segunda-feira, 18 de julho de 2016

O meu Ramadão




Só no Verão me dou ao luxo de dispensar a comunicação social durante uns dias. Esta experiência de me desligar do mundo é fantástica e  usava-a mesmo quando estava no activo, mas podia dar-me ao luxo de gozar uns dias de férias descansado, sem televisão, jornais ou Net por perto.
Na sexta-feira, ainda impressionado com a tragédia de Nice, decidi iniciar um período de blackout noticioso logo após o almoço, que só terminou esta manhã.
A tarefa foi facilitada pelo facto de a casa para onde me estou a mudar, no Estoril, ainda não ter Internet, nem televisão e, muito menos, pacotes MEO, sobrando-me por isso tempo para namorar, ler e desfrutar da vista sobre a baía de Cascais. Apenas  vim duas ou três vezes ao blogue para ler os comentários dos leitores. Quanto ao telemóvel, optei por desligá-lo, porque queria mesmo reviver essa experiência de estar mais ou menos isolado do mundo, como quando exercia a minha actividade profissional e, durante as férias, me refugiava em locais recônditos deste planeta.
Não soube, por isso, da tentativa de golpe na Turquia. Só hoje de manhã, ao retomar o contacto com a imprensa e a televisão,  soube do sucedido.
Como qualquer ex-fumador que um dia volta a viciar-se, porque pensou que não tinha mal nenhum tirar só uma fumaça, confrontei-me com a minha dependência e fui ler e ver tudo o que podia sobre o assunto. 
Após uma "overdose" noticiosa, dei graças por estes dias de isolamento monástico.
É que estou a imaginar o que teria escrito, ao aperceber-me que toda a Europa e EUA suspiraram de alívio com a derrota dos golpistas e celebraram efusivamente a vitória da democracia.
I beg your pardon?
Eu sei que aquilo que menos precisamos é de um governo militar na Turquia, mas desde quando é que Erdogan é um democrata?
Um tipo que quer reintroduzir a pena de morte, mandou prender 7  mil opositores, despediu um terço dos juízes e  acusa um inimigo pessoal de estar por trás de um golpe, com o pretexto de exigir a sua extradição pelos EUA é um democrata? É a um tipo deste calibre, apoiante do DAESH,  que a Europa entrega a solução do problema dos refugiados e paga milhões de euros por dia para que a Turquia os esconda debaixo do tapete?
Estamos cada vez menos exigentes com a democracia. Não será por isso de espantar, que um destes dias alguém se lembre de reabrir as câmaras de gás e que um ditador psicopata seja eleito para dirigir a Europa. Afinal, não seria a primeira vez...
Pior do que isto, só a minha mente perturbada, que de imediato tilintou e me enviou esta mensagem ao meu único neurónio que estava acordado àquela hora. Dizia ela que este golpe foi orquestrado pelo próprio Erdogan, para reforçar o seu poder.
Nem imaginam o trabalhão que eu tive para a obrigar a calar-se e deixar de debitar ideia tão estapafúrdia!

7 comentários:

  1. Meu caro, por mais que uma vez dei por mim a pensar que "este golpe foi orquestrado pelo próprio Erdogan, para reforçar o seu poder".
    Nada que não se tivesse já visto por essa história fora.

    Com que então, Erdogan é um democrata!?!?

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  2. Soube de fonte segura que este golpe foi orquestrado pelo próprio sultão turco, para reforçar o seu poder. Este presidente é diabólicamente perigoso e a minha amiga Angie ainda não se afastou dele.

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  3. Pode crer que a sua mente não é a única a pensar assim. Mas, dando-lhe o benefício da dúvida, ele aproveitou muito totalitariamente a situação. Pobre de quem se revoltou, de quem não se revoltou, de quem vive na Turquia e até talvez de nós todos, o mundo está todo ligado, mesmo se não parece. Se aquilo é uma democracia eu sou a miss universo.

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  4. Carlosamigo

    Um dia destes na Turquia Erdogan decide ignorar o Holocausto e mandar construir um novo Auschwitz; o homem é muito capaz disso

    Abç do Leãozão

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    1. Não esquecer o que eles fizeram contra o povo Arménio.
      Também não esquecer a campanha do Galípoli e com quem eles se aliam sempre.

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  5. Pois, amigo, subscrevo inteiramente quanto aqui escreves.

    DEmocracia? Já pouco mais é do que um conceito bonito.

    Tudo de bom

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