terça-feira, 26 de julho de 2016

Oh my God!




A falta de pontualidade é uma característica dos portugueses que lhes confere alguma graça mas, por vezes, se torna irritante e mera figura de cartaz para turista ver.
Vem isto a propósito do constante atraso no início de espectáculos e na perturbação causada em espectáculos de ópera, cinema ou teatro por grupos de atrasados que parecem fazer gala em ser os últimos a entrar na sala.
Há algumas semanas fui ao Casino Lisboa ver My God, com Joaquim Monchique. Quando imprimi os  os bilhetes anotei, com agrado, o aviso deixado aos espectadores:
" O espectáculo começa imperetrivelmente às 21h30m, sendo proibida a entrada na sala, depois do início do espectáculo".
Rejubilei com o facto de haver gente civilizada no país que faz da pontualidade um ponto de honra.
O júbilo esfumou-se, porém, no dia do espectáculo. O espectáculo começou apenas às  21h45m e, depois dessa hora, já com o espectáculo a decorrer, ainda vi entrar algumas pessoas.
Este é apenas um exemplo da falta de respeito e civismo que impera neste país. Desrespeitaram-se os  cumpridores e mostrou-se aos incumpridores que podem continuar a chegar atrasados, porque os avisos são só para inglês ver.
Em Portugal, o único sítio onde os horários são cumpridos, é nos locais de trabalho. E mesmo assim, nem sempre, porque se há exigência no cumprimento da hora da entrada, já na hora da saída há muito patrão a pedir alguma condescendência se em vez de sair às 17, for preciso sair uma hora mais tarde, sem direito ao pagamento de horas extraordinárias.

6 comentários:

  1. Não acho graça, quando a minha amiga Beatriz chega duas horas atrasada.

    Aqui também é proibida a entrada na sala, depois do início do espectáculo.

    A parte crítica do texto não comento.

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  2. O contrário também existe trabalhei anos com pessoas que chegavam TODOS os dias atrasadas até que foi instalado um Ponto e essas mesmas pessoas ainda pediam a alguém que lhes picasse o ponto ou chegavam a horas picavam e voltavam a sair para um pequeno almoço descansado...
    Há de tudo, Carlos!
    xx

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    1. Trabalhou num lugar com mais sorte do que eu. Sempre tive relógio de ponto há dezenas de anos (até quando fui da direcção, para não dizerem que era privilegiada. Era apenas representante os trabalhadores). No primeiro emprego comecei com o número 69, que nunca mais me esqueci. Ninguém podia sair sem marcar o ponto, até porque sempre tivemos refeitório e bar e um intervalo da manhã e da tarde, com horários estabelecidos para cada serviço. Ao pé do ponto sempre esteve um contínuo. Quando a maré aumentou, os pontos passaram a electrónicos e a segurança era feita por empresas, que estavam ao pé para verem o que se passava. Só encontrei essa rebaldaria quando passei, esporadicamente, pela Câmara de Cascais. Todos se conheciam e os prevaricadores não tinham vergonha de sair e ir para a esplanada do largo ali tão perto. A própria chefe de secção vinha queixar-se a mim porque não gostava de passar por má. Mas esta também não tinha vergonha, porque às segundas-feiras, à tarde, saía e ia para o carro do amante que estava nas traseiras, no parque, do Hotel Baía à vista de toda a gente. Até posso dar nomes se quiserem. Eu não devo dizer nada que não possa provar.

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  3. Ler este texto lembrou-me ida à Grécia há alguns anos, no hotel em Atenas nós chegámos a horas ao pequeno almoço, mas dois amigos chegaram dois ou três minutos antes das 10 e quase não conseguiam comer nada porque funcionários começaram logo a levar tudo embora :)

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  4. Como sempre continuo a defender que devia continuar a ser interdita a entrada das pessoas que chegam atrasadas. Só o poderiam fazer depois do intervalo. Uma das razões que me chateava no Quarteto era não haver lugares marcados e as pessoas sentavam-se sempre nas coxias. quem chegava depois, mesmo dentro da hora, tinha de incomodar sempre os outros. Infelizmente somos exemplos maus para tudo.

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  5. Pontualidade não era o meu forte.
    Aprendi, até com alguns dissabores pelo meio, que era uma prática incorrecta.

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