segunda-feira, 6 de junho de 2016

Boys "R" Us





Em Janeiro, o governo anunciava a anulação de concursos para altos cargos do Estado
Embora tivesse manifestado a minha compreensão pela decisão, alertei para o facto de a prática do governo PAFioso ser comum a governos anteriores. A única diferença foi a criação da CRESAP, uma iniciativa de Passos Coelho que serviu exclusivamente para enganar parvos.  As nomeações em regime de substituição, para legitimar escolha com base na experiência, são uma fraude institucionalizada. Quer para altos cargos, quer para chefias intermédias. É um fartar vilanagem. Foi, no entanto, essa a prática seguida pelo anterior governo para contornar os obstáculos colocados por um organismo criado por esse mesmo governo.
 Admiti, com muitas reservas, que a geringonça viesse a adoptar uma prática mais transparente, mas manifestei as minhas dúvidas sobre essa possibilidade, porque o poder e as exigências das máquinas partidárias são muito fortes.
Escrevi, também, que não via qualquer problema em que os altos cargos  do Estado fossem escolhidos pelo governo, com base em critérios partidários, pois a sua importância justifica plenamente que sejam ocupados por pessoas de confiança. Seria preferível, porque mais transparente,  assumi-lo, em vez de fingir que as nomeações resultam do mérito e são validadas por um organismo faz de conta como a CRESAP.
Vem isto a propósito da indignação de PSD e CDS, por este governo ter nomeado 282 dirigentes na Administração Pública e ter exonerado umas dezenas de boys e girls nomeados pelo governo anterior. Poderia aqui citar centenas de exemplos, mas fico-me pelo que deu mais brado: a nomeação num só dia, por Pedro Mota Soares, de 15 dirigentes da Segurança Social com base em critérios meramente partidários, alguns à revelia da CRESAP, prática aliás recorrente durante o governo anterior.
Este governo perdeu uma boa oportunidade de iniciar uma nova prática e demonstrar que os critérios da geringonça são diferentes mas, admitamos, não é fácil manter em funções dirigentes cuja missão é boicotar ou fazer espionagem a favor do partido de que são militantes. É por isso mesmo  - e por ser mais transparente- que desde sempre defendi a nomeação para cargos dirigentes de relevância, pessoas de confiança no partido do governo.
E é partindo desse pressuposto que considero leviandade absoluta  incluir a nomeação de Paula Varanda, dirigente do Livre, para DG das Artes, na lista das escolhas partidárias.


3 comentários:

  1. O culpado disto tudo é o Guterres. Foi ele que prometeu, quando em campanha para PM, abrir concursos para todos os cargos de chefia e direcção no Estado. Esqueceu-se que o aparelho estava todo dominado pela longa governação cavaquista. Logo partiam em vantagem ao ser analisado o currículo, além dos júris serem formados pelos próprios, porque tinham de ter, pelo menos a mesma categoria, de preferência superior, ao lugar posto a concurso. Por outro lado eram eles que faziam as grelhas de avaliação. Mais ainda: combinaram entre si, não concorrerem, aos mesmos cargos, para terem a garantia de ganharem os concursos. E foi assim que este país continuou entregue à tralha cavaquista. Restava apenas a criação ou modificacão de alguns Organismos e o regime de substituição que sempre foi tão bem aproveitado, sobretudo nas Autarquias, onde se guardavam os lugares para os afilhados, muitas vezes à espera que os próprios acabassem um curso.
    Nunca vi tanto infante jovem e analfabeto em lugares de directores de Departamentos, enquanto no estado central se estava anos à espera que abrissem concursos. Porque quando se criava ou alterava um organismo, muitos ficavam em regime de instalação, o que quer dizer que não havia quadro de pessoal aprovado, portanto não podia haver concursos.

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  2. Era precisamente na SSocial onde se praticavam as maiores anomalias, porque enquanto antes era a nível distrital, os Centros regionais, passou a haver apenas um ISS-I.P., único a nível nacional, que domina todo o país.

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  3. Lá vou eu ser politicamente incorrecto - mas qual é a novidade e o problema de os titulares de altos cargos se rodearem de pessoas de confiança??
    Deixemos de ser hipócritas, por favor.

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