segunda-feira, 18 de julho de 2016

TARADOS!





Não vi as imagens exibidas pela CMTV na noite dos atentados de Nice, mas li relatos no FB, no dia seguinte, que me deixaram estupefacto.
Tentei encontrar resposta à pergunta "Como é possível que uma estação de televisão  considere informação transmitir exaustivamente imagens de corpos decepados,  cabeças  esmagadas, crianças mortas e pessoas a debaterem-se contra a morte?"
A primeira resposta que me veio à cabeça foi " estes tipos são um grupo de tarados com carteira de jornalista".
Minutos mais tarde, depois de  admitir  que o jornal para que estes tipos trabalham é o mais lido em Portugal e o canal de televisão aumenta diariamente o seu share, fui obrigado a rever a minha resposta. "Os jornalistas do CM e da CM TV são realmente uns tarados mas,  ao exibirem aquelas imagens, estavam apenas a satisfazer o apetite voraz de um vasto grupo de espectadores igualmente tarados que gostam de ver sangue e se comprazem com a desgraça alheia. Se não houvesse quem visse, eles não mostravam". Certo?
Foi então que, num "zapping" pelos canais franceses, vi um jornalista a perguntar a um homem chorando convulsivamente, que acabara de perder a mulher no atentado  de Nice:
"Boa noite senhor, acaba de perder a sua mulher. Qual é a sua reacção, em directo, para a  France 2?" 
Ainda incrédulo perante esta cena, de resposta em resposta, dei por mim a admitir que o atentado de Nice afinal pode não ter sido obra de um muçulmano radical, mas sim de um qualquer tarado que passa os dias diante do televisor a ver a CMTV, a France 2, ou qualquer outro canal que sirva o directo sem critério, argumentando "estar em cima do acontecimento". 
A mim, parece-me é que eles estão a viver em permanência numa clínica psiquiátrica não vigiada, onde o jornalismo serve de terapia e  lhes é permitido fazer tudo em nome da liberdade de imprensa que tanto prezam.
É certo que a France 2 veio pedir desculpa aos franceses, o que deixa uma leve esperança quanto à possibilidade de cura. Já os jornalistas da CMTV insistem que aquilo que fazem é informação. São, definitivamente, um caso perdido.
Em tempo: esta manhã,  após dois dias e meio de blackout noticioso a que me obriguei como terapia, fiquei a saber que  o homem que conduzia o camião bebia álcool, era mulherengo, gostava de menores e de mulheres europeias, tinha mau feitio, não frequentava a mesquita e não cumpria o Ramadão. Logo, nada o qualifica como radical islâmico, mas sim como TARADO.
Uma espécie que se reproduz vertiginosamente e está numa fase de ascensão social e política que existe em todas as partes do mundo e com as quais convivemos diariamente. Nos transportes públicos, no trânsito, nos restaurantes, nos centros comerciais, nas ruas, no prédio em que vivemos, onde pensamos estar a salvo destas criaturas, e até na comunicação social, como se demonstra pelo que foi escrito neste post.
Tenham uma excelente semana.



6 comentários:

  1. Dá a impressão que à medida que que institucionalmente certos comportamentos vão sendo menos e menos aceites (benditas correção política, ideologia de género, etc, etc), aumenta o número de imbecis que se revoltam contra este estado de coisas e nos querem levar de volta para uma sociedade patriarcal, paroquial e bárbara. Sucede que nessas sociedades a hipocrisia de costumes era um elemento essencial, algo que será impossível de restaurar na era da Internet...

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  2. Não vi a reportagem na CMTV mas não me admiro nada que tenha sido como descreve. Abraço.

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  3. Muito boa análise da psicologia do jornalismo actual, que parece "levada na onda" do género de programação a que se chama de "reality show", em que o que interessa e faz subir o gráfico das audiências é o esgravatar das intimidades físicas e emocionais das criaturas. A linha limite é cada vez mais estendida, a fim de alimentar o apetite do espectador/espreitador e, isso inclui também a morte e o assassinato, claro está!, e... quando isso já deixar de ser suficientemente excitante... o que virá?
    Também sou de opinião que isto nada tem a ver com "liberdade de imprensa". Está na moda invocar a liberdade. Sem saber, sequer, o que isso é. Porque liberdade, como tudo, também impõe regra: a regra fundamental de saber onde termina a minha liberdade e começa a do outro.
    E, a nossa imprensa nacional também, não é de agora, tem se deixado influenciar por essa carnificina mediática...
    O processo começou devagar, nascido de cérebros desvairados e sedentos de fazer a diferença e ganhou nesses espreitadores - seres de mentes carentes de melhores estímulos e alguns seriamente doentes, ainda que não oficialmente - o consumidor perfeito.
    Em relação ao indivíduo que cometeu essa atrocidade, seja lá o nome que tenha, não passa de um acto de um "desalicerçado", sem princípios, sem meios, sem finalidade de vida. E há tantos... Uns por uma razão, outros por outra: tantos "gauches na vida"... Basta um cruzamento de olhares ou de "likes" nas redes sociais e está um crime alinhavado.
    Desta vez, temo ter que concordar com minha avó: "o mundo está - definitivamente - perdido".

    abraço

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  4. Apesar do que a France 2 fez, não é, a estação televisiva, comparável à estúpida e estupidificante CMTV.
    Chamar-lhes tarados, embora se compreenda o contexto, é ser demasiado simpático para o bando conduzido pelo execrável Octávio Ribeiro.
    O jornalismo, esse, está muito distante dos princípios que devia defender.

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  5. Gostei de do que li, Carlos, sempre suspeitei que se tratava
    de um tarado a fingir de terrorista...
    Pois eu não vi nenhuma imagem. Recuso-me a sofrer inutilmente.

    Já voltaste das férias?
    Dias bem passados.
    Beijinho.
    ~~~~~~~~

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  6. Nem me lembro que esse canal existe mas em conversa com pessoas amigas ou colegas verifico que quando acontece qualquer coisa de maior gravidade é raro aquele não passa por lá para conhecer a "versão" deles...
    Parece-me que ninguém gosta mas muitos consomem.

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