quarta-feira, 20 de julho de 2016

Onde está o dinheiro?



Em Outubro começará a ser discutido o OE para 2017. Sendo o partido do governo o responsável pela sua elaboração, compreende-se que os partidos que o apoiam comecem, desde já, a marcar posições, demarcando-se de algumas medidas que o governo tome até lá. É uma forma de BE e PCP mostrarem que são diferentes, não estão dispostos a pactuar com medidas que penalizem os trabalhadores e não apoiarão um governo que as queira implementar.
Era previsível esta demarcação, compreende-se, e até é salutar que assim seja. BE e PCP não podem ser confundidos com o PS e querem mostrar as suas diferenças.
No caso de o governo apresentar medidas que  apontem para um regresso à austeridade, ainda que mitigada, BE e PCP não poderão aprovar o OE. Logo, num cenário de eleições antecipadas, essa demarcação ajudará a convencer os eleitores de esquerda que o PS está encostado à direita e não se pode confiar nele.
Embora se compreenda  e aceite esta posição, será avisado que BE e PCP não comecem a pedir o impossível. Num momento em que o mundo está em recessão e a Europa ameaça Portugal com sanções, há que ponderar os riscos de um derrube do governo.  O exemplo de 2011 não se pode repetir, pois isso significará o regresso, em força, de medidas de austeridade impostas por um governo de direita, que aproveitará para se vingar nos trabalhadores, retirando-lhes ( eventualmente de forma ainda mais gravosa e severa) as reposições de salários, pensões e regalias laborais conseguidas com este governo.
Neste contexto, considero desaconselhável fazer finca pé no aumento de salários para a função pública, já em 2017.
Parece-me também pouco sensato reclamar a abolição de portagens na ponte 25 de Abril em Agosto.
Durante a campanha eleitoral oPS comprometeu-se a baixar as portagens no interior. Embora a redução de 15% seja quase marginal, parece-me mais justa porque beneficia o interior. É um pequeno balão de oxigénio para muitas empresas, mas também para famílias, pois há muita gente que é obrigada a utilizar diariamente as auto estradas  para se deslocar para o trabalho. Além disso, a redução das portagens pode potenciar o turismo para o interior, beneficiando assim as economias locais.
Reclamar a isenção de portagens na ponte 25 de Abril, para que os lisboetas possam ir à praia, é popular mas revela, por parte de BE e PCP, um enorme desrespeito pelas populações do  interior.
Claro que o melhor era baixar ( ou até eliminar) as portagens em todo o país, mas isso teria um peso enorme no OE. É tempo de BE e PCP perceberem que a demagogia e o populismo saem, muitas vezes, extremamente caro a quem trabalha. Alguns sacrifícios e cortes terão de ser feitos, para evitar o aumento da dívida e a subida do défice.  Sinceramente, prefiro que o défice abaixo dos 3% seja alcançado e a dívida seja paga à custa do automóvel, do que dos salários e pensões.

2 comentários:

  1. Na verdade é agora que vamos ver e experimentar se três partidos distintos conseguem trabalhar conjuntamente para o maior bem dos portugueses. A prova dos nove ainda não foi, vai ser. Mas o único que nos resta é esperar que haja bom senso.

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  2. Digamos que quer o PCP quer o BE estão apostados em dar a saber à populaça que há vários galhos e que cada um ocupa o seu. Dito de outra maneira, mostrar aos seus filiados/simpatizantes/eleitores que não se preocupem pois estão atentos à coisa.
    Eles sabem quanto custam as medidas popularuchas e demagogas. Só que optam pelas ideias estranhas, só naquela de dizerem ao povo que estão vivos e que pode continuar a acreditar neles, os únicos salvadores da Pátria.

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