequilíbrios mentais, ou fanáticos, porque gente normal não seria capaz de praticar tais crimes.
Permito-me discordar de quem assim pensa. Os terroristas que atacaram o Bataclan  e o Charlie Hebdo têm o mesmo esquema mental do Sniper ou do atirador especial. Nenhum deles, quando dispara, vê pessoas humanas. Vê apenas alvos. Iguais àqueles dos jogos da Play Station.
A única diferença é que o sniper e o atirador são pagos para matar, enquanto os terroristas do Daesh matam por ideologia, convicção e... FÉ!
Todos estão a cumprir uma missão. Mesmo que em alguns casos possa ser uma missão divina, recompensada com o Paraíso e umas dezenas de Virgens, após a morte. Ou seja, enquanto Sniper e agente são pagos a pronto, em cash, os terroristas do Daesh matam a crédito.

8 comentários:

  1. Não concordo totalmente com a análise que faz. Os atiradores especiais sofrem um treino de condicionamento que lhes permite matar sem serem assaltados por dúvidas. Já a maioria dos assassinos do Daesh que têm atuado no Ocidente (na Síria e no Iraque será diferente) não têm qualquer experiência militar. Por isso, pergunto-me qual a sua fonte de condicionamento. E também não concordo que um atirador especial seja um mero assassino a soldo, falamos de soldados e não de mercenários pagos a peso de ouro. Muitos fazem-no por patriotismo, por muito que nos pareça estranho que alguém se socorra de tal noção para justificar a morte de inimigos e às vezes de civis inocentes (mas se chamar ao patriotismo religião secular, eu sou capaz de concordar). Finalmente, estão sujeitos na sua ação à justiça militar (ou civil se falarmos da polícia anti-terrorista), o que lhes condiciona o comportamento que podem ter em teatro de operações, o que está a milhas do que acontece com os militantes do Daesh, que se submetem apenas àquilo que entendem ser a lei divina (e convenhamos que a larga maioria provavelmente tem um muito fraco entendimento da teologia ou da moral islâmica, de outro modo não seriam presas tão fáceis do Daesh)...

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    1. Permita-me que lhe recorde que os autores do atentado de Paris tiveram treino militar especial em campos do Daesh. E convém nao esquecer a quantidade de cidadãos ingleses, franceses e até portugueses que tem sido recrutados pelo Daesh, treinados e depois devolvidos aos países de origem para praticarem actos terroristas.

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  2. Não vi a série, mas será que o atirador especial não dizia o que dizia para tentar convencer-se a ele próprio?

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    1. Ele estava mesmo convencido, Gabi. O papel do terapeuta, neste caso, era ajuda-lo a descobrir que se estava a enganar a si próprio.

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  3. Infelizmente, tendo em conta o comportamento dessa gente, sou levado a concordar. Tenho pena, mas parece-me não haver volta a dar.

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  4. O fanatismo não se explica racionalmente, Carlos.
    É profundamente irracional.

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  5. Concordo totalmente com o Pedro : com certas criaturas não diálogo possível,amigo, pois são totalmente irracionais ... e isto não só no campo religioso, infelizmente.

    Boa tarde, com alguma frescura

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