quinta-feira, 2 de junho de 2016

Vem aí a carta por pontos. Que escândalo!




Entrou ontem em vigor a carta por pontos.
Ainda antes de ler os jornais do dia, já um motorista de táxi me manifestava a sua indignação por ter começado a caça à multa ( Viria a confirmar mais tarde, que  era precisamente esse o título do jornal dos taxistas, também conhecido por Correio da Manha).
Descontente por lhe ter respondido que mais valia multar condutores indisciplinados do que sobrecarregar de impostos quem trabalha, o taxista mudou de conversa e atacou as obras no Eixo Central de Lisboa. Não lhe dei troco mas, à despedida, regressou de novo ao tema:
- " A carta por pontos vai ser é uma negociata para as escolas de condução. Deve haver algum ministro que tem interesses no ramo"...
Quando, ao final da manhã pude reunir as capas dos jornais, não fiquei surpreendido com as críticas e extremosos  avisos aos leitores do CM nem do Público que avisava, consternado, que "agora vai ser mais fácil ficar sem carta".  Duvido...
Fico é estupefacto por haver gente que se indigna contra um sistema que procura tornar os condutores portugueses mais civilizados e respeitadores dos direitos de cidadania.
Tudo o que se faça neste país para tentar melhorar a educação cívica dos portugueses, é imediatamente alvo de ferozes ataques da comunicação social, mas também de alguma blogosfera e redes sociais. Os mesmos e as mesmas que, por outro lado, nos inundam com lições de civismo provenientes de Singapura ou da Suíça, esquecendo que a disciplina de condutores e cidadãos em geral foi alcançada à custa de muita educação cívica e multas pesadíssimas.
Pessoalmente saúdo a introdução da carta por pontos. Tenho é muitas dúvidas que se altere a condescendência  da polícia ,em situações como estacionamentos em cima de passadeiras, passeios, curvas ou segunda fila- um dos cancros das cidades portuguesas que parecem ter sido invadidas por turbas de nómadas desconhecedores das mínimas regras de civilização. O mesmo se diga em relação a automobilistas que passam com o sinal vermelho, ou passam com o verde mas ignoram que ao mudar de sentido está um sinal também verde para peões, que eles têm de respeitar.
Já o excesso de velocidade em auto estradas desertas será severamente punido, graças aos radares. E - espero- também a condução sob efeito de álcool ou a falar ao telemóvel possam ser alvo de acções de fiscalização e que a polícia seja inclemente com tais práticas.
O país só tem a ganhar com condutores mais civilizados e uma população respeitadora dos direitos de cidadania. É com gente assim que se constroem grandes países. Mas tudo começa nos pequenos gestos. Como multar um automobilista parado em cima de uma passadeira,  de um passeio, ou em espaço reservado a deficientes, por exemplo.

14 comentários:

  1. Devo dizer que concordo com a carta por pontos.
    Quanto às reclamações, são naturais em gente básica, em gente medíocre e ainda a quem gosta de fazer misturas e colocar as coisas no plano político-interesseiro.
    O costume!

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  2. Tens montanhas de razão, Carlos. Concordo, claro.

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  3. Há uma infração grave ao código da estrada a que assisto diariamente, nunca assistido a nenhum dos infratores a ser autuado ou sequer chamado à razão. É a violação do direito de prioridade dos peões nas respetivas passagens. Sendo certo que as estatísticas atribuem a esta violação centenas de acidentes que originam a morte e danos físicos graves aos peões, porque não se fiscaliza?

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    1. O senhor e a maioria dos peões e automobilistas, enquanto peões, que atravessam as passadeiras sem olhar, com auriculares nos ouvidos e a escrever mensagens, ignoram este artigo do código da estrada:

      Artigo 101.º — Atravessamento da faixa de rodagem

      1 - Os peões não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem de que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respetiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente.

      2 - O atravessamento da faixa de rodagem deve fazer-se o mais rapidamente possível.

      3 - Os peões só podem atravessar a faixa de rodagem nas passagens especialmente sinalizadas para esse efeito ou, quando nenhuma exista a uma distância inferior a 50 m, perpendicularmente ao eixo da faixa de rodagem.

      4 - Os peões não devem parar na faixa de rodagem ou utilizar os passeios e as bermas de modo a prejudicar ou perturbar o trânsito.

      5 - Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de (euro) 10 a (euro) 50.

      Há três meses isto foi notícia: http://noticias.automoveis-online.com/policia-multa-peao-na-passadeira/

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  4. Concordo com a carta por pontos!
    Há muita falta de respeito nas estradas, mas sinceramente não sei a até que ponto esta lei poderá reeducar, digamos assim o "mau" condutor.

    Tenho carta à muitos anos, não me considero mais que os outros, muito menos "xica esperta" mas neste campo sinto-me com moral, porque não cometo infracções, fui multada uma vez sim, excesso de velocidade, 70 km e o limite era de 50, a descida ajudou à festa, foi numa situação especial em que o Rodrigo estava doente e eu ia ter com ele, mas isto não serve de desculpa.

    Todos os dias vejo condutores ao volante a falar ao telemóvel, carros estacionados em lugares reservados a deficientes, há de facto falta de responsabilidade e respeito nas estradas, vamos ver o que vai acontecer.

    Beijinho

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  5. Finalmente! A carta por pontos é bem mais eficaz e dissuasora.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Se fosse minha a decisão
    encurtava a cassação
    e para compensar de tal
    oferecia um passe-intermodal

    talvez a dissuasão do uso do carro
    incrementasse o transporte público
    como alternativa ao privado

    Boa?

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    1. Boa é... o problema é que o tuga sem carro sente-se nu, sem estatuto, infeliz, porque despojado da dignidade que lhe confere o automóvel. Se eu fosse presidente da câmara encerrava o trânsito aos automóveis no centro de Lisboa e punha a cidade em obras durante cinco anos, como fizeram em Londres, para obrigar as pessoas a usar os transportes públicos.

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  8. Quem me dera que esse sistema tivesse sido aprovado aqui.
    Forças mais altas (taxistas também) se ergueram contra o projecto.

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  9. Todo o automobilista sofre de falta de educação, além do desconhecimento das leis. Já fui caçada numa rua sem trânsito e sem fazer nenhuma manobra perigosa só porque estava um polícia num carro parado apenas a ganhar dinheiro. Já passeio num sinal vermelho, quando mudou o sinal, na Cruz Quebrada (junto à antiga Lusalite), para evitar que o que vinha atrás de mim, lançado a descer a curva me batesse e assim evitei um acidente. Também já fiz manobras proibidas por lei, quando ultrapasso pela direita os imbecis que não saem da 2ª. ou 3ª. faixas. Mas nunca fiz nenhuma manobra perigosa, nem pus a minha vida, nem a de ninguém em perigo. Já me rebentou um pneu quando ia a mais de 120 na A5 (ia numa descida), de manhã para o trabalho, consegui dominar o carro, e só o consegui imobilizar na faixa de apoio, quando começou uma subida. Nada aconteceu nem a mim, nem a ninguém, não me pergunto como. Apenas tive de pôr o pneu de recurso, porque apesar de chamar ninguém apareceu da Brisa. Chamo sempre a atenção quando vejo atirar beatas acesas para fora do veículo, quando vejo alguém com telemóvel, quase sempre arranjo maneira de o impedir de continuar, nem que tenha de me encostar a ele. Nem faz ideia o que tem sido a minha rica vida de condutor. Quando alguém se encosta muito a mim, adoro carregar levemente do pedal do travão, com o pé esquerdo mas continuo a acelerar com o direito e eles afocinham e ficam para trás. E eu fico-me a rir. Na noite do dia 1 resolvi cumprir todas as normas. Não imagina os sinais luminosos que me fizeram e os carros que já vinham atrás de mim. Eu vinha numa estrada do interior, sem trânsito às 11 da noite, mas parei em todos os stop, mesmo sem haver ninguém nas redondezas, mas o que eu me diverti...

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    1. Embora nunca fale ao telemóvel quando conduzo, espero nunca me cruzar consigo na estrada

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    2. Obrigada por me fazer rir. Das coisas que mais gosto de fazer é conduzir. Ou eu não tivesse começado a conduzir em ralis paper. A primeira coisa que fiz, quando me empreguei, foi alugar casa e comprar carro. Ainda não tinha a carta e já o carro estava à espera na Rua Ferreira Borges (Lx), com os pardais a fazerem dele sanita, porque as cartas estavam atrasadas, mas atenção que passei logo à primeira e quando ia endireitar o carro, quando estacionei, o examinador disse-me: não é preciso, pode sair.
      Carlos, não se assuste que cão que ladra, não morde. Eu só queria endireitar o mundo, mas quem ficou torta fui eu.

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