terça-feira, 7 de junho de 2016

Ó avôzinho, não quer vir jantar connosco?

Fui educado no são princípio de dar o lugar nos transportes públicos a senhoras,  idosos, grávidas e deficientes. Talvez por isso, sempre considerei aqueles cartazes nos transportes públicos sinal de que vivemos numa sociedade doente, que não respeita os mais elementares princípios do civismo.
Chegado à terceira idade, confirmo-o cada vez que ando em transportes públicos. Vejo miúdos a disputar lugares vagos com senhoras e velhotes, num desrespeito revelador de péssima formação ( Leia-se falta de educação)
Mesmo reconhecendo que diariamente sou confrontado com episódios que demonstram a falta de civismo dos mais jovens, dispensava certas  medidas legislativas que desqualificam as pessoas e as catalogam como selvagens sem princípios. O mais recente exemplo do que afirmo  é esta lei aprovada  no último conselho de ministros.
A partir de Outubro, quando entrar em vigor, vai ser um fartote de chicos espertos. Desde mulheres a usar almofadas quando vão a restaurantes, a jovens atrelados a um avozinho, quando entram numa loja,  vamos ver uma parafernália de expedientes, resultantes da fértil imaginação tuga. (Levar miúdos de colo a jantar fora, vai passar a ser moda, especialmente em período estival nas estâncias balneares). 
Este país - e o mundo ocidental na generalidade. reconheça-se- está cheio de leis estúpidas, a pretexto da igualdade e não discriminação. Mas há leis que abusam desse predicado. Esta é uma delas...

18 comentários:

  1. Infelizmente não creio que o seja!
    Quando a minha filha tinha meses, em caixas de supermercado marcadas propositadamente para atendimento prioritário (portanto nem falo das caixas normais, mas das claramente marcadas para o efeito) tive algumas discussões interessantes com inergumenos que viam aquelas caixas com filas menores, punham-se lá e refilavam quando aparecia alguém a quem aquelas caixas eram destinadas porque tinham de ceder a passagem!
    Houve até um que fui eu que lhe disse para passar à frente porque era claramente deficiente...
    ...mental!
    Como diz no artigo, se houvesse princípios básicos de educação e civilidade não seria necessário legislar! E, infelizmente não falo apenas dos mais novos, mas de muita gente com idade para ter juízo...

    Quando ao Chico-espertismo...
    ...bem, basta ir à porta de algumas repartições da segurança social onde até já se pode alugar crianças romenas e ciganas à hora...

    :)

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    1. Pois, essa das crianças romenas já vi e foi por isso mesmo que me lembrei do exemplo.
      Os relatos de falta de educação que refere são culpa da minha geração que não soube educar os filhos.

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  2. Infelizmente quase que só as pessoas na terceira idade tiveram essa educação. Os mais novos precisam sim de uma lei que os trave e lhes ensine boas maneiras, já que nós não soubemos ensiná-los. Há meses meu marido que tem 73 anos vinha no autocarro sentado naquele banco corrido lá mesmo atrás que dá para 5 pessoas. Vinha sozinho nesse banco quando entraram 5 jovens, quatro dos quais se sentaram a seu lado ficando o 5º de pé por não haver mais vagas. Pois os jovens fizeram tudo para que o meu marido se levantasse a fim de que o outro se sentasse, chegando ao ponto de dizerem "Andam aqui estes gajos que já devem uns anos à cova, a ocupar o nosso lugar. Já não trabalham e em vez de ficarem sentados no sofá vêm passear, e tirar o lugar aos outros"
    O marido chegou a casa nervoso e revoltado.
    Abraço

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    1. As cenas a que tenho assistido nos transportes públicos, fazem-me pensar que vivemos todos numa aldeia de Macacos.
      Tem toda a razão, Elvira, a culpa do comportamento dos jovens é nossa. Até porque conheço muitos jovens educados nos mesmos princípios com que eu fui, o que demonstra que a falta de educação da maioria não é fruto dos tempos, mas sim um produto da incapacidade educativa da nossa geração.

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  3. Bom, por um lado, não acho mal.Agora no dia que for almoçar e vir a grávida,o avôzinho, a senhora com a criança de colo e o deficiente passarem todos à minha frente, sou capaz de não achar tão bem.Será que vou ter de passar a fazer marcação, ou isso também não conta para nada? ;)

    Beijocas

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    1. Uma boa pergunta, Teté, mas não sei responder. Espero que não chegue tão longe, caso contrário, um dia destes ainda estamos a almoçar e alguém nos obriga a levantar para dar lugar a um(a) prioritário(a)
      Beijinhos

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  4. À partida parece-me bem, quem sabe faz o que sempre fez, quem não sabe aprende!
    Quanto aos Chicos espertos... hão-de acabar por aprender.
    Penso que quantos mais formos os que cumprem as regras de educação e civismo maior será a pressão exercida sobre os não cumpridores que acabarão por aprender e aos poucos a "casa fica arrumada".
    xx

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    1. O problema é que caminhamos no sentido inverso, papoila. Há cada vez mais gente a desrespeitar as regras básicas da boa educação e não a cumpri-las.

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  5. ~~~
    A intenção é boa, mas é certo que vai haver abusos...

    Uma maneira de tirar as criancinhas da frente da TV...

    Será imprescindível criar uma caixa para os 'casos'...

    Nada melhor do que ser cliente habitual de lugares mais íntimos.

    Complicado para os adultos que são obrigados a andar a correr...
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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    1. Como sempre, Majo, as ideias são boas, as leis bem intencionadas, mas há sempre quem saiba aproveitar-se delas para seu próprio benefício.

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  6. Matava os miúdos que me oferecessem um lugar.

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    1. Que drástica, Teresa! Às tantas´, alguns miúdos que atropelam os velhos para lhes sacar o lugar, não o fazem por mal. Têm é medo de encontrar pela frente uma pessoa como a Teresa, que os mande desta para melhor :-)

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  7. A diferença entre a sociedade canadiana e a portuguesa, tanto quanto tenho observado, é que nós (canadianos) somos naturalmente bem educados e respeitadores das leis. Não vejo aqui muito “chico espertismo”. : )

    Se alguém me oferecesse o lugar, eu aceitaria de bom grado, mas ficaria a pensar: “Oh dear, do I look like a senior citizen already ?!”

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    1. Os canadianos são dos povos mais civilizados e bem educados que conheço, Catarina. Pelo menos no Québec, que é a região que conheço melhor. Fruto da educação, mas também de regras sociais e civilizacionais que lhes são incutidas desde miúdos

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  8. À partida não me parece má ideia, não tenho visto abusos nos supermercados, na Fnac, nos Correios ou na Conservatória em que só algumas vezes me passaram à frente - talvez também nos restaurantes possam ter mesas prioritárias :)

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    1. Mesas prioritárias? Quantos restaurantes em Portugal se podem dar a esse luxo, Gabi?

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  9. Apostar na educação cívica é bem mais complicado, e demora muito mais tempo, que produzir leis, Carlos.
    É assim em toda a parte.

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    1. De acordo, Pedro, mas esta Lei não lhe parece um bocadinho disparatada e até disléxica em relação ao nosso tecido social?

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