quarta-feira, 15 de junho de 2016

Não misturem as coisas, seus debochados!

Já critiquei de forma inequívoca esta decisão do governo.
Estou por isso à vontade para defender a ideia de  que uma injecção de capital na CGD não é a mesma coisa que atirar dinheiro para cima  do Espírito Santo, ou de qualquer outro banco privado. Insistir na tecla de que é tudo a mesma coisa, é próprio de debochados de direita, habituados ao empreendedorismo privado, feito à custa dos dinheiros públicos.
A CGD é um banco público ao serviço de todos os contribuintes e cuja existência é fundamental para o país e até para a nossa independência. Pagar para garantir a sua sobrevivência parece-me, por isso, aceitável. Isso não impede que seja legítimo a qualquer cidadão exigir que o Estado cumpra o seu papel, reclamando junto da justiça  indemnizações aos administradores por si nomeados que utilizaram dinheiros públicos como se fossem propriedade sua. Nenhum governo pode eximir-se, também, à aplicação de sanções administrativas  previstas na Lei a  administradores que delapidaram bens públicos, seja por incompetência, seja porque utilizaram os seus cargos para satisfazer clientelas partidárias ou amigalhaços.
Quanto à banca privada, se compreendo a necessidade de salvar um banco com a dimensão do Espírito Santo, pelas implicações que a sua falência acarretaria para todo o sistema financeiro,  já não me conformo  quando sou chamado a contribuir para salvar bancos privados de pequena dimensão, cujos proprietários e administradores fizeram gestão danosa, cientes de que o Estado os socorreria em caso de necessidade. O caso BPN é, nesta matéria, o exemplo mais flagrante de um banco criado para satisfazer amigos e clientelas partidárias, com recurso a uma teia de vigarices. Não pode o Estado dar-se ao luxo de "salvar" vigaristas. Quanto a mim, isso só foi possível, porque Portugal foi governado durante décadas por um bloco central de interesses, que se protegia mutuamente quando surgiam problemas.
O que se exige à geringonça é que acabe de uma vez por todas com essa teia de interesses. Isso é tão importante como restituir aos trabalhadores, desempregados e reformados, o dinheiro que o governo Passos /Portas lhes roubou, para meter nos bolsos dos mais poderosos.

3 comentários:

  1. ~~~
    MUITO BEM, CARLOS BARBOSA!
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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  2. Vamos a ver se há coragem que chegue para isso.
    Abraço

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  3. Vamos a ver se há coragem que chegue para isso.
    Abraço

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